terça-feira, 29 de setembro de 2009

O BENNETT, O INCRÍVEL COMETA DO OUTONO DE 1970


"Canto a tua beleza, adorada Provença
terra onde o sol põe luz nos olhos de cristal,
e os ciprestes, olhando a azul esfera imensa,
contam. oh Mãe, a tua história imemorial!"
(Provença - Béatrix Reynal, 1892-1990)


O Bennett (1970 II) foi um dos mais belos cometas que passaram pelas proximidades de nosso planeta nestes últimos 40 anos, o que se deu em março e abril de 1970, ocasião em que pode ser visto a olho nu antes do amanhecer. Este cometa foi descoberto visualmente com magnitude 8.5, por John Caister Bennett, em Pretória, África do Sul, em 28 de dezembro de 1969, 15 minutos após haver iniciado sua rotineira busca por cometas, encontrando-o nas imediações da Nuvem de Magalhães. Na foto abaixo, o cometa fotografado por Akira Fujii.



Era um cometa que exibia uma cauda dupla (foto abaixo), e cerca de duas semanas antes de sua máxima aproximação do Sol, ele foi visto no céu sul-oriental com uma cauda de poeira, curva e brilhante, e outra de gás, tênue e reta, separadas entre si por uma distância de cerca de um grau da cabeça. O comprimento estimado da cauda foi de 10 a 12 graus, mas houve outras estimativas que afirmam que ela passou de 25 graus em meados de abril. À medida que ele ia se aproximando do Sol, seu aspecto foi mudando até que a cauda de poeira eclipsou em parte a cauda de gás. Depois dessa aproximação, a cauda de gás foi novamente vista, enquanto a de poeira continuava a girar para o norte, sendo facilmente observada em começos de abril. Cita-se que nos primeiros 5 graus da cauda houve ejeção de gazes, o que pode ser visto na foto abaixo. O Bennet, inclusive, foi fotografado pela missão Apolo 13, aquela cujo acidente resultou num filme recente.

Não sei como minha mãe ficou sabendo da aparição deste cometa, pois, naquela época, a divulgação de eventos do gênero, seja nos jornais (que não assinávamos) e na TV era rara no Brasil. Mas posso garantir que não foi por informações minhas que ficamos sabendo do fato, embora eu já soubesse ler. Por este mesmo problema, deixei de ver o belíssimo cometa West, que surgiu na virada de 1975/76. Neste caso, o problema se deu com os meios de comunicação, que estavam embaraçados com o anticlímax gerado pela "frustrada" visita do cometa Kohoutek em 1974, e temendo um novo fiasco, pouca cobertura deram ao surgimento do West. O resultado foi que esse cometa espetacular passou desapercebido do grande público. Para reforçar o que digo, leia o que o senhor Adelino P. Silva, de Fortaleza/CE, escreveu sobre o Bennett:

“Imaginei que a passagem do Cometa seria o assunto do dia seguinte na cidade. Se não nos jornais (não dava tempo), pelo menos nas estações de rádio e TV. Nada, rigorosamente nada. Nenhum dos meios de comunicação comentou o fato, aliás, como também nada tinham mencionado anteriormente. Pensei em doar a foto para um jornal, mas acabei desistindo. Achei que seria apenas mais uma. Que nada. Jamais se tocou no assunto. Até hoje tenho a nítida impressão de que somente eu observei e fotografei o Cometa Bennett no céu já quase totalmente azul daquele lindo amanhecer de 1970 em nossa querida cidade de Belém, Pará.”

Na foto acima, feita entre 21 e 25 de março de 1970, o Bennett fotografado por Adelino, com magnitude 1.8 e cauda com 12 graus de extensão.

Lembro-me que, numa certa madrugada de março ou abril, minha mãe me acordou e fomos eu e ela tentar encontrar o Bennet no céu da Usina. Do próprio quintal de casa pudemos vê-lo facilmente, pois ali a vista era descortinada, já que haviam cortado o velho pé de flamboyant que se erguia no gramado frontal. A noite estava límpida e fresca – como eram a maioria das noites outonais nesta época –, e olhando acima do horizonte ao lado de um cipreste que havia em frente à nossa casa, lá estava o novo cometa, bem visível e brilhante em meio à luz da ante-aurora que já se insinuava e começava a azular o céu matutino (na foto acima, o cometa em Waasmunster, Bélgica).

Era um cometa mediano, mas bem visível no céu, e dificilmente não chamaria a tenção mesmo para os que “são inábeis para as afeições do céu”, como diria o poeta. Por causa disto mesmo, a sensação de se ver um cometa a maioria das pessoas desconhece, mas é algo indizível – só mesmo se vendo para saber o que é este sentimento ao ver um astro milenar que veio dos confins do universo nos visitar, coisa que, felizmente, pude desfrutar novamente vendo o belíssimo cometa McNaught em janeiro de 2007. O Bennett não proporcionou o mesmo show deslumbrante do grande Ikeya-Seki, que eu havia visto cinco anos antes em Araras, mas foi ótimo ver novamente um cometa, coisa tão rara atualmente. Dos 10 cometas que vi até hoje, o Bennett foi o terceiro melhor, o McNaught o segundo e o Ikeya-Seki o primeiro. Ainda estou na espera de um gigante cometa rasante solar – aqueles que são vistos até de dia. Mais dia, menos dia, um desses aparece.


Na foto acima, o Bennet visto numa praia de Samoa, fotografado por John M. Flanigan.

No livro que estou escrevendo, O Romeiro da Maldição – As reinações do poeta Fagundes Varella – meu personagem que volta no tempo, ao século 19, passando por 1910, se detém para ver o cometa Halley e reclama do século 21, em que vive, época pobre de cometas e outros eventos astronômicos:

“Como não se bastasse, os cometas e chuvas de estrelas que foram eventos tão freqüentes e deslumbrantes no século XIX e anteriores proporcionando inesquecíveis espetáculos, no século seguinte, com a possessão da luz, deixaram a desejar, aparecendo raramente e, ainda assim, timidamente, e o XXI, pelo que se nota, lamentavelmente ainda não soube repetir à altura um destes raros eventos astronômicos que encantaram e assombraram estes nossos afortunados habitantes aqui do passado...”

Roy Stemman – um dos papas da Ufologia Bíblica – sentenciou:

“Quanto mais olhamos para trás no tempo, mais impressionantes são as histórias que se descobrem.”
 
E já que falamos em Ufologia, veja esta outro calocação do ufólogo George Adamsky, em seu livro “Os Discos Voadores”, em pareceria com Desmond Leslie, lançado no Brasil em 1953:

“Procissões enchem os caminhos do espaço à volta do nosso globo, fazendo parecer vazias, pela comparação, as nossas estradas principais em dias de feriado. O século XIX bateu o recorde no que diz respeito ao turismo estelar. Milhões de seres extraterrenos, aparentemente, espreitaram, bisbilhotaram, investigaram, estudaram e registraram tudo o que viram no nosso planeta nas suas fantásticas excursões.”

Assim sendo, resta-nos apenas lamentar estes tempos insípidos em que estamos vivendo...

Para fechar a matéria, uma belíssima foto do Bennett, nas montanhas suíças, em 26 de março 1970.


O Bennett na revista Veja, em 1º de março de 1970




* * *
Veja aqui um outro documentário meu sobre cometas:
O GRANDE COMETA MCNAUGHT EM JANEIRO DE 2007: UMA BELA SURPRESA QUE POUQUÍSSIMOS FELIZARDOS VIRAM!...
Fontes:
Seis fontes. Consultar o autor.
.

16 comentários:

  1. BELÍSSIMAS FOTOS PARABENS!!!!!!!!!

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  2. eloisa visentainer12 de março de 2011 12:36

    Eu, aos 6 anos de idade, junto com meu pai, Bene Visentainer, que me acordou de madrugada, subimos no telhado de casa em Sao Paulo e vimos esta imagem inesquecivel. Ate hoje nos gabamos disto. Que privilegio os ceus nos reservaram!

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  3. Benedicto Luiz Visentainer12 de março de 2011 14:20

    Eu confirmo a informação da minha filha, Eloisa Visentainer. Realmente o cometa Bennett ficou vários dias embelezando o ceu da madrugada.Foi um espetáculo indescritível, somente quem viu pode avaliar o quanto foi espetacular.

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  4. Tenha uma saudade imensa destes tempos, em que os cometas de médio tamanho pareciam ser mais comuns, ao contrário destes tempos insossos de poluição luminosa e raros e medíocres cometas.

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  5. Uma das coisas maravilhosas que ví em termos de corpos celeste foi esse cometa de abril/70, muito lindo mesmo e que brilhou várias madrugadas nos ceús de Rondônia. Um outro foi o Halle-Bop, mas muito menos brilhante que o Bennett. O Halley para mim foi uma decepção (1986).

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  6. Eu tinha seis anos e me lembro de ter visto um cometa em 1969 ou 1970 muito bonito junto com meu pai na janela de nosso apto em Brasília, era esse?

    Att,

    Carlos

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    1. Sim foi exatamente este que vi nesta data minha mãe me chamou pra ver eram aproximadamente 4 a 5 da madrugada minha mãe me disse que era uma estrela de rabo, e nem foi noticiado na epoca

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  7. Minha Família toda acordou cedinho, durante vários dias só para apreciar tão lindo Presente!
    De brilho intenso e tamanha nitidez, aquele Cometa iluminava o céu de Arcadas \Amparo - SP - que no meu imaginário de criança "morávamos numa cidade Presépio"!!! Meu Avô colocava o relógio para despertar e ia passando de quarto em quarto, nos acordando para o Espetáculo, que como Ele dizia : _ "iríamos guardar nos "olhos" da memória pra sempre" !!! Tb achávamos que ninguém mais tinha visto ...
    Grata por compartilhar ! Marta !

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  8. Obrigado, Marta, por suas palavras! Somos mais que privilegiados por termos conhecido esse belo cometa desta forma tão poética e inesquecível!

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  9. 11:47 17/12/2012

    Eu também vi esse lindo cometa! Tinha 16 anos e cedinho ia ao trabalho e mal podia olhar as ruas de Matelândia/PR, pois meus olhos estavam fixos naquela imagem deslumbrante! Não há palavras que possam definir o sentimento de um momento desses...O tempo passou e hoje é que fico sabendo o real nome BENNETT. Obrigado pela postagem das fotos.

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  10. Obrigado, Paulo!!! Eu sei muito bem que sentimento é este, e agora no final do ano, se tudo der certo com o gigante cometa ISON, iremos rever este sentimento com mais intensidade!

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  11. eu também pensei que fosse pesadelo aquele astro em minha santana escura sem energia elétrica, durante todos esses anos estava guardado na memória, sem saber se era verdade e agora fico sabendo q foi o cometa bennett

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  12. Tenho 58 anos e hoje lembrei de um cometa que aparentemente seria esse, não lembro data, mas eu deveria ter entre 10 a 14 anos, morava na cidade de Araruama região dos lagos RJ, minha mãe me acordou tipo 3 4 horas da manhã eu acho para me mostrar, o céu estava lindo e pude observar a grandeza e beleza desse cometam uma cauda longa . A proporção do tamanho do cometa visto a olho nu para mim seria com se tivesse olhando para a lua atravessando o céu com muita rapidez. Uma visão de uma vida, pena que não tinha como gravar naquela época, mas fui testemunha dessa maravilha, parecia que estava muito perto da terra .

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  13. Tenho 58 anos e hoje lembrei de um cometa que aparentemente seria esse, não lembro data, mas eu deveria ter entre 10 a 14 anos, morava na cidade de Araruama região dos lagos RJ, minha mãe me acordou tipo 3 4 horas da manhã eu acho para me mostrar, o céu estava lindo e pude observar a grandeza e beleza desse cometam uma cauda longa . A proporção do tamanho do cometa visto a olho nu para mim seria com se tivesse olhando para a lua atravessando o céu com muita rapidez. Uma visão de uma vida, pena que não tinha como gravar naquela época, mas fui testemunha dessa maravilha, parecia que estava muito perto da terra .

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  14. Papai acordou toda a familia para vermos um cometa,eu fiquei surpresa e disse "ele não anda no ceu papai,fica parado"Adorei ver essa maravilha /Lavras/MG

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