quarta-feira, 27 de julho de 2016

TOTÓ ROCHA, MEU BISAVÔ MATERNO ― UM MENINO ENCONTRADO NO MATO

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Ao contrário dos Daltros, os registros sobre o meus antepassados do lado materno, ou seja, os Rocha, são escassos, e o pouco que consegui foi obtido em conversas com parentes.

Antonio "Totó" Rocha
Quero falar de meu bisavô materno, Antônio da Rocha ― conhecido como Totó ―, nascido provavelmente em meados da segunda metade do século 19, e que não cheguei a conhecer.

Segundo meus tios, Totó foi uma criança encontrada perdida no mato. Até o momento, pesquisando a genealogia de minha família, não descobri o nome de meus trisavôs maternos que o criaram, nem documentos de Totó. Era o tipo de informação que eu podia ter obtido com minha avó Ana, sua filha, mas, por ainda não estar preocupado com este assunto na época, não a entrevistei quando era viva.

É provável que Totó tenha sido o filho ilegítimo de alguma família respeitável, criado como bastardo em alguma fazenda isolada e abandonado no mato quando seus tutores não mais quiseram mantê-lo na família. Isto era comum acontecer naquela época, como, por exemplo, senhores de engenho e cafeicultores que engravidavam subalternos ou escravos, e queriam manter longe o "produto" de seus adultérios. Longe de querer fazer comparações pretensiosas e dar alguma importância ao provável "zé ninguém" que fora o Totó, isto ― de criança abandonada da qual nada se sabe sobre sua origem ― se deu, por exemplo, com o enigmático alemão Kaspar Hauser, personagem famoso, mas envolto em mistério, falecido em
Maria Cardoso Dias
1833, mas que, ao contrário de Totó, foi encontrado perdido na cidade de Nuremberg aos 15 anos de idade, menino incapaz de falar e parar em pé.  Também não fora, com certeza, como Victor de Aveyron (falecido em 1828) ― outra das muitas crianças encontradas perdidas em locais selvagens, mas que por problemas de idiotia foi de difícil educação ―, já que Totó se casara e tivera filhos com minha bisavó Maria Cardoso Dias. 

Mas, então, quem fora Totó? Infelizmente, nenhuma outra informação mais sólida obtive sobre ele, nem a cidade, o lugar e as condições em que fora encontrado ― as circunstâncias sobre seu encontro são um enigma. Não se sabe, p. ex., se ao ser encontrado, passava fome e sede, e até se estava nu, tal como se dera como Peter, o selvagem ― uma criança encontrada perdida em Helpensen, Hanover, em 1724. Não pude saber também, por exemplo, há quanto tempo Totó se encontrava perdido no lugar onde fora encontrado. Estava são na ocasião? Era uma criança normal e falava normalmente? Que idade tinha, e tinha idade suficiente para dar alguma informação sobre como fora parar ali, se se perdera da família ou se seu pai ou sua mãe o abandonaram ali? Infelizmente, são informações que, se existiram, perderam-se nas brumas do tempo, levadas ao túmulo por meu avós, de modo que a história de sua origem está invariavelmente perdida. 

Mais triste é pensar numa criança que, muito provavelmente, não sabia o dia em que nasceu, a agonia de não poder comemorar aniversários como os outros da família, a amargura de não ganhar presentes!... Quiçá, seus pais adotivos contornaram a situação, e resolveram comemorar seu aniversário no bendito dia em que o encontraram, o que não deixava de ser um dia de “renascimento”... 

A foto de Totó, colocada junto deste texto no Facebook, gerou comentários de amigos e parentes, como, p. ex., a minha semelhança facial com Totó. Não consegui me ver nele ― mesmo porque sou o único filho de minha família que “puxou” para os Daltros. Uma prima observou dizendo que não herdamos suas orelhas, mas analisando fotos das bodas de meus avós Francisco e Ana no ano 1967, quando a maioria de nós primos éramos crianças, vi que esta característica ― a de orelhas de alça de xícara... ― foram replicadas em alguns primos meus, "melhor" dizendo, as tais “orelhas de bater bife”, como se dizia na época!...

Festa das de meus avós maternos no ano de 1967.
Notar as tais "orelhas de bater bife" herdadas do velho Totó...

Antonio "Totó" Rocha
Curiosa e coincidentemente, em se tratando de crianças encontradas nestas circunstâncias, cita-se que embora existam numerosos livros sobre crianças selvagens, quase nenhum deles foi escrito baseado em arquivos, em informações fidedignas, tendo os autores usado duvidosas informações impressas de segunda ou terceira mão. Totó, em que pese sua "insignificância", é mais uma dessas crianças "selvagens" da qual nada se sabe.

Enfim, a história de Totó pode ser resumida lançando mão de uma sentença dita pela escritora Rosalina Coelho Lima, em seu livro "Serei fazendeiro ― A seara de Caim", de 1953: 

“Ali estava. Ninguém lhe sabia da gente nem da origem"...

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sexta-feira, 8 de julho de 2016

ARARAS: "CIDADE DAS ÁRVORES" OU "CIDADE DOS CANAVIAIS"?...



Livro sobre a festa lançado pelo
autor, em 7 de junho de 2002.
No dia 7 do mês passado, completou-se 114 anos da Primeira Festa Das Árvores de Araras, mas, como sempre acontece, 99% não se deram conta disso. Após a efeméride, houve algumas exumações em algumas escolas, mas, passada a data, a festa foi enterrada novamente!...

É surpreendente que Araras tendo realizado no distante 7 de junho de 1902 aquele que pode ser considerado o primeiro movimento conservacionista dedicado às árvores na América do Sul, ninguém nesta cidade se dá conta de sua importância para a história deste país! 

Turisticamente falando, o nosso maior ativo é, incontestavelmente, a Festa das Árvores. Temos, na região, diversas cidades, todas com seus ativos em dia: Holambra com a “Festa das Flores”, Jundiaí com a “Festa da Uva”, Barretos com a “Festa do Peão de Boiadeiro”, Valinhos com a “Festa do Figo”, Limeira com a “Festa da Laranja” etc., mas, estranhamente, Araras não se interessa pelo seu feito histórico que, por seu pioneirismo e importância, deveria ter um renome continental, e, assim, não segue o exemplo das cidades vizinhas que tem em suas festas tradicionais motivos para atrair turistas e dividendos, bem como tornar famosa sua realização em todo o país e até na América do Sul.

Enfim, eis a cidade da amnésia endêmica e sua "memória de incinerador", aquela que esquece com facilidade seus feitos gloriosos que deveriam ser eternizados, aquela que não sabe que, em sua história tem um gigante adormecido!


Festa das Árvores em 1902 - quadro Emílio Wolff

Como se pode depreender, em Araras foi a paisagem canavieira ganhou estatuto de municipalidade e não a árvore, cujo nome, como se sabe, é o motivo de seu duvidoso (para não dizer hipócrita) lema. E este lema, o de “Cidade das Árvores” ― que deveria se ponto de expressão privilegiada de todas as representações municipais ―, não passa de balela e conversa mole para boi dormir! Entra ano e sai ano, e o gigante continua adormecido!... 

Ah, em pensar nas quantas cidades brasileiras não gostariam de ter realizado pioneiramente este evento e, assim, fazendo jus a ele, tê-lo relembrado pela eternidade afora e festas e mais festas, mas, como se vê, esta cidade infeliz que é Araras não é, definitivamente, digna de ser chamada de “Cidade das Árvores”. Oremos!...


Foto do satélite Landsat 7, de 2001. A as áreas em azul são solo ou cidade;
áreas em preto são rios e cursos d’água; áreas em vermelho são canaviais.
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quinta-feira, 28 de abril de 2016

OS BARÕES, CONDES E VISCONDES NA HISTÓRIA DE ARARAS, ESTADO DE SÃO PAULO

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O painel abaixo, foi confeccionado por mim com material extraído de um meu livro meu, suspenso temporariamente, cujo título é "Do Barreiro das Araras à Capela de Santa Cruz – Revelações históricas sobre o município de Araras".

Traz ele uma relação de 14 personalidades que receberam títulos nobiliárquicos, todas ligadas, direta ou indiretamente, à história de Araras. Ao que consta, porém, só o conde Silvio é natural de Araras. 

Alguns nunca moraram aqui; a maioria era originária de outras cidades da região ou mesmo de outros estados; outros tinham parentes ou terras aqui, como o mais antigo de todos, o barão de Iguape.  

O período envolvido, portanto abrange três séculos: o 18, 19 e o 20, e através das personalidades relacionadas pode-se, em termos, auferir a importância que eles tiveram não só na economia da cidade, mas também na do Estado, bem como influência nas artes e na política paulista, principalmente na era de ouro do café, já que a maioria era cafeicultor .



* Para ver a imagem maior, clique na foto abrindo-a, e depois, clique com o botão direito do mouse na foto e clique novamente em "Abrir a imagem em uma nova guia". Depois vá até a página aberta e, se ela aparecer, clique com a lupa em cima da foto.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

ADVINHAS AO ESTILO DA “TURMA DO CHAVES” PARA AS CRIANÇAS BRINCAREM

    (Criação minha, dedicada aos
     meus amiguinhos Yan e  Yago)



Para quem não conhece a brincadeira, é o seguinte: uma criança faz uma pergunta à outra, e se esta responde corretamente, a primeira dá um golpe (de brincadeira) nela, golpe este cujo nome rima com a resposta.


AS ADVINHAS:


- Qual o nome daquele suco verde de cana?
- Garapa!
- E eu te dou um baita tapa!...



- Qual é o nome daquele animal que não gosta de gato?
- O cão!
- E eu te dou um beliscão!...



- Qual é o nome da luta do Paranauê?
- Capoeira!
- E eu te dou uma rasteira!...




- Qual o nome daquele elefante peludo que vivia no Polo Norte e se extinguiu?
- O mamute!
- E eu te dou um belo chute!...



- Qual é o animal orelhudo cujo nome é dado para os homens ignorantes?
- Burro!
- E eu te dou um baita murro!...



- Qual o nome daquele inseto que faz mel?
- Abelha!
- E eu te dou uma bolacha na orelha!...



- Qual o nome daquele animal que se uma mulher beijá-lo ele vira príncipe?
- Sapo!
- E eu te dou um sopapo!...



- Qual o nome daquele doce que se come com queijo?
- Marmelada!
- E eu te dou uma pernada!...



- Qual o nome daquele órgão que bate no peito?
- Coração!
- E eu te dou um pescoção!...



- Qual o nome daquela comida com feijão preto?
- Feijoada!
- E eu te dou uma bordoada!...
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segunda-feira, 12 de outubro de 2015

UM CASO ANTIGO DE BULLYING, ENVOLVENDO O POETA INGLÊS PERCY SHELLEY

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O poeta inglês Percy Shelley, um dos maiores da Inglaterra, nasceu em 1792, falecendo em 1822. O texto que posto hoje diz respeito à um primitivo caso de bullying envolvendo este célebre literato, o que se deu em sua juventude, no distante princípio do século 17.

“Os regulamentos da escola não passavam, para o seu espírito hipersensível, de açoites de opressão. Passeava pelo campus sozinho, infeliz, em atitude opressão. Os colegas chamavam-no ‘o louco Shelley’, e organizaram uma ‘sociedade de provocação a Shelley’. Sempre que se sentava a margem de um rio, para ler Shakespeare ou Voltaire, caiam sobre ele como um bando de cães de caça, perseguiam a sua presa pelo bosque e finalmente acuavam-na, obrigando-a a uma luta desesperada contra todos, em condições de desigualdade. A sociedade humana, conclui ele, é uma horda de bárbaros com uma camada de cultura. (...) Completamente absorto no mundo do seu sonho, caminhava como um estranho no mundo dos homens. Em geral, com efeito, evitava a companhia de seus semelhantes. Sentia-se mais à vontade entre as coisas da natureza. Passava a maior parte do tempo nos bosques, em meio as montanhas, ou em seu barco. Os rios conversavam com ele, as ondas do mar encrespavam-se em gargalhadas, as árvores desprendiam de seus galhos uma música inteligível, as nuvens passavam por sua cabeça como um bando de pássaros vivos, o vento, como um titã, descia precipitadamente das montanhas, arrastando cascalhos para o saco que trazia às costas e, espalhando-os, a gargalhar ruidosamente pelos campos.

Shelley pouco se importava com as agitações mesquinhas dos mortais. Preferia observar o nascer do sol, quando este soltava sobre uma nuvem e se lançava rapidamente sobre o horizonte, ou ‘aquela donzela em forma de orbe, vestida de alva claridade, que os mortais chamavam de lua’, enquanto dançava, deliciosamente pelo assoalho noturno dos céus. As estrelas eram um bando de abelhas de ouro. Ele ouvia o seu zumbido divino, traduzia-o em música, para que os ouvidos dos homens pudessem compreendê-lo.”

(Vida dos grandes poetas - Percy Shelley. Henry e Dana Lee Thomas, 1958)

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

RESENHA DE LIVROS E REVISTAS LIDOS POR MIM EM SETEMBRO DE 2015

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1-  O melhor de Vinícius de Moraes.  Cia. das Letras - Folha,1994. Poesias e textos que normalmente não vemos em livros escolares, infelizmente. Eu mesmo nunca havia lido tais textos (e textos antigos), e confesso que me surpreendi com a qualidade deles, sem falar no bom humor de nosso poetinha. Uma coletânea que vale como uma boa introdução para a criação literária extra-poesia de Vinícius.






2- O encanto da leitura - Textos inesquecíveis. Abril Cultural, 1981. Uma seleta de trechos de clássicos da literatura mundial compilada pelo grande Victor Civita, sim, o então chefão da Abril. Neste livreto, ele se propõe a introduzir novos leitores em textos escolhidos de autores de renome mundial como, p. ex., Shakespeare, Machado de Assis, Stendhal, Camões, Bilac, Tolstói, Nietzche, dentre outros gigantes da literatura. O livreto se divide em cinco temas: amor, mulher, trabalho, morte, guerra, liberdade e crime. Ao que o autor se propõe, o livro atinge em cheio a meta, funcionando  meio que aos modos dos antigos livros de Português, com suas ótimas seletas de clássicos, isto, sem ao "inconveniente" das partes gramaticais, de análises sintáticas e glossários.


3- Baú dos Ossos - Memórias 1 - Pedro Nava. 1968. Numa palavra: assombroso. Sempre quis conhecer este auto-proclamado "poeta bissexto", tão bem dele falavam, mas lembro-me que a primeira vez que pus meus olhos num livro seu, jurei que nunca ia lê-lo, que os parágrafos são imensos — ele é torrencial e parece não gostar de pausas, de querer parar para respirar — vai muito além do Rousseau, que é perito nisto, e é coisa que desestimula até mesmo os que são viciados em leitura, que os parágrafos não raro atravessam páginas, e isto, mesmo mudando-se os assuntos. Aliás, Rousseau pediu desculpas pelos seus "detalhes insignificantes", mas Nova é "imperdoável".  Por exemplo, está falando dos vendedores ambulantes de doces, e já emenda com os compradores de ratos do Oswaldo Cruz! Mais estranho ainda, e surpreendente, descreve nuvens numa página inteira e não cita o nome de nenhuma , mas poucas páginas depois, vai falar do algodão doce e descreve-o usando cirros, estratos, cúmulos e nimbos!.... Felizmente, o acaso me salvou certo dia quando ele me colocou diante de dos três primeiros livros desta série, e os três à preço de banana. Mal comecei a ler suas 443 páginas e fiquei abestalhado, pois ele é eclético e fala de tudo e de todos. Ele tem memória prodigiosa e torrencialidade, à ponto de peitar o próprio Proust. Seus escritos tem sentimento, poesia, ternura, humor e raiva.  Não concordo com Raquel Jardim que disse que ele pouco fala de si, mas de outras pessoas — pelo menos neste primeiro livro, ele é o protagonista, e, mais surpreendente ainda, nesta estreia ele se revela um memorialista prodigioso, já burilado e totalmente seguro de si no que propõe. Se se pode dizer que há um "senão" neste seu livro (ainda não li os seguintes), é na parte "genealógica", onde desfilam pelas páginas milhares de pessoas, relatando parentes (parece o próprio Adão, de que todos são parentes!...), vizinhos e conhecidos, que são minuciosamente citados e descritos, isto para não falar na precisão das datas, das horas precisas,  dos nomes e número de ruas, do(a)s... Pelo teor e relativa semelhança (e com a mesma função e utilidade: um verdadeiro tesouro para os historiadores!) - analisando sua obra, Nava nos remete aos cinco  alentados volumes de "História da Vida Privada no Brasil"; aos três de "História e Tradição da Cidade de São Paulo" de Ernani Silva Bruno; e, finalmente, aos dez volumes da coleção "Nosso Século" da Editora Abril. Mas, enfim, Pedro Nava é fantástico,  e concluo que um literato de sua estirpe só pode ser descrito por meio dos mesmos elogios superlativos dirigidos aos grandes da área memorialística mundial! Assim sendo, chego ao ponto de dizer que, para mim, ele é o maior escritor brasileiro, um escritor de primeiro escalão que faz jus à um renome planetário ainda hoje, e que merece parear com os gigantes da literatura universal. Nava é um oportuno achado: um mestre supremo que nos humilha com seu estilo: sinto que, sob sua tutela, tenho de reescrever tudo o que produzi até agora!... Enfim, concluo que depois de conhecê-lo, preciso mesmo rever meus conceitos do que éseja Literatura. Nava. Assombroso.

4- Kohoutek 1973-F "O cometa do século". Nova Galáxia. 1974. Um revista documentando a passagem do novo cometa conhecido como Kohoutek (pronuncia-se Caútec), descoberto  acidentalmente pelo astrônomo tcheco Lubos Kohoutek em março de 1973. O cometa, de longe, não cumpriu as previsões quase unânimes dos astrônomos, as de que seria "O cometa do século", e, por isto mesmo, depois, foi considerado "O fiasco do...", o que foi uma grande pena, pois se as previsões se concretizassem, teríamos presenciado um dos maiores e mais belos cometas de todos os tempos, um cometa rasante e o que mais se aproximou do Sol. Fui um dos grandes infelizes, e duplamente, pois quando comprei esta revista, o fiz tardiamente e já em sua 3ª edição, e o pouco que pode ser visto do cometa já não mais oferecia atrações. Naquela época, ao contrário de hoje, obter informações precisas sobre este tipo de fenômeno era algo muito difícil e complicado. Por fim (e de todo modo), àquela altura, quando esta revista foi lançada (5-1-1974), a maioria dos astrônomos já sabia de antemão que o cometa não ia ser 10% de tudo aquilo que a mídia propalou a seu respeito, no entanto, a mesma não queria dar o braço à torcer... E fez-se o fiasco!...

5- Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta) — Literatura Comentada. 1981.  Um dos livretos de uma série lançada pela Editora Abril com autores brasileiros, com "textos selecionados, estudo histórico-literário, biografia e atividades de compreensão e criação". Já conhecia o hilário (o do Febeapá), mas esta coletânea me surpreendeu com criações suas que eu desconhecia. Ele é ótimo, e seu humor incrível e moderníssimo nada deve aos gigantes do gênero.  Não se sabe se era cardisplicente como seu irmão de arte — o boêmio e multimídia Antonia Maria —, mas, do mesmo modo, tinha tanto ainda para oferecer e nos fazer rir, mas nos fez chorar sentidamente, pois morreu novo e do mesmo modo: do coração... Do livreto, recomendo como aperitivo três ótimas crônicas: "A velha contrabandista", "Era covardia" e "O anjo", hilaríssimas e com seus desfechos inesperados. A seleta é um ótimo convite à empanturração com as obras completas do notável hilário.

domingo, 13 de setembro de 2015

RESENHA DE LIVROS E REVISTAS LIDOS POR MIM EM AGOSTO DE 2015

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1- Pelos caminhos de minha vida. A. J. Cronin. 1968. Cronin foi um escritor famoso em meados do século passado, mas hoje pouco se ouve falar de seus livros - cerca de vinte -, que foram lançados pelo mundo todo, sendo que algum foram parar nas telas. O livro em questão trata de suas memórias, onde ele condensou a sua saga como médico e os duros caminhos que teve de trilhar até concretizar seus anseios de tornar escritor. Um livro de leitura agradável, mas mediano.



2- PZ - Poeira Zine Nº 61, julho/agosto 2015. O destaque deste número fica para a longa, minuciosa e esclarecedora matéria com a grande banda de rock progressivo brasileira, o Som Nosso de Cada Dia, que, "só lendo mesmo"... Outra matéria de destaque trata dos grandes selos de rock alemão, que lançaram inúmeras bandas que se tornaram famosas pelo mundo todo, boa parte delas lançadas no Brasil, como Nektar, Message, Guru Guru, Kathargo, Embryo, Tangerine Dream e Amon Düül II. Para finalizar, destaco a ótima matéria com o baixista e vocalista John Wetton, que tanta contribuições de peso trouxe ao rock ao integrar bandas de renome mundial como King Crimson, Roxy Music, Uriah Heep, UK, Asia e Wishbone Ash.


3- Conhecimento Prático - Literatura - Em busca do Tempo Perdido. Nº 48. 2013. Revista dedicada à Literatura, cuja edição tem como destaque traz uma análise, livro a livro, sobre o centenário da clássica série memorial "Em busca do Tempo Perdido", do escritor Marcel Proust. Traz também uma análise de Kafka e sua obra, como também um texto esclarecedor onde se afirma que o trabalho de escrita de uma narrativa literária é um trabalho de edição, termo usado no jornalismo, na televisão e no cinema.


4- Copérnico - Grandes personagens de todos os tempos. 1973. A biografia daquele que é uma dos maiores astronômos da história da Astronomia antiga e um dos maiores de todos os tempos. Um ótimo livro, muito esclarecedor, seguindo passo a passo a vida desse gênio do Renancentismo, devotado pesquisador que, por medo de represálias da Igreja e de ser ridicularizado por seus pares, relutou por anos a fio em lançar seu livro "Da revolução da esfera celeste" - a obra máxima de toda a sua vida -, no qual expunha a teoria do heliocentrismo, onde deslocou a Terra de seu centro medieval, lançando-a em órbita do Sol renascentista, fato que é o símbolo da gênese do pensamento moderno. Esse medo era devido ao que havia acontecido à Giordano Bruno, queimado em fogueira pública por suas ideias revolucionárias, o que levou Copérnico à obliquidade, ao sofismo e às meias-palavras. Afinal, como não temer os membros de uma entidade ao qual ele próprio se referia como "Eminentíssimos e Reverendíssimos Cardeais Inquisidores Gerais da Comunidade Cristã Universal"?!... Enfim, à esse estudioso e recluso gênio de Nuremberg, a um tempo astrônomo, matemático, médico, economista e chefe de Estado, a coisa mais importante de sua vida era a torre da catedral de Frauenburg, onde viveu enclausurado durante cerca de 30 anos, lugar que usava livremente como morada, local de pesquisa e observatório, e onde também, tristemente, morreu cego e abandonado. Assim fora a vida deste homem singular, um solitário que se irritava com a simples e absurda idéia de se explicar o individual pelo geral. Sobreviveu à tempo de ver seu livro lançado, sem sequer imaginar que 75 anos depois a venerável e santa Igreja colocaria sua obra no Index!... E como ficaria feliz ao saber que, num futuro distante, o mundo ia associar o aniversário de seu nascimento à celebração do nascimento da Ciência moderna!


5- Caçadas e Pescarias. Antonio Pereira Coelho Filho. 1962. Um livro acima do mediano, mas que não acrescentou muito aos meus conhecimentos sobre cinegética. Tanto o é que o índice particular que costumo fazer nas capas internas dos livros que leio foi irrisório. As "histórias de caçadores" em que ele se propõe a nos fazer rir são algo insossas, além disso, não escreve com a mesma paixão, poesia e grande conhecimento ao nível do nosso representante-mor no gênero, o eminente Francisco de Barros Jr. No entanto, há uma história, a meu ver, muito bem escrita, com um ótimo estilo literário, por título "Era um moço mineiro", já ao final do livro, história para a qual eu tirei meu chapéu, mas não tão boa à ponto de figurar ao lado de "O ladrão de cavalos", o célebre conto de Luís Jardim. Curioso no livro é o último capítulo onde ele ensina aos caçadores uma espécie de código-morse, que pode ser feito com assovios ou mesmo pios de caça, de modo a se comunicar com outros caçadores nas redondezas sem espantar a caça. O celular não faria melhor!...