domingo, 13 de maio de 2018

ROCK, GAROA E QUEBRA-PAUS!


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São Paulo, "Terra da Garoa"!
Apesar de todo o crescimento da capital São Paulo, apesar de todo o desmatamento geral, apesar de toda a poluição, apesar da severa alteração microclimática, apesar de todas as “ilhas de calor” da megalópole, e, enfim, apesar de toda a selva de concreto que se tornou a maior cidade da América Latina, o secular e famoso fenômeno paulistano cantado em mil versos de poetas e letras de compositores, a querida garoa de São Paulo ainda existe, ou subsiste! Meninos eu vi!

Me encontrei com a ela por duas vezes em São Paulo.

O Monsters of Rock em 2 de setembro de 1995, estádio do Pacaembu

A primeira foi em 2 de setembro de 1995 ─ inverno, portanto, quando fui assistir ao Monster of Rock, no Estádio do Pacaembu, no que tive a oportunidade de ver meu grande ídolo Alice Cooper, retornando novamente ao país após 21 anos. Pagamos ─ até hoje eu não acredito ─, a bagatela de R$ 20,00 na arquibancada! Vale lembrar que havia um enorme receio de se fazer esse evento, pois, dias antes, as torcidas do São Paulo e do Palmeiras haviam promovido o maior quebra-pau no estádio. Desse modo, bebidas foram proibidas no show, e muita gente quis brigar devido à essa proibição!... Mas, deixemos de enrolação, e vamos à garoa, então. Lá pelo meio do show, do nada, surgiu um imenso borrifo de água do céu, um lençol de gotículas que 
desceu sobre nós lentamente ─ não era cerração nem chuvisco, mas um meio termo, algo incrível que surgiu e baixou discretamente sobre as 45 mil pessoas que curtiam esta excelente 
Alice Cooper no M onsters!

noitada rockeira! E o tal borrifo, que chegava a molhar a pele, era frio pacas. Falei para meu amigo: “Paulão, será que é a tal da famosa garoa de São Paulo?!”. Ele respondeu: “Mas, Cobra, isto ainda existe em São Paulo, apesar de tudo?!” O que eu sei dizer é que ficamos abestalhados, e, em meio àquela friagem úmida, surgiu um sujeito também do nada ─ como que caindo do céu também ─ a vender capas plásticas! Não pensamos duas vezes em comprar uma!... 
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O Cartaz do show.

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A lanchonete do sósia do Kajuru
A segunda vez foi recente ─ há uns três anos ─ quando fui trabalhar em São Paulo. Uma certa noite, estava eu a tomar cerveja parado na porta eu numa lanchonete em frente ao Centro Operacional do Metrô, na avenida Vergueiro, um lugar por onde passam muitos estudante de Direito. O engraçado é que ─ não deu para não notar ─ o dono do estabelecimento era a cara do  locutor esportivo Jorge Kajuru (o original ─ vejam só!: sujeito que nasceu um dia antes de mim...). E, eu ali, bebericando e me deleitando com aquele desfile de uma legião de belíssimas mulheres que só São Paulo tem, todas saindo das aulas e muitas parando nas lanchonetes que há ao longo da avenida. 

Vale lembrar novamente, que a cerveja que não pude beber no Monster ─ proibiram cerveja no show!... ─, descontei nesse dia nesta lanchonete!... Eis que, de repente, vem uma umidade com a brisa e eu estranhei aquilo; olhei para cima e lá estava a danada!


O locutor esportivo Jorge Kajuru
Mirando a luz do poste acima, pude ver novamente o tal borrifo, que feito uma água espargida por um spray, passava com um lençol esvoaçando com a brisa. Fui até o caixa e perguntei para o xará do famoso locutor esportivo:

“Ô, Kajuru, por acaso esta cerração que chegou agora é a tal da famosa garoa de São Paulo?” 

Ele riu do “Kajuru” e disse: 

“Até você me acha parecido com o maldito locutor?! Mas, sim, amigo, é a velha garoa mesmo ─ ela não desapareceu!”.

No primeiro caso, se houve, porém, um “demônio da garoa” naquela noite, esse cara não foi o monstro das trevas Ozzy Osbourne, mas o Alice Cooper, que tocou antes e fez o maior quebra-pau no palco durante a música “Street Fight”, mas, mesmo assim, a plateia não pegou fogo a contento, que faltou cerveja e sobrou garoa fria!... Quanto ao Kajuru da lanchonete, não sei se ele e ainda está lá, enquanto o da TV sumiu de vez, depois que um lutador de boxe quase lhe quebrou a cara na TV ao vivo; mas, e quanto à velha garoa que versejara o poeta Mário de Andrade, repito: meninos eu vi! E 45 mil rockeiros também!...
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