sexta-feira, 7 de abril de 2017

A TEORIA DA TERRA PLANA, OU, DISCUTINDO O SEXO DOS ANJOS!...

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Ilustração hipotética sobre a Terra plana
Supondo-se que a teoria da Terra plana ― “a mãe de todas as conspirações ― seja verdadeira ― uma declaração factual ―, poderíamos conjeturar sobre o porque de todos os cerca de 500 seres humanos, homens e mulheres, que já foram ao espaço, nenhum deles afirmou isso: “Realmente, a Terra é plana!” Very, very strange!...

Lembremos que, enquanto estavam na ativa ― seja, norte-americanos, sejam soviéticos ―, todos os astronautas e cosmonautas eram terminantemente proibidos de falar em entrevistas civis sobre as “anormalidades” com que se deparavam nas missões, como os UFOs e outros mistérios vistos no espaço e na Lua. Curiosa e estranhamente, depois que se aposentaram e não tinham mais compromisso algum com a NASA e a URSS, a maioria deles “abriu” o bico e revelou que na maioria das missões espaciais foram seguidos ou observados por UFOs, mas nenhum revelou algo que poderia ser naturalmente revelado, o de que a Terra é plana!... Oras, alguém, já disse que “a unanimidade é burra” ― fato a que até mesmo o próprio Jesus Cristo esteve sujeito, porque há os que não acreditam em sua existência 
Ilustração hipotética sobre a Terra plana
―, mas porque há unanimidade entre astronautas, cosmonautas e aviadores de que a Terra é redonda?! Simples: fato incontestável, a terra é redonda mesmo, o que foi provado cerca de 220 anos antes de Cristo pelo matemático e geógrafo grego Eratóstenes através de um cálculo simples!

Ilustração hipotétiva de um eclipse lunar
mostrando a sombra da Terra plana na Lua
É no mínimo hilário que nenhum dos adeptos da teoria da Terra plana tenha uma foto sequer para defender suas teorias e se apoiem em meras e irrisórias ilustrações, enquanto que na da Terra redonda há bilhões de fotos feitas por satélites e sondas estando em outros planetas... Aliás, ninguém precisa sair do planeta ― digo, tirar os pés do chão ― para fazer uma foto da Terra plana ― é só esperar pelo próximo eclipse da Lua, e, no entanto, quem já fez essa foto?!... Não é estranho que a Terra nunca se mostre plana em sua projeção sobre a Lua em todos eclipses per saecula saeculorum!...

Os mais hilário é que eles afirmam que não é possível a existência de água líquida num planeta esférico, ou algo assim, mas, oras, se eles acreditam na existência de satélites, como explicam então que eles conseguem entrar  em órbita de uma Terra plana!... 

Lembremos também que, a 37 quilômetros de altura ― o voo mais alto alcançado por um jato soviético ― já se pode notar a esfericidade da Terra, mas as fotos e gravações daquele homem que fez um faz salto recorde de paraquedas a 20 quilômetros de altura já revelam esta obviedade.

Jim Irwin, da Apollo 15, que viu um UFO na Lua

Oras, então porque nenhum dos astronautas e cosmonautas, que tiveram a “ousadia” de revelar que viram UFOs e serem ridicularizados, afirmou que a Terra é plana? Que mal haveria em revelar isto? Simplesmente nenhum, porque seria totalmente contraproducente esconder isto para a humanidade, que em sua grande maioria, ao contrário da “teoria” dos UFOS, pouco se lhes dá se a Terra é plana ou redonda, que isto não altera em nada suas  vida e o seu cotidiano... Vejam: seria para lá de chocante e surpreendente se descobrir que a Terra é plana, mas nada se compara à esmagadora afirmação de que os extraterrestres e os discos voadores existem...

O problema dos adeptos da teoria da Terra plana é a chamada polarização, sobre a qual o apresentador de TV Tiago Leifert, dias atrás, colocou com muita propriedade:
  
“Polarização é um problema muito grave. Porque (a pessoa) nunca está certa. Ela é cega. (...) E não há nada que faça esses caras mudarem de opinião. (...) E aí você vai pro mundo de hoje com rede social e a pessoa que tem uma opinião formada se cerca de outras que têm a mesma opinião dela, e o que acontece? Ela só reforça aquela crença e aí não há diálogo. Tudo que você mostra que pode questionar o que aquela pessoa acredita, ela imediatamente descarta, ela imediatamente interpreta do jeito dela, que é errado, porque ela tá totalmente hipnotizada, porque ela tá fanática. E aí a coisa não anda.”

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Ah, o leitor que saber a minha opinião sobre a teoria da Terra plana? E eu lhe digo agora mesmo: sim, sim, amigo, naturalmente eu acredito na teoria, mas a da Terra plana, aquela que surgiu em 1968, às vésperas de o homem colocar seus pés no globo redondo da Lua pela primeira vez, a “Terra plana” do Geraldo Vandré ― canção do disco altamente recomendável “Canto geral”!―, em cujos versos admiráveis ele canta:

“Eu sou de uma terra plana
De um céu fundo e um mar bem largo
Preciso de um canto longo
Pra explicar tudo que digo
Pra nunca faltar comigo
E lhe dar tudo o que trago”...

Enfim, amigos, basta desse assunto improfícuo e ridículo de se ficar discutindo o sexo dos anjos!...
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sexta-feira, 24 de março de 2017

UMA DAS CENAS MAIS INCRÍVEIS QUE VIVI EM MINHA PRIMEIRA INFÂNCIA, COISA QUE, AGORA, AMIGOS, SÓ VOLTANDO NO TEMPO MESMO, QUE OUTRA REUNIÃO AÉREA COMO ESSA NOVAMENTE, É PRATICAMENTE IMPOSSÍVEL!...

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Vivi emoção igual à essa das pessoas da foto aos 5 anos de idade, com esse mesmo lendário avião, o North American T-6 (o mesmo da atual Esquadrilha da OI), quando cerca de 37 deles, vindos do Campos dos Afonsos no Rio Janeiro, indo em direção da Força Aérea em Pirassununga (para onde foram transferidos), passaram em voo baixo por sobre o bairro onde eu morava.

Foto: Maurilo Clareto, 1986.

Estava em cima de um pé de jabuticaba, no fundo do quintal de minha casa, e foi aquela situação que só poderia ser vivenciada durante a Segunda Guerra Mundial (o T-6 surgiu nesta guerra), coisa de causar impacto e apavorar quem quer que seja! Mesmo quem já ouviu nos modernos shows aéreos o barulho possante e ensurdecedor do motor radial desse avião com a citada Esquadrilha da OI, não pode imaginar o ruído extremamente estrondoso de um esquadrão desses aviões voando baixo passando por sobre sua cabeça - coisa de estourar os tímpanos, e os miolos também!... O barulho era de abalar as estruturas - como se dizia na época, coisa de "arrasar quarteirão"! 

Paralisado de medo e pavor em cima da jabuticabeira, eu abri o maior berreiro, e precisou um pintor que trabalhava em casa, o João Duanetti, subir na copa e, com um sorriso nos lábios, lá foi ele me tirar de lá de cima, e eu, em choque, tremendo feito vara verde!... Lá na varanda em frente, meus pais e meus irmãos vendo tudo e rindo, rindo!... 

Mas, enfim, amigos, boníssimos e instigantes tempos esses, quando essas fantásticas máquinas aéreas cruzavam diariamente os céus do sossegado interior paulista, parecendo que iam rachar o mundo no meio! 

O irmãos Sidney e Carlos Antonholi, estando na Granja Paulista, uns 4 quilômetros adiante e a uns 2 da Via Anhanguera, também viram os T-6 passando e foi o Sidney quem me disse que eram 37 aviões. A Internet e revistas que tenho me forneceram outros dados desta história, que, por sinal, fará parte do Volume 0 dos livros de memórias sobre a Usina Palmeiras que venho escrevendo. A data exata ainda não descobri, mas vou descolar em breve.

Cenas e emoções únicas como essas, my friends, infelizmente, never more!

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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

AS MINISSÉRIES DA REDE GLOBO


Desde o final da década de 1970, a Rede Globo é considerada como a empresa que faz as melhores novelas em todo o planeta. 

Pois eu acho que ela é muito mais que isso. Costumo assistir suas minisséries de época há décadas e acho que ela é melhor ainda que nas novelas. As fantásticas reconstruções de cenário, as ambientações incríveis, a excelente escolha das trilhas sonoras, a condução sábia das tramas etc. Em tudo ela arrebenta.

As que mais curti:

- "Lampião e Maria Bonita" (1982);
- "Padre Cícero" (1984);
- "O Tempo e o Vento" (1985);
- "Grande Sertão: Veredas" (1985);
- "O Pagador de Promessas" (1988);
- "Riacho Doce" (1990);
- “A Muralha” (2000);
- “JK” (2006);
- "Amazônia - de Galvez a Chico Mendes" (2007).

Após "Dois Irmãos" - e acho que não é coincidência - passa outra minissérie, uma norte americana, de época também, a ótima "Raízes", que teve uma versão anterior em 1977, e fez igual sucesso. Dá para comparar as duas em qualidade: a Globo faz minisséries de época muitíssímo melhor que Raízes!

Listagem das minisséries da Rede Globo:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_minisséries_da_Rede_Globo
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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

INTERPRETES: MAIS RESPEITO COM A CRIAÇÃO MUSICAL ALHEIA!

Fico chateado (para não dizer puto...) quando, assistindo um programa musical, como por exemplo o Voice Brasil ou o Raul Gil, vejo os novos cantores interpretando músicas consagradas de grandes autores e se atrevem a alterar a linha melódica (a parte cantada) como se a música fossem deles. Nisto, enchem-na de floreios inexistentes e, o pior, cometem o sacrilégio de alterar os tons originais onde podem e bem entendem, deturpando a melodia original. Há quem ache que esteja melhorando a canção, ou, pelo menos, fazendo uma grande interpretação... Não importa se o interprete seja da opinião que determinado trecho da música não é bom e devia ter a melodia que ele tem em mente e acha melhor e, assim, a interpreta baseado nisso - a melodia gravada pelo autor ou seja, a que foi registrada no órgão competente, como a Biblioteca Nacional (BN), é a original e deve ser terminante e invariavelmente respeitada, seguido-se à risca o original durante a execução. Lembremos, no entanto - e infelizmente -, que os próprios autores incorrem nesse erro e às vezes fazem essas "recriações" em apresentações ao vivo ou em reagravações, o que eu acho um ultraje com a própria obra, um desrespeito com a própria criação. 

Apesar de, geralmente, eu achar a gravação original a melhor (e sagrada), pode fazer o arranjo que for, mas a linha melódica não pode ser alterada em hipótese alguma, pois ela é como a espinha dorsal de uma música, e ninguém pode alterar sua estrutura, extraindo ou colocando um osso a mais ali. Uma coisa é um novo arranjo para música; outra totalmente diferente é querer alterar a melodia original. 

Deveria haver uma proibição por lei impedindo os intérpretes de cantarem um sucesso alterando a linha melódica ao seu bel-prazer; aliás, isso deveria se coisa passível de processo. Ou grava como manda o figurino ou seja impedido de gravar caso pretenda fazer alterações na melodia. Lembremos que quando uma música nova é registrada na BN, a letra vai acompanhada da partitura onde é registrada a linha melódica, que em suma, é a essência da canção. Na música clássica, por exemplo, tudo o que foi criado e arranjado pelo autor é intocável e eterno, e a interpretação deve ser a mesma não importa, por exemplo, a sinfônica que a execute, embora as interpretações variem de uma sinfônica para outra, seja devido à qualidade de execução dos músicos, seja pelo talento ou deficiência de cada um e também da inspiração.

Assim sendo, amigos, se coloquem então na pele do autor e imaginem alguém alterando sua amada criação musical, e veja como você se sentiria.
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quinta-feira, 20 de outubro de 2016

DUAS BANDAS TÃO DISTINTAS: O GENESIS PROGRESSIVO E O GENESIS POP!!!...



Estive pensando: o Genesis é uma banda que sofre um fenômeno curioso, fenômeno talvez único no universo do Rock. Não é todo mundo que, à esta altura, sabe que existiram dois Genesis, e bandas bem distintas: a progressiva e a pop.

Por exemplo, as modernas gerações pensam que o Genesis sempre foi o “power trio pop" à cargo de Phill Collins, Mike Rutherford e Tony Banks, e é de se admirar que não são poucos que ignoram que o verdadeiro Genesis tinha também em seu quadro outros dois gigantes: Peter Gabriel e Steve Hackett. Daí que você fala bem do Genesis “oficial” para um jovem rockeiro mal-informado, ele torce o nariz e imagina que você está falando do trio, que ele não gosta, mas nem por isso procurou ouvir o da fase progressiva...

Antes de mais nada, apesar de ser o período da banda que eu não curto, tenho o maior respeito pela fase pop e pelo gênio do gênero que é Phill Collins, que vendeu tanto quanto Michael Jackson, Elton John e Stevie Wonder. Em momento algum quero afirmar que a fase pop do Genesis é de gosto duvidoso, muito pelo contrário, pois, sem sombra de duvida, é um pop de responsa e da maior qualidade, mas o problema, repito, é que há por aí muito neguinho que pensa que o Genesis que conhecem sempre foi o das músicas “mela cueca”!...  Porém, estou ciente de que quem conheceu o Genesis já na fase pop e gostou, pode muito bem não gostar do progressivo.

Por isso mesmo imagino que o Genesis pop faz muito mal para a reputação do Genesis progressivo. Tenho, inclusive, amigos que, por mais que eu fale bem do Genesis da primeira fase, eles se negam a ouvi-lo, pois o parâmetro e o conceito (equivocados) que tem sobre a banda é o da fase pop. Aqui o caso é outro: conhecem o Genesis progressivo mas nunca se dignaram a ouvi-lo, de modo que pensam que o estilo da banda é o da fase pop!... Outro dia mesmo falei para um amigo do tremendo baterista que é o Phill Collins — considerado hoje “o baterista dos bateristas” —, e ele se surpreendeu, e até duvidou, e notei claramente que ele só conhecia o Phill Pop!...

Mas tem também aqueles que me dizem que não gostam da banda em fase alguma.  Para esses eu digo: "Quem você pensa que é para não gostar do Genesis?! O Genesis é que não gosta de você!"...

Aos mal-informados do gigante que fora o Genesis progressivo, só me resta uma coisa: lamentar as incríveis belezas que deixam de ouvir e dar meus pêsames por sua alienação...

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quarta-feira, 27 de julho de 2016

TOTÓ ROCHA, MEU BISAVÔ MATERNO ― UM MENINO ENCONTRADO NO MATO

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Ao contrário dos Daltros, os registros sobre o meus antepassados do lado materno, ou seja, os Rocha, são escassos, e o pouco que consegui foi obtido em conversas com parentes.

Antonio "Totó" Rocha
Quero falar de meu bisavô materno, Antônio da Rocha ― conhecido como Totó ―, nascido provavelmente em meados da segunda metade do século 19, e que não cheguei a conhecer.

Segundo meus tios, Totó foi uma criança encontrada perdida no mato. Até o momento, pesquisando a genealogia de minha família, não descobri o nome de meus trisavôs maternos que o criaram, nem documentos de Totó. Era o tipo de informação que eu podia ter obtido com minha avó Ana, sua filha, mas, por ainda não estar preocupado com este assunto na época, não a entrevistei quando era viva.

É provável que Totó tenha sido o filho ilegítimo de alguma família respeitável, criado como bastardo em alguma fazenda isolada e abandonado no mato quando seus tutores não mais quiseram mantê-lo na família. Isto era comum acontecer naquela época, como, por exemplo, senhores de engenho e cafeicultores que engravidavam subalternos ou escravos, e queriam manter longe o "produto" de seus adultérios. Longe de querer fazer comparações pretensiosas e dar alguma importância ao provável "zé ninguém" que fora o Totó, isto ― de criança abandonada da qual nada se sabe sobre sua origem ― se deu, por exemplo, com o enigmático alemão Kaspar Hauser, personagem famoso, mas envolto em mistério, falecido em
Maria Cardoso Dias
1833, mas que, ao contrário de Totó, foi encontrado perdido na cidade de Nuremberg aos 15 anos de idade, menino incapaz de falar e parar em pé.  Também não fora, com certeza, como Victor de Aveyron (falecido em 1828) ― outra das muitas crianças encontradas perdidas em locais selvagens, mas que por problemas de idiotia foi de difícil educação ―, já que Totó se casara e tivera filhos com minha bisavó Maria Cardoso Dias. 

Mas, então, quem fora Totó? Infelizmente, nenhuma outra informação mais sólida obtive sobre ele, nem a cidade, o lugar e as condições em que fora encontrado ― as circunstâncias sobre seu encontro são um enigma. Não se sabe, p. ex., se ao ser encontrado, passava fome e sede, e até se estava nu, tal como se dera como Peter, o selvagem ― uma criança encontrada perdida em Helpensen, Hanover, em 1724. Não pude saber também, por exemplo, há quanto tempo Totó se encontrava perdido no lugar onde fora encontrado. Estava são na ocasião? Era uma criança normal e falava normalmente? Que idade tinha, e tinha idade suficiente para dar alguma informação sobre como fora parar ali, se se perdera da família ou se seu pai ou sua mãe o abandonaram ali? Infelizmente, são informações que, se existiram, perderam-se nas brumas do tempo, levadas ao túmulo por meu avós, de modo que a história de sua origem está invariavelmente perdida. 

Mais triste é pensar numa criança que, muito provavelmente, não sabia o dia em que nasceu, a agonia de não poder comemorar aniversários como os outros da família, a amargura de não ganhar presentes!... Quiçá, seus pais adotivos contornaram a situação, e resolveram comemorar seu aniversário no bendito dia em que o encontraram, o que não deixava de ser um dia de “renascimento”... 

A foto de Totó, colocada junto deste texto no Facebook, gerou comentários de amigos e parentes, como, p. ex., a minha semelhança facial com Totó. Não consegui me ver nele ― mesmo porque sou o único filho de minha família que “puxou” para os Daltros. Uma prima observou dizendo que não herdamos suas orelhas, mas analisando fotos das bodas de meus avós Francisco e Ana no ano 1967, quando a maioria de nós primos éramos crianças, vi que esta característica ― a de orelhas de alça de xícara... ― foram replicadas em alguns primos meus, "melhor" dizendo, as tais “orelhas de bater bife”, como se dizia na época!...

Festa das de meus avós maternos no ano de 1967.
Notar as tais "orelhas de bater bife" herdadas do velho Totó...

Antonio "Totó" Rocha
Curiosa e coincidentemente, em se tratando de crianças encontradas nestas circunstâncias, cita-se que embora existam numerosos livros sobre crianças selvagens, quase nenhum deles foi escrito baseado em arquivos, em informações fidedignas, tendo os autores usado duvidosas informações impressas de segunda ou terceira mão. Totó, em que pese sua "insignificância", é mais uma dessas crianças "selvagens" da qual nada se sabe.

Enfim, a história de Totó pode ser resumida lançando mão de uma sentença dita pela escritora Rosalina Coelho Lima, em seu livro "Serei fazendeiro ― A seara de Caim", de 1953: 

“Ali estava. Ninguém lhe sabia da gente nem da origem"...

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sexta-feira, 8 de julho de 2016

ARARAS: "CIDADE DAS ÁRVORES" OU "CIDADE DOS CANAVIAIS"?...



Livro sobre a festa lançado pelo
autor, em 7 de junho de 2002.
No dia 7 do mês passado, completou-se 114 anos da Primeira Festa Das Árvores de Araras, mas, como sempre acontece, 99% não se deram conta disso. Após a efeméride, houve algumas exumações em algumas escolas, mas, passada a data, a festa foi enterrada novamente!...

É surpreendente que Araras tendo realizado no distante 7 de junho de 1902 aquele que pode ser considerado o primeiro movimento conservacionista dedicado às árvores na América do Sul, ninguém nesta cidade se dá conta de sua importância para a história deste país! 

Turisticamente falando, o nosso maior ativo é, incontestavelmente, a Festa das Árvores. Temos, na região, diversas cidades, todas com seus ativos em dia: Holambra com a “Festa das Flores”, Jundiaí com a “Festa da Uva”, Barretos com a “Festa do Peão de Boiadeiro”, Valinhos com a “Festa do Figo”, Limeira com a “Festa da Laranja” etc., mas, estranhamente, Araras não se interessa pelo seu feito histórico que, por seu pioneirismo e importância, deveria ter um renome continental, e, assim, não segue o exemplo das cidades vizinhas que tem em suas festas tradicionais motivos para atrair turistas e dividendos, bem como tornar famosa sua realização em todo o país e até na América do Sul.

Enfim, eis a cidade da amnésia endêmica e sua "memória de incinerador", aquela que esquece com facilidade seus feitos gloriosos que deveriam ser eternizados, aquela que não sabe que, em sua história tem um gigante adormecido!


Festa das Árvores em 1902 - quadro Emílio Wolff

Como se pode depreender, em Araras foi a paisagem canavieira ganhou estatuto de municipalidade e não a árvore, cujo nome, como se sabe, é o motivo de seu duvidoso (para não dizer hipócrita) lema. E este lema, o de “Cidade das Árvores” ― que deveria se ponto de expressão privilegiada de todas as representações municipais ―, não passa de balela e conversa mole para boi dormir! Entra ano e sai ano, e o gigante continua adormecido!... 

Ah, em pensar nas quantas cidades brasileiras não gostariam de ter realizado pioneiramente este evento e, assim, fazendo jus a ele, tê-lo relembrado pela eternidade afora e festas e mais festas, mas, como se vê, esta cidade infeliz que é Araras não é, definitivamente, digna de ser chamada de “Cidade das Árvores”. Oremos!...


Foto do satélite Landsat 7, de 2001. A as áreas em azul são solo ou cidade;
áreas em preto são rios e cursos d’água; áreas em vermelho são canaviais.
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