quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

SELETA DE PENSAMENTOS SOBRE ALIMENTAÇÃO E BEBIDA NUMA CHUVOSA E ENTEDIANTE NOITE DE QUINTA-FEIRA (criação: Wenilton)

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- Grão de milho: a arte de escapar à cozimentos, à dentadas, a ácidos estomacais e, ainda assim, sair intacto do outro lado.

- Trigo integral: algo que, para o brasileiro, é tão difícil de falar como expressão, quanto ingerir como alimento.

- Páscoa: quando crianças, a gente começa por comer chocolate em demasia; quando velhos, terminamos comendo bacalhau a dizer chega.

- Relatividade I: nunca gostei de comer pipoca em cinema quando criança, assim como hoje, adulto, não gosto de telões em festa junina.

- Banzo: com comichão de comer terra, comi terra do chão.

- Sutis diferenças I: rico toma um trago de vinho para abrir o apetite; o pobre toma um trago de pinga para enganar a fome.

- Ituana: de passagem por Itu, aproveitei para comer um espetinho de coração (de boi).

- Relatividade II: nunca comi comida de bordo, mesmo porque nunca voei num jato, mas, amigo, o que eu já me alimentei com minha mãe fazendo aviãozinho numa colher é brincadeira!

- Atinações I: adolescente é o tipo de pessoa que passa a juventude comendo porcarias, e quando fica velho, com a saúde estragada, só fica lembrando da "comida da mamãe".

- Relatividade III: não é que eu não goste de gatos, mas gosto demais de tamborins; não é que eu não goste de cachorros, mas eu sou louco por comida chinesa.

- Atinações II: com frequência, a comida mais cheirosa e deliciosa, na hora da evacuação é a que dá uma catinga dos diabos.

- Sutis diferenças II: rico com fome vê comida e fica com água na boca; já o pobre baba.

- Batismos: nome para uma competição regada à maconha: "Gincanabis"; para outra regada à bebidas: "Torneio Ébrio da Bebida".

- Sutis diferenças III: antigamente, era o clichê do cão São Bernardo com o barrilzinho de bebida atado ao pescoço; depois veio o Vinícius de Moraes com o tal do cachorro engarrafado.

- Ano Novo, Vida Nova: sim, sim, amigo, eu disse que ia parar de beber de uma vez, pois ultimamente andava vendo leões toda vez que enchia a cara, mas acontece que agora eu ando armado...
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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

"O PALHAÇO RI NO PALCO, E DEPOIS CHORA NO CAMARIM"...

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Tem gente que não acredita que pessoas engraçadas, brincalhonas e bem humoradas possam, no fundo, ser pessoas deveras tristes e melancólicas. Compreensível este conceito, uma vez que são situações opostas, antagônicas.

Li, décadas atrás, esta quadrinha de um trovador nordestino:  "O palhaço ri no palco, e depois chora no camarim". Algo que é pura verdade em muitos casos. E não está cheio de artistas que detonam no palco, e na vida particular são recatados, quietos, pouco falantes e ridentes?

Mas, convenhamos, se uma pessoa tem o dom de ser humorada, porque ela iria cometer a insensatez de andar cabisbaixa pelaí, se arrastando com cara de tristonha e acabada como que a cobrar comiseração e compaixão das pessoas? Aliás, quem sabe se esse uso do humor não seja uma forma discreta de camuflar a tristeza, de não deixar que as pessoas perceberem a sua mágoa particular.

É sempre assim: em casa depois, quando as luzes da ribalta do dia-a-dia se apagam, a pessoa deixa o artista para trás e volta a ser quem realmente ela é: o cidadão comum com todo o seu verdadeiro drama: o arsenal de dores, doenças, seus problemas enfim - é, quando surge a triste realidade, a hora de se desfazer das fantasias e lavar a pintura psicodélica da face com as próprias lágrimas incolores!

Um grande palhaço do meu tempo, o Arrelia, mesmo com suas tristezas na vida particular, costumava dizer algo como: o palhaço não chora, mas ele ampara os que choram (e isso era coisa de palco), e lembremos que os Doutores da Alegria são a mais fiel tradução desse conceito.

A vida é assim, aliás, as pessoas insensatas e sem empatia são sempre assim: acreditam piamente numa eterna alegria do palhaço, mas ninguém crê em suas secretas lágrimas, no seu verdadeiro drama pessoal! E, pior, se estes flagrassem o palhaço chorando, o tratariam  como certos adultos tratam uma criança e diriam: "Oras, oras, deixa disso! Homem que é homem não chora!"...

Mas acontece que o palhaço também é uma criança! E uma criança que chora tanto quanto! Mas, uma coisa, amigos: há Doutores da Alegria para amparar nossos queridos palhaços?...
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domingo, 19 de novembro de 2017

VELHO ESCRAVO DA FAZENDA SANTO ANTONIO (Araras-SP) INSPIRA FAMOSO QUADRO DO PINTOR MODERNISTA LASAR SEGALL!

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Lasar Segall
A famoso quadro "Bananal", do pintor Laser Segall (1891-1957), teve por base um estudo detalhado, a lápis-carvão, que ele fez de um senhor negro e idoso, chamado Olegário, que fora escravo dessa que é uma das mais antigas de Araras, surgida no distante 1831.
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Segundo LuDiasBH:
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"Segall mais uma vez, como fez em Menino com Lagartixas, destina a parte inferior da tela, reduzida aqui à metade, para colocar o único personagem da composição, preenchendo todo o resto com as folhas verdes das bananeiras.
Como o título induz-nos a pensar, o negro Olegário é apenas parte da densa vegetação, pois, como na vida, nunca fora visto como pessoa, mas como parte disso ou daquilo, subordinado ao trabalho, mandado por seus donos.
A figura de Olegário, vista a partir do longo pescoço para cima, traz profundos sulcos na testa, que denotam não apenas preocupação, mas também marcas do tempo e do trabalho servil. Seus olhos são pequenos e verdes como o verde das folhas do bananeiral. O nariz anguloso e achatado mostra enormes narinas abertas. A boca grande e grossa, mesmo fechada, expõe os lábios carnudos. Dois profundos sulcos cercam-na, partindo das narinas, e indo até os cantos esquerdo e direito.
O cabelo curto e emaranhado da cabeça de Olegário encontra-se com a barba crespa, como se fizessem uma moldura em torno do rosto do ex-escravo. Seu olhar é ao mesmo tempo duro, desesperançado e sofrido."
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GoffredoTelles Junior.
Quem se recorda dele servindo de modelo para o futuro quadro, era aquele que no futuro viria a se tornar um dos maiores juristas do país, o então menino Goffredo Telles Júnior (1915-2009), que passava os dias nesta fazenda de seus avós junto com o grupo de modernistas da Semana de 22 que aí frequentou durante a década de 1920:

"Lasar Segall, por exemplo, me fascinava. (...) Ele tinha um modo de olhar para as coisas do mundo como não vi em mais ninguém. Olhos muito abertos, infinitamente curiosos, numa fisionomia de extrema doçura... Extasiei-me ao vê-lo em plena criação, no terraço da fazenda, retratando, a carvão, na tela do seu cavalete, a cabeça do velho Olegário, antigo escravo de meus bisavós. Nenhum de nós podia imaginar que ali se estava produzindo o primeiro esboço do famoso quadro Bananal."
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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

PHILL COLLINS E OS CONCERT TOMS - SUA MARCA REGISTRADA

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Mais precisa-mente a partir do disco "Wind & Wuthering" (1976), o Phill Collins assumiu de vez o uso dos chamados "Concert toms", ou seja, dos tambores tom-tons sem a pele de resposta ou pele de baixo (tons bimembranofones). A canção mais famosa do Genesis em que Phill usa esses tom-tons é a estranha "Mama", sucesso em 1983. A propósito, não sei até hoje como uma música sombria como essa fez sucesso comercial - coisas do gênio que é o Phill, ao que parece, caso único em se tratando de bateristas que se tornaram vocalistas e fizeram sucesso à nivel mundial não só como músico de rock progressivo (Genesis) e jazz rock (Brand X), como também como cantor pop de primeiro escalão!

A principal característica deste tipo de tambor é o som mais encorpado, ressonante e mais solto em relação aos tons com pele de resposta. O timbre obtido com esse tom é bem caracterítisco e inconfundível. Como ex-baterista, não concordo em seu uso como um fim, mas sim como um meio, como mais uma peça da bateria usada para criar determinados efeitos em arranjos que pedem grandiosidade ou agressividade. Assim, pessoalmente, não gosto muito de seu timbre ao ser usado normalmente como os tons com pele de resposta, mas funcionam otimamente bem quando usados como determinados efeitos especiais. 

Popularizado no final da década de 1960 pelo baterista Hal Blaine, se difundiram entre as bandas de rock setentistas e oitentistas, naquele fase tão marcante do rock em que se via acima dos bumbos-de-pé uma fileira enorme deles, como podemos checar na famosa "I love it loud" do Kiss, música em que mal se ouve o ritmo da bateria e imediatamente se sabe de que canção se trata. 

Hoje, sabe que o grande Phill Collins, o "baterista dos bateristas", faz uso exclusivo deles.

Outros rocks e canções pop famosos onde os concert toms se destacam:

- Rick Wakeman - "Myths and Legends of King Arthur and Knights of The RounD Table" (1975), na música "Arthur";

- Triunvirat - "Spartacus" (1975), nas músicas "The Capital of Power" e "The Burning Sord of Capua";

- Elton John - na canção "Goodbye Yellow Brick Road" (1973);

- Secos & Molhados - na canção "Flores Astrais" (1974);

- Guilherme Arantes - na canção "14 anos" (1978)

- James Taylor - "Fire and Rain" (1970).
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PRAGAS DE INÍCIO DE SÉCULO Nº 3 - AS CIGANAS PEDINTES


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Hoje, amigos, na última postagem da trilogia "PRAGAS DO INÍCIO DO SÉCULO", vamos entrar no território do Sidney Magal! Sim, vou falar de ciganas, mas sinto lhes dizer que não falarei da tal "Cigana Sandra Rosa Madalena"... Até gostaria, mas ela não se encaixa nesta crítica, mas até que a outra famosa cigana da canção, a tal de "Zíngara" ― romântica ledora de mãos e adivinhadora do futuro ―, cairia bem aqui, mas,  também não é o caso... Falemos, portanto das ciganas que não inspiraram músicas e estão aí pela cidade desinspirando (e pirando) muita gente...
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Pois bem. Me refiro às ciganas pedintes que, nos últimos tempos,  são encontradas diariamente por todos os lados do comércio central da cidade no nobre exercício de arrecadar dinheiro sem trabalhar. Embora, à primeira vista ― e com todo o respeito ―, possam ser confundidas com as chamadas "crentes", com aqueles seus cabelões e vestidões longos, as ciganas nada tem a ver, e diria que são até meio hippies, psicodélicas, ultra-coloridas. E vocês devem estar se perguntando aí: "Elas quase sempre estão carregando filhos, mas cadê os maridos que nunca são vistos" Realmente, um mistério tão intrigante quanto saber onde elas moram e de onde elas vem!... 
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Não implicaria com elas se não fosse o fato de que não é uma ou outra cigana que é pedinte ― praticamente todas são pedintes. Está certo, umas vivem da chamada Quiromancia, ou seja, ler as mãos, e não sou contra isto pois, de uma maneira ou de outra, estão prestando serviço e trabalhando, portanto, merecendo o dinheiro que cobram. O que não mais vi foi elas vendendo ouro pela cidade, mas deve ser a crise, e quiçá seja esse o fato de elas apelarem para a mendicância, afinal à esta altura, quem vai comprar ouro de ciganas?... Mas, convenhamos: ficarem sentadas num lugar qualquer pedindo dinheiro como se fossem inválidas ou doentes, aí não dá mesmo. 
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Porém, um rápido olhar revela que a maioria delas são invejavelmente magras e saudáveis, e muitas muito bonitas e atraentes, e já vi algumas que mexeram comigo e me remeteram aquela velha canção do Carlos Alexandre, aquele cantor brega setentista, que cantava na música "A Ciganinha": 
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"Você é a ciganinha
Dona do meu coração
Não tenho sangue cigano
Mas vou pedir a sua mão".... 
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E a gente vê essas danadas e se pergunta: "Pô, com uma beleza dessas essa moça podia ser uma modelo, e, no mínimo, uma secretária executiva!" Mas quem disse que elas querem trabalhar, ter um emprego fixo?...
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Sim, admiro os ciganos e sua música, o romantismo da raça, e me surpreende o fato de eles serem um povo ágrafo, isto é, sem o registro de sua próprio história e sua existência, mistério que se perde nos tempos, mas isto que as ciganas pedintes fazem, esse meio de vida deprimente, depõe contra seu próprio povo ― é humilhante, e, certamente, elas não precisam disso. Penso até que elas estão tão empenhadas em levar esse meio de vida adiante, que cigano já está se tornando sinônimo de pedintaria, de mendicância mesmo! Isso precisa acabar!
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Se eu permitisse que uma cigana lesse minha mão, a primeira coisa que lhe perguntaria seria: "Quando as ciganas ― uma raça tão linda, romântica e antiga ― vão aprender a se valorizar deixando de se humilhar com o exercício da mendicância?"...
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Para fechar este texto, gostaria de relembrar um fato curioso: há cerca de meio século atrás, os ciganos foram atração em Araras. Sim, isto mesmo! Pelo ibope que deu, acredito que foi a primeira vez que um grupo deles foi visto por aqui. Mas, porque escrevi "atração"? É que quando eles se instalaram num terreno baldio lá nos altos do Parque Industrial, os ararenses fizeram romaria para ir vê-los lá, eles, com suas tendas, suas crianças, sua música, seus violinos, as fogueiras e seus varais cheios de roupas coloridas. Dentre estas famílias curiosas que andaram bisbilhotando por ali, estava a nossa!... E lá fomos nós ― os caipiras da Usina Palmeiras! ― com nossa DVW ver aquela raça colorida e seu meio de vida nômade, num tempo em que suas mulheres ainda não se humilhavam como pedintes pelas ruas da cidade...
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PRAGAS DE INÍCIO DE SÉCULO Nº 2 - OS FLANELINHAS

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Olha lá: mal você estaciona seu carro, lá vem ele - o tal do flanelinha! -; e vem, vem todo pimpão, esperançoso e... sedento de verba... Com sua indefectível fardinha laranja, fardinha esta que, na verdade, não lhe confere autoridade alguma, lá vem ele: sim, o tal do flanelinha!...
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E eu pergunto: que autoridade, ou melhor, que formação, que preparo ou capacidade é esta que ele tem para oferecer segurança absoluta sobre uma grande quantidade de veículos espalhados as vezes por várias ruas e quarteirões? Será que o sujeito é onipresente e tem super-poderes? Aliás, ele tem documentos que lhe auferem legalidade e competência para autuar um possível ladrão? Ele tem armas (e porte de armas) para interceptar esse bandido se necessário? Resumindo, ele não vai poder fazer nada, que talvez nem celular o pretensioso tenha!... E supondo que um ladrão roube nosso carro que está sob sua vigilância, ele será responsável pelo sinistro e nos indenizará pelo roubo? Desnecessário dizer, amigos, mas se neste país nem o estacionamento de um shopping garante isso, quanto mais um pobre flanelinha!...

Na verdade, se notarmos, a única preocupação dele é ter sob sua guarda a maior quantidade de carros possíveis, independentemente de que ele vai conseguir cuidar de todos ou não, se é que cuida, o que eu duvido... Na verdade, assim como os políticos corruptos desse País, o que o espertão quer mesmo é verba - o cidadão e seu carro ficam para depois, se sobrar tempo, e interesse...
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Um amigo me contou aqui, que foi num show e viu um bando de flanelinhas isolando um terreno com aquela faixa plástica zebrada de amarelo e preto. Daí que ele entrou ali e já teve que pagar adiantado!... Quando acabou o show, e ele voltou lá, cadê os flanelinhas?!... Ainda bem que não foram embora com o carro... E, percebem, amigos, que eles usam essa faixa como se fossem posseiros, demarcando uma terra que nem é sua?!
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Um amigo meu aqui do Face e da vida real, ex-militar da Força Aérea, me deu este depoimento: "Flanelinhas em muitos casos, já chegam a ser até um problema de segurança pública, com reportagens nos melhores programas policiais da televisão... chantagem, coação, danos ao patrimônio, furtos.... ...não tenho carro, graças a Deus e não sei se isso acontece mesmo... ...Em todo caso, é bom vigiar!"
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Na verdade, eu não preciso do serviço deles e os dispenso sem cerimônia, pois meu carro tem alarme e trava de segurança, mas eu já percebi insinuação de alguns deles de que se eu não aceitasse seus cuidados e não o pagassem, eles poderiam danificar o meu carro. Quer dizer: ou você aceita ou a coisa pode complicar!... Num lance desse, a gente chega a desconfiar que o problema não são bem os ladrões, mas os próprios flanelinhas!...
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Isso já basta, mas para finalizar, vou passar aqui aos amigos, uma tática que criei para desmascarar flanelinhas espertos e mal-intencionados. É o seguinte: quando você estacionar seu carro e ele se aproximar oferecendo seu nobre e impecável "serviço", concorde. Quando voltar, não vá para seu carro, mas um outro qualquer e finja que vai abri-lo; quando o flanelinha se aproximar cobrando sua taxa, pergunte-lhe se o carro que você vai abrir é seu mesmo. Ele vai ficar meio constrangido, mas vai dizer sim. Em seguida, vá para seu carro e abra-o. É aí que você vai pegar ele no pulo e provar para o espertão que ele não estava cuidando de seu carro porra nenhuma! Finalmente, diga-lhe: "Amigo, como você quer cuidar de meu carro se você nem me conhece, guardou minha fisionomia e nem sabe que carro eu tenho? E se eu fosse um ladrão de verdade e estivesse roubando aquele outro carro? Como você iria saber, e impedir o furto? Amigo, me desculpa, mas você não merece dinheiro algum, pois não trabalha honestamente e, acima de tudo, não está gabaritado e autorizado para trabalhar com isso!"
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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

PRAGA DE INÍCIO DE SÉCULO - Nº 1 - OS MALABARES


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Dentre as três duas pragas deste início de século neste País que mais me irritam são os tais de malabares. Fico uma vara quando mal o sinal fecha e surge um deles saído não sei de onde, acho que de um boeiro qualquer, feito um rato!...

E daí que você está ali, com pressa, irritado com o maldito sinal vermelho, e o "palhaço" vem com suas bugigangas ensebadas para fazer aquele teatrinho ridículo e insosso!

Será que eles acham mesmo que o que estão fazendo é algo digno de algum trocado?

Pô, se eu não pago para ir em circo ver autênticos e geniais malabaristas, não é em frente um semáforo que eu vou me dispor à isso!

Pelo andar da carruagem, em breve vamos ver não só malabares nos sinais, mas também equilibristas nos fios elétricos e trapezistas balançando no cano do semáforo!.... Mas uma coisa, não se pode negar: que os caras são mágicos, ah, isso eles são, pois aqueles trocados que reservamos religiosamente para a Zona Azul, os fiadamãe tem a manha de nos surrupiar!...

Tenho a certeza que circo algum desse País de espertos e vagabundos admitiria esses sujeitos incômodos em seus quadros - seria ótimo, pois arrumariam emprego, mas, convenhamos: o que eles fazem é medíocre, sem graça, incômodo, e mais velho que andar para a frente! Pensando bem, acho que nem para mico de circo eles servem!... Os caras simplesmente não não entretém e não acrescentam nada!

Tenho tanta birra desses "artistas" de rua, que mal vejo um na frente do meu carro, me vem um certo instinto assassino, aquele mesmo desejo mórbido do personagem do conto "Passeio Noturno" do Rubens Fonseca, ou seja, o de acelerar o carro e atropelar o infeliz! Dá licença, meu!

É brincadeira, galera, mas eu, realmente, não gosto desse tipo de "serviço" nas ruas, que mais me parece coisa de mendicidade! Como não se bastasse essa legião de mendigos pelas ruas, e vem mais essas caras mendigar uma moedinhas!

Alô, circo Le Soleil, vamos dar uma chance para essa gente!...
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