quarta-feira, 26 de julho de 2017


Há quem o faça, mas não me agrada incluir o Punk na Contracultura. Penso que o Punk, tentando decretar a morte dos "dinossauros do rock" - do Rock Progressivo em especial - e até mesmo dos hippies - , não passou de um mero hiato entre a Contracultura e a Disco Music... Sua "filososfia" depunha contra discurso flower & power da Contracultura. Acredito que, na verdade, o Progressivo acabou por si mesmo - nenhum outro movimento o matou propositalmente. Por outro lado, é curioso que nem o Punk nem a Disco Music deram cabo do indestrutível Heavy Metal - e lá estavam o Sabbath, Led, Purple, Uriah Heep, Iron Maiden, Judas Priest, ScorpionS, Ufo, Van Hallen, e tantos outros, a todo vapor levando o movimento adiante. 

Os hippies (passados exatos 50 anos) parecem eternos; idem o Heavy Metal. Sim, sim, os punks sobrevivem, não como os hippies (um meio de vida), e o Punk, como movimento musical, está aquém do Heavy Metal, se assemelhando mais à "sobrevida" da Disco Music. 

Pretendiam eles, nos primórdios, retornar à raízes e resgatar a simplicidade do rock, num estilo de música de quem - diziam - não sabe tocar muito bem e não é escolado. O Pete Towshend, do The Who, na época deu 3 ou 4 anos de vida para o Punk - bateu na trave, pois a principal fase do movimento não durou mais que isso... Oras, se os punks queriam mesmo retornar às raízes, à simplicidade, porque não retornaram ao Blues, a raiz de tudo?!... Aliás, o Blues vem se mostrando imortal desde que surgiu entre os escravos plantadores de algodão nos EUA.... Já o Punk!...  - é o Green Day e mais quem mesmo?!...


Aos "orfãos" de Tom Jobim, - como este que vos escreve - gostaria de dizer para se "acalmarem", pois nem tudo está perdido: caso não saibam, ele deixou pelo menos três discípulos diretos que levaram o bastão do seu estilo adiante, e com muita catega e responsa! Vamos aos grandes!

1- Eduardo Gudin: um dos papas do movimento oitentista Lira Paulistana. Ouçam o seu ótimo disco "Balãozinho" (1986), e também "Eduardo Gudin & Notícias dum Brasil" (2006), "Luzes da mesma luz" (2001),"Eduardo Gudin & Vânia Bastos" (1989);

2- Nelson Ângelo: esse, um verdadeiro monstro da MPB, tremendo e diversificado compositor, que, infelizmente, poucos conhecem sua refinada obra. É espantoso que um artista desse quilate seja praticamente desconhecido no país! O estilo Jobim pode ser ouvido nos discos: "Times Square" (2014), "A Vida Leva" (1994), "Coisas de baladas" (2015), "Canções adultas" (2005).

3- Mário Adnet: ótimo compositor e, como Nelson Ângelo, com um trabalho diversificado. Além de compor dentro do consagrado estilo, tem discos com ótimas de releituras do mestre. Ouvir: "Rio Carioca" (2002), "Mvsica" (2006), "Pedra Bonita" (1995) e "Para Gershwin & Jobim" (1999).

* Obs.: são as músicas mais refinadas que se possa imaginar, coisas de gente do 1º escalão da MPB.