sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

AS REINAÇÕES FUTEBOLÍSTICAS DO PAULINHO SUJEIRA

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Apesar de, atualmente, “saber de carteirinha” quem era este rapaz, não vou dar aqui dando o seu nome verdadeiro – não se faz necessário – mas vou recordar uma das reinações que ele aprontou, reinação esta que justificava o curioso apelido, muito apropriado por sinal: Paulinho Sujeira (foto). E tanto justificava que somente esta historiazinha que agora narrarei bastará para evidenciar o tipo de pessoa que ele encarnava, bem como uma das intenções incomuns que iam-lhe pela cabeça. Recordando o episódio novamente, sou capaz ainda hoje de imaginar a cara maquiavélica do Paulinho Sujeira, esfregando seus dedos enclavinhados, os ombros erguidos, e gargalhando como um perdido, todo orgulhoso de suas “façanhas”...


Foi no ano da graça de 1972. Desgraças também, como se verá... Local: estádio Joel Fachini, mais precisamente nas escadarias de sua belíssima arquibancada – aquela maravilha de rara arquitetura, que algum insensato mandou demolir ao invés de restaurar – a “picareta do progresso” do ararense não falha nunca!...


Nestes bons tempos, formávamos um grupo de crianças, todos com cerca de uma década de existência, e todos, sem distinção, completamente loucos por futebol. Éramos meninos puros e ingênuos, crianças que, até então, acreditavam piamente no chamado “leite da bondade humana”, e essa foi a nossa desgraça neste malfadado dia.


Todos os sábados de manhã, nos reuníamos no “Comercial” para treinar no então time infantil, o “Dente de Leite”. Nesta ocasião a que me refiro, um sábado, o desmiolado do técnico cometeu a imperdoável imprudência de esquecer a chave do vestiário alternativo que fazia fundos com as quadras da escola Cesário Coimbra (antes não esquecesse...). E para piorar, o uso do vestiário subterrâneo nos era vetado.


Mas, caramba, onde então iríamos nos trocar?! O técnico, após tentar abrir bestamente a porta do vestiário usando um canivete fornecido pelo juiz, sugeriu, pior, ordenou que usássemos as escadarias da arquibancada e, todos, puros e ingênuos, assim o fizemos...


Uma vez uniformizados, todos, sem exceção, orgulhosos de nossas camisas e chuteiras, descemos a escadaria e entramos finalmente no palco da peleja. Eu, todo feliz, estava estreando uma ultra-anatômica e macia chuteira Stadium de cravo-de-rosca que ganhei de meu pai. E estava orgulhoso, pois ia jogar como ponta direita e usando a camisa 9, camisa que eu fazia questão de usar pois era o mesmo número usado pelo meu ídolo do futebol na época, o não menos danado “Cezar Maluco” do Palmeiras (foto) – o timaço do grande “Divino” Ademir da Guia, a saudosa equipe do periquito verde – “porco” uma ova!


Uma lacuna aqui: a verdadeira peleja, como se verá, foi acontecer realmente – e em sua mais fiel tradução – lá nos recessos silenciosos da arquibancada, onde não havia um torcedor ou olheiro sequer, ou, pelo menos, se acreditava que não... Por esta altura, seria oportuno perguntar pelo tal do Paulinho Sujeira, e onde é que ele entra na história, mas já vou adiantando que dentre os pequenos desportistas, nenhum viu sequer a sombra dele por lá (antes o tivessem visto...)


A partida correu à mil maravilhas, acabando em empate, fato que se não alegrou ninguém, também não magoou. A mágoa mesmo os meninos só travariam contato com ela no retorno ao improvisado vestiário...


E o juiz soou o derradeiro apito. O sol já ia alto e muito quente e o melhor mesmo era deixar as intenções de um joguinho de “rêba” para outro dia e retornar à arquibancada, pegar a roupa e partir para uma ducha refrescante no vestiário, mas... caramba, o técnico havia esquecido a chave!


Pobres garotos, mal sabiam eles que este detalhe viria a ser um mal menor...


O que eu sei dizer é que quando os 22 futuros aspirantes ao juvenil, mais o infeliz do técnico, o juiz e um olheiro subiram a escadaria, não acreditaram com o que se depararam lá nos recessos da então silenciosa arquibancada - cena estarrecedora, a que se viu ali: dizer que aquele monte de roupas reunidas na arquibancada mais parecia uma banca de feirão em fim de expediente, seria fazer uma comparação mais que imperfeita.


O caseiro – o homem que cuidava do estádio –, que por aquelas horas havia se aproximado após ouvir o rebuliço que se instalou entre a molecada, disse que viu por entre a balaustrada da arquibancada um sujeito em atitude suspeita. Disse ainda saber de quem se tratava e bem conhecia sua fama, mas não lhe passou pela cabeça que ele estivesse sozinho ali (antes lhe passasse...)


Quando ele pronunciou o nome do tal sujeito, houve uma comoção entre os adultos, que se entreolharam com cara de desconsolo: era nada mais, nada menos que o terrível Paulinho Sujeira!...

A arquibanca do Comercial Futebol Clube em 1948


Não houve dúvida de que era ele mesmo o responsável por aquilo. E, vale dizer, o homem estava inspirado este dia... O danado teve a manha de reunir todas as roupas e outros objetos diversos, e, peça à peça, fazer uma maçaroca gigantesca com tudo! Nem mesmo os calçados, cintos e bonés escaparam de suas “urdiduras”. Deu nós-cegos nas pernas de calças, tomou fivelas de sapatos e tramou-as com alças de chinelos. Passou cadarços de tênis e botas por ilhoses de bonés e furos de cintos, e depois amarrou uma dezena de vezes – fez o diabo! Fez mais: aproveitou os pequenos rasgos de algumas calças e camisas, ou o furo de alguns tênis, tomou o laço da gola de uma camiseta, mais correntinhas, colares e penduricalhos, e improvisou cerzimentos sem conta. Fez mais ainda: pegou algumas daquelas velhas mochilas de napa e, de suas alças de cordonê, completou a urdidura reamarrando tudo o que já estava amarrado! O que eu sei dizer, caro leitores, é que não se vê com tanta freqüência emaranhados assim nem mesmo naquelas tranqueiras de galhos e cipós que se reúnem nas árvores baixas de curva de rio após as grandes enchentes do rio Mogi...


E quem disse que menino de 10 anos não chora por besteira? O berreiro que se abriu ali pelas escadarias causava pena, e a coisa só não pareceu um verdadeiro velório, por que dentre as lamúrias e choramingas soluçantes da meninada, se distinguia claramente uma enxurrada de palavrões da pior espécie, todo invariavelmente proferidos em memória do danado do Paulinho Sujeira. Suas orelhas devem ter queimado a valer neste dia.


Desenredar as infinitas tramas que ele urdiu é que foi elas – um imbróglio que cristão algum neste planeta seria capaz de desvencilhar. O canivete que o juiz trazia consigo teve
enfim alguma serventia, e acabou entrando em cena (ao menos isto...) Quanto ao esquecido, digo, o felizardo do técnico, o espertão, para variar, viera ao treino de carro já trajando sua roupa esporte... E se você prestasse bem atenção na fisionomia do “fiadamãe”, iria sugerir aos meninos que lhe destinassem um pouco de palavrões que praguejavam, por que, por dentro, o disgramado parecia rir a valer. Que ele merecia isso, ah, isso ele merecia! Quando vi muitas das peças de roupa e calçados destruídos em sem remédio, tive mesmo vontade de dizer: Molecada, manda a conta lá para a casa do fiadamãe desse técnico!


A propósito, um escritor ararense, o mestre Emílio Wolff, escreveu que, por volta dos anos 40, era comum entre as crianças que nadavam nos poços que existiam nas margens do Ribeirão das Furnas, “um deles sair das águas e, às escondidas, dar nós-cegos em todas as peças de roupa – o tradicional biscoito.” Este texto veio explicar que, em questões de tradições, o danado do Paulinho estava em dia e levava a bandeira adiante... Na foto, uma tarde de domingo no estádio Joel Fachini na década de 1950.


Caros leitores, este que vos escreve, falando assim parece que não foi vítima do Paulinho, não é? Eu não fui mesmo, e vocês vão ver o por quê.


Pois bem: justamente neste dia mais em que o Paulinho tramou uma das suas, por insistência de minha sábia avó materna, saí da casa dela trajado com o próprio uniforme de jogo e não levei uma muda de roupa...


Enfim, o que restou destes episódios futebolísticos foram as lembranças daquela saudosa década: o Paulinho Sujeira reinando nas arquibancadas e o César Maluco no palco dos gramados. E eu, por minha vez, após voltar a morar na cidade, me desiludi ao tentar integrar o time da A. A. A., e pendurei as chuteiras de vez me jogando de cabeça no mundo da música, porém,
infelizmente, não rezei pela sábia cartilha dos Novos Baianos, músicos que pregavam a união da música e do futebol.


Ah, antes que eu me esqueça: A benção, vó Ana!

.Negrito

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

HUMOR À FRANCESA, BÊTE ET MÈCHANT

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Criação: V-Newton

O sr. Veneranda chega ao portão da casa do Sr. V-Newton e toca a campainha. O sr. V-Newton atende:
– Bom dia, o sr. V– Newton está?
– Não sei, pergunte para mim.
– Espera aí, veja se eu entendi bem: o sr. V-Newton já chegou?
– A propósito, o sr. está falando comigo, sr. Veneranda?
– Oras, eu ignorava que o sr. sabia meu nome. De onde me conhece?
– Nunca vi mais gordo...
– Insisto, sr. V-Newton, o sr. está se referindo a mim?
– Não sei, pergunte para mim e responde, sr. Veneranda.
– Espere, vou tocar a campainha novamente.
– Um momento – parece que eu ouvi a voz dele atendendo o portão.
– Quem, o sr. V-Newton?
– Pode ser ele mesmo, mas, espera aí, sr. Veneranda: o que o sr. veio fazer aqui?
– Oras, eu combinei com o sr. de vir ligar esta campainha que não funciona?!
– Oras. Sr. Veneranda, eu estou entendendo tudo perfeitamente, mas vamos começar tudo de novo.

O sr. V-Newton vai para a rua, e o sr. Veneranda entra pra dentro da casa e novamente toca a campainha:
– Bom dia, sr. Veneranda, o sr. V-Newton está?
– O sr. está se dirigindo a mim, sr. Veneranda?
– Não sei, ligue lá para confirmar.
– Ligar onde?
– Oras, sr. Veneranda, ligue a campainha!
– Oh, me desculpe a vergonha que eu passei, mas... eu acabei de tocá-la e o sr. atendeu!
– Quem, eu?!
– Desnecessário dizer...
– Mas como eu poderia tocar a campainha, se é você que está do lado de fora?!
– Oras, o sr. ainda nem foi ver se o sr. V-Newton está em casa!
– Oh, sim, eu estou querendo ligar para ele, mas o sr. não deixa!
– Ligar o telefone?
– Não, a campainha!
– Olha, eu...
– Mas, afinal, o que o sr. faz, sr. Veneranda?!
– Eu trabalho na Telefônica.
– Mas eu não tenho telefone!
– Oras, mas eu vim arrumar a campainha – estou atendendo uma visita no portão. Mais tarde eu te contato.
– Com o telefone?
– Não, com a campainha!
– Oras, como o sr. pode me chamar se a campainha não funciona?!
– Tá bom, tá bom, então me telefone mais tarde!
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domingo, 24 de janeiro de 2010

AS DUAS VISITAS DE D. PEDRO II À ARARAS

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Para quem acha que o Lula anda viajando muito, é melhor ler esta antiga história. A escritora Lilian Moritz Schwarcz, em seu livro As barbas do Imperador – D. Pedro II, um monarca nos trópicos (1998), escreveu a respeito do Imperador: “Diz Lyra que ‘os reis são grandes passeadores’. D. Pedro não fugia à regra”. O fato é esquecido ou ignorado pela maioria dos cidadãos ararenses, mas dentre as diversas visitas que o monarca fizera à nossa região, Araras esteve por duas vezes em seu roteiro: a primeira, em setembro de 1878, e a seguinte, em maio de 1887.

No livro Rio Claro Sesquicentenária lançado pelo Museu Histórico e Pedagógico “Amador Bueno da Veiga” de Rio Claro em 1978, encontra-se a informação de que o D. Pedro II, em companhia da Imperatriz Thereza Christina, visitou Rio Claro pela primeira vez em setembro de 1878 com o propósito de conhecer o ramal férreo da Cia. Paulista de Campinas a Rio Claro, inaugurado em agosto de 1876. Em outro trecho diz:

“As nove horas da manhã, SS. Majestades, após um lauto desjejum, seguiram viagem no trem imperial para a cidade de Araras, com a promessa de D. Pedro de aqui voltar, pois, conforme declarou, foi muito bem recebido e tratado em São João do Rio Claro”.

Era o dia 21 de setembro, ocasião em que o Barão de Araraquara, José Estanislau de Oliveira, foi condecorado com o título de Visconde de Rio Claro. O Imperador vinha para a região após ter participado da Exposição Internacional da Philadelphia em 25 de junho 1876. Dois meses depois, em novembro de 1876, o “grande passeador” viajava em visita ao Líbano, a Síria e a Palestina. No ano anterior, em 20 de agosto de 1875, ele participou da inauguração do trecho de ferrovia que ligou Jaguariúna à Mogi Mirim.

A segunda visita de D. Pedro II à Araras se deu em 7 de maio de 1887. Foi quando Bento de Lacerda Guimarães e se irmão José receberam os títulos por decreto imperial de Barão de Araras e Barão de Arari, respectivamente. Nesta mesma data, Joaquim Egídio De Sousa Aranha, que era presidente da Cia. Paulista, construtor da Estrada de Ferro Jundiaí a Campinas foi também condecorado, recebendo a comenda de Marquês de Três Rios, e ainda condecorado com a Grã-Cruz da Imperial Ordem de Cristo. Foi rico proprietário urbano e rural, e destacando-se a fazenda Santa Gertrudes, no município de Rio Claro, mas não há informaçõe se ele foi condecorado em Araras ou Santa Gertrudes. Sabe-se que D. Pedro, no final de outubro do ano anterior, esteve na região visitando Limeira, quando se hospedara no palacete da fazenda Morro Azul, propriedade do senhor Rodrigo Brandão.

Para enfatizar os estreitos laços que o monarca tinha com algumas famílias de fazendeiros ararenses, relembro que em sua última passagem por São Paulo, em 1887, D. Pedro II fez questão de visitar em seu palacete a matriarca Da. Veridiana Valéria da Silva Prado, proprietária em Araras das fazendas Campo Alto e Engenho Velho.

Cita-se que após a inauguração da Igreja Matriz “Nossa Senhora do Patrocínio”, em janeiro de 1881, sua importância e a repercussão foi tamanha que Dom Pedro II aproveitou para conhecê-la. O prédio é uma réplica exata da Igreja de São João de Latrão, de Roma. Cita-se também que, a pedido de seu filho, o Barão de Araras aproveitou essa visita de D. Pedro II para libertar seus escravos.

À época dessa visita à Araras, o Imperador estava com 62 anos e doente de anemia – “parecia um velho consumido, marcado por rugas profundas, um olhar perdido e a imensa barba branca”. Após esta visita à nossa cidade, ele partiu para a Europa em 30 de junho para cuidar da saúde debilitada.

O professor Vicente Ferreira dos Santos, em sua coluna Cigalhos publicada na Tribuna do Povo, foi o historiador que mais escreveu sobre esta segunda visita, porém, estranhamente, disse estar presente no evento que ocorrera doze anos antes de ele ter nascido (1898) e mais, cita (com detalhes!) que não só viu a Imperatriz como também beijou sua mão... Nos seis textos seus publicados que usei para compor esta reportagem, além das inverdades, Vicente também se equivocou nas datas.

Em 6 de fevereiro de 1956, o jornal Semanário de Araras entrevistou um cidadão ararense que realmente presenciou a segunda visita do Imperador à Araras – o senhor João Antonio Eliseu –, nascido em 25 de janeiro de 1875. Também equivocado na data, citou que a visita se deu na mansão de Bento Lacerda de Guimarães, que se tornaria o futuro Palácio Hotel, hoje Banco Itaú.

Ele escreveu:

“Vi D. Pedro II, quando da sua visita à nossa terra, isto em 1885 mais ou menos. O Imperador veio de trem, sendo recebido na estação da Cia. Paulista de nossa cidade pelo Cel. Justiniano, que para servir a nobre visita mandou vir um carro tipo Cupê, todo de vidro, bem como uma parelha de cavalos argentinos, que transportou o imperador através de nossa cidade, indo parar no Palácio Hotel para o almoço, e em seguida levou-o à Fazenda São Joaquim, de propriedade do referido Cel.”

Disse ainda que o cocheiro foi o senhor José (Juca) Pinto, e complementou:

“Foi uma festa e tanto, que naquele tempo foi a que mais gente reuniu em nossa terra.”

Lilian Schwarcz também diz que

“Com D. Pedro II viajavam, também, os rituais monárquicos e alguns cerimoniais: disposições e provinciais para a chegada do soberano a diferentes cidades, as recepções grandiloqüentes em seu retorno à corte; nestas, os moradores eram instruídos a iluminar a frente de suas casas e a orná-las com tapeçarias, ao mesmo tempo que as ruas pelas quais passasse o cortejo imperial deveriam ser areadas e juncadas de folhas e flores”.

Nestas visitas era costume também hastear

“bandeiras, missa e te-deum, bandas de música, repique de sinos e lencinhos de cambaria agitados no ar. (...) Gastava-se muito dinheiro nessas ocasiões. Costumavam-se construir palanques, decorar toda a cidade, assim como se comunicava com antecedência a roupa apropriada para as recepções”.

Ainda segundo Vicente Ferreira dos Santos, a estrada por onde o monarca passou quando se dirigiu à Araras (ao que parece, na segunda visita), ficou conhecida na época como Estrada do Imperador. Ela partia da fazenda Remanso – onde ele se hospedara – passava pela fazenda Paineiras, e ao entrar no bairro do Facão, ia ladeando a estrada de ferro até chegar à estação, por onde seguia pela atual avenida Washington Luís indo desembocar no entroncamento das atuais ruas Liberdade e Nunes Machado, por onde tinha acesso ao centro da cidade. Portanto, quem passa atualmente pela avenida Limeira (“estrada do Facão”), está se deslocando por esta via onde o Imperador com sua carruagem real e a guarda de honra passaram há mais de um século atrás. A fazenda Remanso, à época, pertencia ao político Bento Francisco de Paula Souza, por sinal, então deputado na Assembléia Legislativa.

Mapa por Wenilton Daltro

Já o historiador Nelson Martins de Almeida citou que o Imperador, quando de sua visita, plantou uma palmeira-real (Roystonea oleracea) na fazenda Montevidéu, mas não especificou a data do feito. Esta palmeira, da qual restou o tronco, fui fulminada por um raio anos atrás. Como se sabe, todas as palmeiras-reais distribuídas pelo país que no século XIX vieram ornar as fazendas do baronato do café, são filhas das palmeiras-reais do Jardim Botânico do Rio de Janeiro criado por D. João VI, palmeiras estas biopirateadas à mando deste monarca, que incumbiu um oficial da Real Armada Portuguesa de “subtrair” 20 caixotes do Jardim de la Pamplemousse, situado nas Ilhas Maurício, jardim criado por franceses.

D. Pedro II e a Imperatriz Tereza Cristina ainda estiveram outras vezes na região: em 1877, ou 1878, segundo outra fonte, o monarca visitou Pirassununga, quiça na mesma data em que esteve em Araras; anos depois, em 31 de outubro de 1886, fizera uma rápida visita à Descalvado, e em 7 de novembro domesmoano retornara novamente à Rio Claro, donde partiu para São Carlos do Pinhal (na foto, na citada data, D. Pedro II em Rio Claro, o 3º à esquerda). Nesta ocasião, São Carlos recebia festivamente em trem especial, o Imperador, o Marquês de Paranaguá e o Conde do Pinhal, que para lá partiram, os três sentados em bancos sobre o limpa-trilhos do trem.

É possível que no diário que o Imperador escreveu – lançado pela Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro – sejam encontrados mais dados sobre estas viagens empreendidas à nossa cidade, bem como hajam fotos em seu acervo particular. Também, uma consulta mais atenta às atas da Câmara Municipal desse período, bem como aos arquivos da fazenda São Joaquim, onde ele esteve hospedado, talvez revelem outros pormenores.


BIBLIOGRAFIA (23 fontes, consultar o autor)

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sábado, 28 de novembro de 2009

A KAPSA "PINTA VERMELHA", UMA GRANDE MÁQUINA FOTOGRÁFICA!

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Um belo dia, eu, menino, estava na sala de espera de um dentista, e folheando uma revista encontrei uma interessante reportagem sobre como fotografar o céu noturno estrelado. Louco que era por assuntos astronômicos e fotográficos, não pensei duas vezes em arrancar secretamente a reportagem da revista. Iniciava-se aí um hábito que me acompanha até hoje: “roubar” reportagens de revistas de consultório... Mas, voltando ao assunto, a reportagem dizia que, para se fotografar o céu noturno, uma máquina popular e barata como a Kapsa, que ainda era encontrada no mercado, seria a ideal, uma vez que ela possui o dispositivo para se fazer fotos com longas exposições, em “pose” e sem o uso de flash. Popularmente, ela era conhecida como “caixão de abelhas”...

Quanto à reportagem sobre como se fotografar o céu, apesar de eu ser cuidadoso e guardar até hoje muitas das coisas que influenciaram a história de minha vida, infelizmente ela se perdeu e pouca recordação tenha dela, mas lembro-me de uma foto que mostrava o traçado que as estrelas deixam no céu em seu movimento aparente, para ser mais preciso, era uma foto da estrela Polar com as estrelas girando em torno dela numa longa exposição de tempo.

Clique no folheto para vê-lo em tamanho melhor.

Como o meu amigo Osvaldo Tesche tinha uma máquina dessas, mostrei a reportagem à ele e sugeri de fazermos umas fotos noturnas do céu e ele topou. Comprei um filme preto e branco de 400 ASA, Trix-X Pan profissional e, numa certa noite, fui até a casa dele, e na colônia de cima, no quintal da escola e no campo em frente a venda, fizemos vários fotos. O problema é que além de não termos sido bem sucedidos, algumas fotos se perderam. Por outro lado, um novo campo fotográfico era aberto para nossas instigantes experiências com fotos noturnas. E esse foi o exato momento em que surgiu meu interesse definitivo pela fotografia, momentos daqueles que constituem um dos mais marcantes episódios de minha vida. Assim, aos 13 anos, fiz minhas primeiras fotos do céu noturno com essa Kapsa “pinta vermelha”.

A partir desta data, tanto eu quanto o Tesche, o Marcelo Aragão, meu irmão Weber, e mais tarde dois primos na cidade, fizemos muitas fotos com a Kapsa, e grande parte delas eram fotos experimentais, com sobreposição de chapas, pincéis de luz, fogos de artifício, chispas de Bombril incendiado, e até mesmo o desafio de se escrever na chapa com a luz da lua! Ia me esquecendo que, depois que mudei para a cidade, me apoderei de uma pertencente à um amigo que havia dado um sumiço numa monareta minha.... (na ilustração, anúncio de 1958; notar o flash).

Fazer fotos do céu noturno com a Kapsa não era brincadeira – devido ao fato de o visor desta máquina ser pelo sistema de espelhos (viewfinder). À noite, era praticamente impossível mirar imagens com pouca luz, e as estrelas não se podia vê-las, ao contrário da lua, que já na fase nova era visualizada. Desse modo, fotografando-se em pé, tínhamos que colocar ela apoiada na barriga e ver a cena de cima através do pequeno visor. Fotos noturnas com exposição de tempo nem pensar sem tripé ou apoio num substrato qualquer. No entanto, em seus disparador ele tinha uma rosca onde se podia encaixar um cabo extensor, de modo a não interferir na máquina na hora do disparo. Nestas horas, fotos tremidas eram comuns...Em muitos casos, devida à péssimas condições de iluminação, tínhamos que fazer mira no chutômetro. Fotografei por anos a fio com a Kapsa, mas com a compra de uma máquina digital em 2007, a minha velha Kapsa, assim como a minha Olympus Trip 35 (foto), estão curtindo uma merecida e definitiva aposentadoria. Na foto acima, a constelação de Órion, feita por mim e o amigo Osvaldo Tesche em 14-11-1974.; tempo de exposição 15 minutos, das 21:45 às 22:00 hs; notar a antena no lado direito.

Convém ressaltar que a Kapsa, que surgiu nos anos 50, tinha dois recursos interessantes e, que eu saiba, recursos não existentes em qualquer máquina digital moderna, como o de exposição de tempo infinita com o obturador aberto, além de ser possível se fotografar mais de uma vez na mesma chapa, o que permitia fazer fotos fantásticas com sobre-exposição. Normalmente, era, feitas 16 fotos no tamanho 4,5 x 6 cm, mas ela tinha um recurso incrível em sua parte interna que permitia se fazer uma única foto em dois negativos; assim, era possível se fazer 6 poses no tamanho 6 x 9 cm. Para se fazer estas fotos, também era necessário remover uma chapinha no visor para que ele ficasse nesse padrão de imagem. Desse, modo, não era necessário fazer ampliação da foto na hora da revelação, pois o negativo já possuía um bom tamanho.

Seus ajustes de abertura do diafragma eram manuais, e contava com apenas 3 ajustes (F22, F16 e F11). As velocidades de disparo eram apenas duas: 1/100 e "B" (nesta opção o obturador fica aberto enquanto se mantém o disparador pressionado). Além da Pinta Vermelha, existia a Pinta Verde e Azul, que se tratavam de modelos mais simplificados. Sua lente era uma Vascromat 110 mm, e a regulagem de distância eram 1-2, 2-8, 8 metros e Infinito. Era uma máquina simples e resistentes, feita de baquelite, trabalhando com filme 120, como o Agfa, de preço até hoje muito acessível.

Negativo 120

A fabricante da Kapsa era uma indústria ótica brasileira, a D. F. Vasconcelos, empresa ainda existente, que iniciou suas atividades em 1941 na cidade de São Paulo, com a fabricação de telêmetros de depressão para Artilharia de Costa, encomendados pelo Exército Brasileiro. Era também fabricante de teodolitos, microscópios e binóculos, sendo que a Kapsa foi a primeira máquina fotográfica nacional do tipo caixão – um grande sucesso tecnológico inspirada na velha Kodak, surgida no início do século, cujo modelo durou até os idos de 1950. E quantos fotógrafos deste país não tiveram seus primeiros rudimentos em fotografia estreando com uma velha Kapsa?

"The winter-sky star trail over the vast Khoor salt lake in Iran". Notar o movimento aparente das estrelas. Foto de Ehsan Sanael Ardakani.

Vale lembrar que a D. F. Vasconcelos foi a construtora do famoso brinquedo Polyopticon (fotos abaixo), lançado por volta de 1974, com o qual se montava lunetas, microscópios, binóculos, etc., brinquedo que, por sinal, eu tive o prazer de conhecer e brincar, uma vez que o meu amigo Sylvio Baggio possuía um. Aliás, o Tesche também tem desta marca um pequeno binóculo 3 x 40 que é uma relíquia (anúncio abaixo, década de 1970). Enfim, vale lembrar que a maioria das fotos noturnas da Usina Palmeiras da década de 1970 foram feitas com ela.

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sábado, 14 de novembro de 2009

MINHAS NOVAS FRASES DE HUMOR

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ATINAÇÕES

O aniversário de Jesus é a única festa de aniversário em que não se vê velas e bolo. Em compensação, que glutonaria e beberrância!

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NÃO CONFUNDA

Não confunda o óbvio ululante com o Lula, obviamente.

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ATINAÇÕES

Tirem a palavra “adrenalina” da boca dos praticantes de esportes radicais e eles não terão mais assunto.

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HONRA AO MÉRITO

Frequentemente, levamos um cão à categoria de gente. Mais frequentemente ainda, levamos gente à categoria de “cachorros”...

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RELATIVIDADE

O que o Pelé fazia na época ninguém fazia – foi gênio e pioneiro em sua arte. Agora, o que os Ronaldinhos e Maradonas da vida fizeram, um monte de mané faz por aí: sair com travecos e cheirar cocaína, por exemplo.

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PASSARINHANDO

“Dois bicudos não se beijam”. Nem bicudo, nem curió, nem azulão, mesmo porque eles não tem lábios.

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UM SABIÁ CONTOU...

A frase que os mudos mais detestam ouvir, e a que eles mais queriam falar: “Não coloque estas palavras em minha boca!”

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RELATIVIDADE II

O Pelé está para o Vitasay, assim como o Maradona está para a cocaína.

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COMO DIRIA O RICARDÃO

“– Usou vestidinho e não é botijão-de-gás, usou sainha e não é liquidificador, tô comendo!”

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EFEITO GOODYEAR

É mais que o Tácito, é o Tácito em turno, é o taciturno.

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ATINAÇÕES

TV Aberta: instrumento para entretenimento de cabeças fechadas.

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DATILOGRAFIA EM TEMPOS DE INFORMÁTICA

Eu tenho ódio de digitar sem querer “voc~e”, e você?

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COMIGO NÃO!

Dos quatro elementos existentes: terra, ar, água e fogo, eu bebo, como, cheiro e engulo todos, com exceção deste último, que eu deixo para o Gene Simmons do Kiss engolir.

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PARA BOM ENTENDEDOR

Maldito o que não vem em nome do Senhor. Osama nas profundas.

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ATINAÇÕES

O verdadeiro problema desses que gostam de bancar os bonzões da natação e atravessar rios sozinhos, não é o fato de eles terem cãibra e morrerem afogados, mas sim o trampo desgraçado que um infeliz deste vão dar para os bombeiros encontrá-lo.

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CANTADAS EM TEMPOS DE SUSTENTABILIDADE

– Sabe, você não é de se jogar fora, mas se alguém fizer isso com você, eu a recolho e reciclo para mim...

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DESDITADOS

Mais vale um dente de leite na boca, que um dente de ouro na mão.

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ATINAÇÕES

Meu cotidiano é duro: tenho de tomar um Mate Leão por dia!

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AVASSALADOR

Baby, hímem complacente faz mal a saúde, e eu tenho o remédio...

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AOS MODOS DE ROBERT FROST

O anonimato rende-nos bons vizinhos.

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POEMETO SUJO

Puta cara cara-de-pau!
Puta cara filha-da-puta!
Puta filha cara-de-pau!
Puta filha cara de puta!

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DIGA RÁPIDA, REPETIDAMENTE E SEM ENROLARAR A LÍNGUA

Além da lenda.

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DIGA RÁPIDA E REPETIDAMENTE, E SEM BABAR

Chinelo chileno.

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ATINAÇÕES

O exibicionista não é responsável pelo voyeurista que cativa.

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CONVERSINHAS INFAMES

– O infeliz arrastou o nome da família na lama!
– Que família?
– A família Barros...

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ATINAÇÕES

Na linguagem internetêz ninguém é homem com “H” maiúsculo.

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VAI ENCARAR?

Perante, mim, meus inimigos tem o direito de ir e vir: de ir para o quinto dos infernos e vir quente que eu estou fervendo.

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VOCÊ CONHECE A...

Susylei Áurea, vulgo abolicionista?

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PRÁ INGLÊS VER...

Certos psicólogos, só parecem entender os desajustes humanos da porta para dentro de seus consultórios. Na rua, no cotidiano, são iguais a todo mundo – sem piedade e compaixão –, julgando pela mesma ótica e lógica do senso comum.

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BOCAL

John Forget, do Creedence: voz elétrica, ardente, quentíssima – se acenderia uma lâmpada em sua boca.

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SANTUÁRIO ECOLÓGICO

Certa vez, decidi eleger a natureza – os campos, rios e matas – como meu templo, a única igreja realmente eu deveria freqüentar – o meu “santuário ecológico”. O problema é que, desde esta época, eu estou a pé (sem carro), e esse bendito santuário está cada vez mais raro e mais distante... A propósito, não escrevera a sábia Petra Kelly, do Partido Verde da Inglaterra: “Todos querem voltar para a natureza, mas ninguém quer ir a pé”... (V-Newton, 31-12-2005)

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ATINAÇÕES

O remorso é um pensamento que se ajoelhou.

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FAÇANHA

Ter ido à Guerra dos 100 anos e na ter matado ninguém.

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LOVE HISTORY

Um amigo chegou a ele e o advertiu:
– Cara, a fulana cuspiu no teu copo sem que você visse!
– Bom, meu véio, já que para ela isto é uma coisa tão nojenta e repugnante, fudido está o infeliz do namorado dela que tem que beijar essa boca imunda todo santo dia...

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FUTEBOL FORA DO XINGU

Índio quer apito. Mas não quer ficar na reserva.

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DESDITADO

Em terra de boi unicórnio, toureiro ciclope é rei.

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HUMOR NEGRO

- Você sabe qual a diferença entre um suicida ariano e os judeus do holocausto?
- Não.
- É que o suicida abre e gás e se mata sozinho, enquanto que os judeus morriam em turminha quando o gás era aberto.

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ESSAS CRIANÇAS...

- Vamos brincar de Noé!
- Vamos!
- Tá bom, eu sou Noé, você é uma anta e ele é uma toupeira...

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PONTO DE VISTA

- Você sabe o que o Ray Charles falou do Estevie Wonder?
- Não?
- “Não vejo nada neste cara!” E você sabe o que o Estevie Wonder respondeu?
- Não.
- “Será que esse cara não se enxerga!”
- !!

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GRANDE CHANCE DE CALAR A BOCA

Certa vez um corintiano ia passando por um campo de várzea e viu seu amigo palmeirense cuidando de um burro doente. Ele não pensou duas vezes:
-E aí, palmeirense, ensinando o burro a jogar bola?
-Sim, o burro é corintiano...

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CRAZY WORLD

Um louco diz para o outro:

-Todo dia eu sonho que saio do meu corpo, acordo, levanto e me coloco ao lado da cama para dar remédio para dormir para mim mesmo.
-E o que você faz?
-Oras, eu tomo o remédio e volto dormir.

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CONVERSINHAS INFAMES NO ALÉM

Raul Seixas:- Ei, Osório, eu fiz uma versão do teu hino!
Osório Duque de Estrada: - O que, como ousas bulir no Hino Nacional!
Raul Seixas: - Oras, Osório, é só um trechinho, ouve só.
Osório Duque de Estrada: - Está bom, está om, então cante esta versão.
Raul Seixas: - Ói, ói que céu, já não é o mesmo céu que você conheceu não é mais. Vê, ói que céu, é o teu formoso céu risonho e límpido que a imagem do cruzeiro resplandece...
Osório Duque de Estrada: - Não é possível!

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terça-feira, 27 de outubro de 2009

NOVAS FRASES DE HUMOR DO V-NEWTON!

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JAM SESSION NA CASABRANCA...

A Paula Jones levava a vida na flauta, até que ficou louca pelo saxofone (do Bill Clinton). Por fim, decidiu colocar a boca no trombone.

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DESDITADO

Maria mole e rapadura tanto bate e o dente fura.

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PONTO DE VISTA

Os tecnocratas usam blusa de couro de jacaré. Os ecologistas, camisetas da grife do jacarezinho.

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REFLEXÕES

Eu estava pensando em fazer um balanço da minha vida. Que besteira: minha vida já é uma montanha russa!

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ATINAÇÕES

Sim, dois e dois podem ser mais que quatro, desde que ambas as mulheres estejam grávidas de gêmeos.

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MONDO BIZARRE

Que tempos são estes em que há mais crimes adentrando as portas das prisões que pecados sussurrados nas grades dos confessionários?

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CAPACIDADE

Eu brinquei tanto em árvores quando criança, que, ainda hoje, eu subo em árvores brincando.

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ATINAÇÕES

A diferença entre a justiça e a vingança é que a justiça é pela frente e a vingança é pelas costas.

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SUTIS DIFERENÇAS

Uns inventam os pára-raios; outros, os seqüestros relâmpagos.

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MÁS NOVAS

O Vando lançou um disco: O “Uivando de Paixão”. Agora é a vez do Latino: “Latino pra Lua”.

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DO CIVILICO

Tava na peneira
Mas não tava peneirando
O sol com a peneira
É que eu tava tapando.

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ATINAÇÕES

Dislexia é o tipo de distúrbio que impede uma pessoa de escrever a palavra mirim ao contrário.

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SUGESTÕES MAQUIAVÉLICAS

Não tardará o dia em que extremistas usarão cães São Bernardo como animais-bomba. Será quando eles desfilarão entre as pessoas com barrilzinhos de pólvora no pescoço.

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ATINAÇÕES

Se a necessidade é a mãe da invenção, a serendipidade é mãe solteira.

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AOS MODOS DE MILLÔR

Uma vida inteira passada num cemitério não faz de um coveiro um médium que dialoga com os mortos.

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SUTIS DIFERENÇAS

Os grandes amores são cegos. Os grandes cornos são mansos.

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FRASES PARA O DIA-A-ADIA

Tão comum quanto trombada de ambulância com carro de auto-escola.

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MULHER MELANCIA

Esses sujeitos estúpidos que ditam a moda das modelos anoréxicas são os que menos entendem de mulheres. Pelo menos do modo como se espera que homens verdadeiros entendam de mulheres...

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ATINAÇÕES

O direito do riso da hiena termina onde começa o da lágrima do crocodilo.

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EFEITO GOODYEAR

É mais que um mico. É um mico-leão. É um leão pagando um mico para um mico-leão.

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NÃO CONFUNDA

Não confunda o critério da mulher do clima com a mulher que entrou em climatério.

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PRESTA ATENÇÃO!

Par o bo entend mei palav bast.

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ATINAÇÕES

Bom ateu é aquele que trabalha em feriado de dia santo.

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COMO DIRIA O SARNEY

Demagogia é eu acreditar em você. Nepotismo é você acreditar em mim.

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NÓIA

Como dizia a sopa de letrinhas ao esquizofrênico: “Decifra-me ou te devoro!”.

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ATINAÇÕES

Pé-de-galinha não mata pinto, mas que faz mulher pintar a cara, ah, isso faz!

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NÃO CONFUNDA

Não confunda o eco do urro do urso panda com o urro do urso em pandareco.

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DOCTA IGNORANCIA

O mundo é assim: sujeitos com cultura de almanaque de farmácia querendo emitir opiniões que nem médico com PhD se atreveria.

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CONVERSAS DE PORTUGUÊSA

Cá no Brasil me falaram de uma simpatia que para se fazer uma pessoa parar de roncar é só assoviar perto dela. Um dia, no início da madrugada, o Manoel pegou a roncar do meu lado, e eu resolvi testar a tal simpatia. Para minha alegria, ele parou! – a simpatia dá certo mesmo! Minutos depois ele voltou a roncar e novamente eu assoviei, e ele, vejam, novamente parou de roncar! Que maravilha esse povo brasileiro! E assim foi. O que eu sei dizer é que a hora em que eu dei por mim já tinha amanhecido, e eu ali, maravilhada ainda, entre um assovio e outro, não preguei o olho um minuto sequer vendo o Manoel parar de roncar cada vez que eu assoviava!

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ATINAÇÕES

É melhor ser bebedor social do que ser pingaiada, mas é melhor ser bebedor social que abstêmio.

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BARES DA VIDA

Como diria a loira gelada: – “Cerveja preta é a mãe!”

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COMO DIRIA O PORTUGUÊS

Mas, ô raios, por que será que nas transmissões televisivas de futebol eles colocam a câmera principal sempre do mesmo lado – aquele em que estamos assistindo o jogo?

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REPARE

A desordem alfabética do teclado.

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ATINAÇÕES

Omelete: ovo frito surrealista

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FRASES PARA O DIA-A-DIA

Esse aí é um daqueles que casaram em igreja de cemitério.

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CONVERSINHAS INFAMES

– João, você sabe como se limpa rã?
– Não.
– É simples: estando a rã agachada, depois que ela fizer cocô você pega papel higiênico e limpa o rabo dela...
– Ah, vai caçar sapo, seu panaca!

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NAMORO À ANTIGA

Mão na mão. Mão naquilo. Mão na cara.

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LEI MARIA DA PENHA

Antes de namorar reze uma vez. Depois de casar rezes três vezes. Depois de desquitar... continue rezando...

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EXTRA! EXTRA!

Papai Noel existe! Ou melhor, existia: encontraram seu cadáver calcinado na lareira.

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ATINAÇÕES

É menos pior ser compulsivo em sexo do que ser onanista inveterado, mas é menos pior ser onanista inveterado que ser broxa.

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CONVERSINHAS QUE NÃO SE OUVE POR AÍ

– Mas aonde foi que eu errei na criação desse menino?! Ô, pestinha!
– Eu sei onde você errou, mamãe, eu sei!
– Onde, menino, me diga: aonde?!
– No cálculo da tabelinha...

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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

CAREGIVER STRESS ou TODO AMOR E RESPEITO AOS CUIDADORES DE DOENTES

“Dar tudo a todos o tempo todo
é deixar nada para si mesmo.”
(Irvin D. Yalon e Ginny Elkin)

Poucos tem ciência disso, mas as pessoas encarregadas de cuidar de familiares idosos doentes e incapacitados – os chamados cuidadores –, por seu dedicado e estafante trabalho de melhorar suas qualidades de vida, também sofrem estresse. Este mal a que estão sujeitos estas abnegadas pessoas também tem um nome apropriado: caregiver stress, ou estresse do cuidador.
Escrevo estas linhas hoje como um alerta e orientação àquelas famílias que passam por isso, o que, aliás, é fato comuníssimo, e, particularmente falando, escrevo-as como uma forma de “protesto”, já que houve um caso assim entre os descendentes de minha avó do lado paterno. Vale dizer que minha indignação sobre o triste final dessa história ainda não teve fim, passados mais de três anos do ocorrido. Para reforçar este “alerta e orientação”, convém lembrar que atualmente se prevê que, com o envelhecimento da população mundial e o aumento das doenças neurodegenerativas, a tendência é de que o número de pessoas que precisem atuar como cuidadoras aumente.
E esse foi o caso de uma prima minha, que dedicando-se por anos a fio como cuidadora de três familiares adoentados, sacrificou sua juventude e sua vida particular, além de afetar sobremaneira sua carreira profissional e seus estudos.
Neste período, notei que minha prima estava com algum problema, pois ela, que sempre fora uma pessoa jovial, falante e com o astral para cima, estava visivelmente mudada. Intuí que seu problema era derivado da vida desgastante que levava como cuidadora, fato que, estranhamente, ninguém levara em conta.

O QUE DIZ A CIÊNCIA
Uma pesquisa recente empreendida por Stella Velasques Cassis, clínica geral especialista em geriatria do Hospital das Clinicas da USP, avaliou 67 pacientes com demência e seus cuidadores. O tempo de cuidado foi um dos fatores determinantes. Ela relatou que “Quanto mais tempo a pessoa dedicava à tarefa, mais estresse sentia. Tanto que os cuidadores que moravam com o paciente sentiram-se pior”. Além disso, o estresse dos cuidadores também aumentava quanto maior era o grau de dependência do idoso. Constatou-se também que maridos e mulheres cuidadores reagem de formas diferentes: os primeiros tendem a ter mais transtornos de ansiedade, e elas, pendem para os sintomas depressivos. E o problema é mais que “contagiante”: quando o cuidador está estressado, a pessoa doente de que cuida tem mais chance de ser hospitalizada ou internada em uma instituição.

Segundo a assistente social Ursula Margarida Karsch, coordenadora do Grupo de Pesquisa Epidemiológica do Cuidador, da PUC-SP, em alguns países, o familiar que cuida do pai ou da mãe doente, já tem direito à benesses, como ajuda de custo, benefícios no trabalho e rede de cuidadores para cobrir folgas e férias. O Brasil ainda engatinha nesse quesito, mas países como Inglaterra, Alemanha e Canadá estão bem mais avançados nessa área.

Uma das cuidadoras entrevistada, se referindo à mãe doente, afirmou conta que às vezes sofre com a rotina e com algumas peculiaridades da doença, como mudanças de comportamento. “É um super desgaste, demanda muito tempo e energia. Ela fica teimosa, às vezes apática. Perco minha mãe todo dia, isso é muito doído.”

ABRINDO UM PARÊNTESES

Convém falar aqui de algo que a citada pesquisa não levou em conta, e que reforça mais ainda o meu “alerta e orientação”: será que aquelas pessoas cuidadoras que, flagradas em filmagens secretas que frequentemente vemos na TV espancando idosos, incapacitados, doentes, dementes e crianças, não seriam vítimas também do caregiver stress? É mais um caso a ser estudado: o de cuidadores totalmente estressados que são induzidos à atitudes extremas que os levam a perder a cabeça ante certos comportamentos que não toleram nas pessoas que cuidam. Logicamente, há os casos de sadismo e distúrbios de personalidade, mas são fatos que não podem ser descartados nas pesquisas.

ENTRE PARENTES...
Quanto à minha malfadada prima, primeiramente, ela ajudou a cuidar de nossa avó paterna (fotos fictícias), que era bem idosa e se encontrava doente, e, que além de ser pessoa de um certo gênio difícil, ficou meio “ranzinza” com a doença. Os cuidados com ela duraram mais de uma década, até que ela faleceu. Pouco tempo depois, foi meu tio que sofreu um derrame e ficou totalmente dependente do cuidado da esposa e da filha, cuidados que se estenderam por cerca de cinco anos, e foi um caso mais complicado que o de nossa avó, já que o meu tio ficava o tempo todo irritado com sua incapacidade locomotora e total dependência dos familiares. Com sua morte, foi a vez da mãe, que já na casa dos 80 anos, adoecera e ficara dependente dos cuidados da filha; felizmente, o caso mais “leve” dos três, mas, ainda assim, era um terceiro ente a ser cuidado... Esse processo todo durara cerca de 20 anos – e 20 de uma juventude, são uma vida! –, e nestes anos todos, minha prima, em plena flor da idade, se dedicara abnegadamente ao cuidado dos três familiares com que convivia desde que nascera.
Lembremos que, de todo os filhos de minha avó, somente os pais dessa minha prima é que cuidaram da matriarca diretamente, coisa, que, como se diz, ninguém gosta de morar com a sogra...
Acontece que minha prima não passou incólume ao mal do caregiver stress. Com os casos sucessivos de doença na família, ela, que, como já disse, era uma pessoa alegre e radiante, foi se tornando uma pessoa amarga e revoltada, nunca conseguindo esconder a desgastante situação emocional a que fora submetida nesses constantes cuidados. No contato com os familiares que visitavam sua casa, era-lhe impossível esconder o estresse que a dominava, reagindo com explosões e destratos, sendo frequentemente mal interpretada. Nisto, para piorar a situação, injustamente foi chamada de louca, mal educada, dentre outras coisas. Tudo bem, ninguém poderia adivinhar que suas reações fossem devidas à altas doses de estresse e depressão a que fora submetida, mas ter um pouquinho de bom senso e simancol não era exigir muito de alguém... Oras, ninguém estava ali para ajudar a cuidar dos adoentados, e ela, que o fazia incondicionalmente e de boa vontade, não tinha o direito dar vazão ao seu esgotamento, e, ainda por cima, tinha ouvir críticas injustas! Note-se que o fato de ela cuidar de três familiares adoentados, não a tornou imune à incompreensão e maledicência dos parentes.
O problema maior começou com a morte de minha tia, quando finalmente, os familiares começaram a cogitar do destino que seria dado à “casa da vovó”, como se, na mais pura falta de consideração, ninguém mais morasse ali, ou, se morasse, não seria empecilho para suas decisões. À todos os familiares e parentes que conversava sobre o destino a ser dado à casa de minha avó, sugeri que, pelos “serviços prestados” pela prima, a casa deveria ser invariavelmente doada à ela, e de papel passado, e nada mais justo para uma pessoa que cuidou sucessivamente de três familiares doentes. Não levaram a sério minha sugestão, e só faltou também me chamarem de louco. Inda afirmando que o valor que receberiam pela partilha era irrisório se rateado entre os descendentes, mesmo assim ninguém me deu ouvidos e até me ironizaram. A casa, só para ela morar e passar o resto de seus dias, era-lhe muito, mas dividida entre o restante dos herdeiros materialistas, uma mixaria que não melhoraria a vida de ninguém nem lhes faria falta. Era como se rapineiros se reunissem para arrancar a abnegada cuidadora do ninho onde nascera, para, sedentos, dividir entre si a “valiosa” partilha...
Por fim, ela, que não tinha onde morar, em suma, não tinha mais a própria família e sequer tinha um emprego, foi “banida” da própria casa e se não fosse a ajuda de cunhados e irmãos, sabe-se lá o que teria acontecido a ela na revolta, estresse e depressão em que se encontrava. Felizmente ela está viva! Convém notar que, usando a evasiva de que ela era louca e, assim, não digna de (ou capacitada para...) herdar a casa, foi mais fácil tirá-la dali. E ela, que tanto apoiou e ajudou o próximo, a hora e que mais precisava de apoio de todos os parentes – pois havia perdido tudo e todos os familiares com os quais convivia desde a infância –, perdeu até a casa onde morava!... e pior, saiu quase como uma espécie de vilã da história!! É por isso que esse mundo me mete nojo!!!

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Note-se que nem sempre a idade e a vivência torna alguém mais sábio, compassivo e humano – em questões de herança familiar, é um truísmo que a ganância e a cobiça, inda que seja por merrecas monetárias, sempre fala mais alto que os valores e princípios, e nisto, se passa por cima de todo e qualquer sentimento e periclitantes situações alheias com o rolo compressor de nossas friezas, injustiças e falta de compaixão.
Lembro-me que ela, ao deixar a casa, rasgou certas fotos de família, e dei-lhe toda razão pois ninguém era digno de guardar aquelas fotos hipócritas onde, numa festa de reunião da “grande família”, todos se abraçavam fraternalmente, riam, comiam, bebiam e brindavam à saúde de todos... Pobre prima... ela não imaginava o que lhe estava reservado anos depois!...
Às vezes, eu me pego pensativo, remoendo estes assuntos e me pergunto: “Será que, dentre todos os descendentes de minha avó, só eu enxerguei estas coisas?” Certa vez, o escritor Humberto de Campos (1886-1834) – o “Pai dos que sofrem” – disse algo assim:
“Trabalhado pelas dores próprias, meu coração está melhor preparado para a compreensão das dores alheias.”
Talvez seja isto...
Há uma outra sábia frase que já fora usada em outra postagem neste blog, e que urge ser repetida. É também do grande e compassivo Humberto de Campos:
“Qualquer que seja o bem que procuremos fazer neste mundo, e quaisquer os esforços para praticarmos o bem, não evitaremos jamais que se digam mal de nós. Zombemos, pois do mundo, meu filho, e percamos a esperança de nos pôr de acordo com ele.”
À esta altura, o que me preocupa é que eles lendo isto, como reagirão? Caindo em si, reconhecendo que erraram, baterão no peito o “mea culpa”, ou se atreverão a dizer que o injusto e insensato (ou louco) estou sendo eu? Bom, não raro, os parentes – apesar de parentes –, sem que saibamos (e sem conhecimento de causa), nos criticam injustamente e falam horrores sobre nossa indefesa pessoa (como fizeram com minha prima), e eu digo: o que podemos fazer contra isto? Nada? Podemos sim, e, então, hoje, agora, foi a minha hora de criticar – mas criticar com sensatez e compaixão – por uma causa nobilíssima e mais que justa, e aqui levada à baila de um modo corajoso, e não lançando mão de cochichos, conversinhas e tramoias secretas, travadas às escuras, longe de nossas vistas...
Alguém talvez perguntará malicioso: mas e você, não recebeu nada na partilha? Recebi sim – mas não ia receber nada! –, porém, como não atenderam minha sugestão de deixar a casa para minha prima, exigi a parte que julgava me caber. Já que a ela não ficaria com minha prima, pelo menos que viessem parar nas mãos de quem lutou pelo mais justo e mais sensato – minha parte para eles é que não podia ficar!
Quanto à esses parentes, lembrando certas verdades que o povo diz como: “o mundo dá muitas voltas”, “a gente não sabe o dia de amanhã”, e que a chamada “ironia do destino” anda à ronda e pode nos reservar uma desagradável surpresa um dia desses, desejo-lhes toda a saúde de mundo e torço para que nunca venham a passar pelo o que minha prima passou, e muito mais, pelo o que minha avó, meu tio e minha tia passaram...
Prima, te aquieta - dias melhores virão! E eu estou contigo nessa!

ADENDO
10 Conselhos para os cuidadores
1 - Permita a si mesmo pausas freqüentes. Cuidar da saúde de um familiar é um trabalho difícil e você merece um descanso;
2 - Atenção aos sintomas de depressão. Não demore a buscar ajuda profissional quando necessitar;
3 - Aceite quando alguém oferecer ajuda. Sugira objetivamente o que pode ser realizado;
4 - Aprenda sobre a condição da pessoa querida e como conversar de forma efetiva com os médicos;
5 - Utilize a tecnologia e idéias que promovam a independência do familiar que você cuida. Existem diferenças entre cuidar e fazer;
6 - Confie em seus instintos pois, na maioria das vezes, o levarão ao caminho correto;
7- Cuidado com a sua coluna. Os cuidadores freqüentemente realizam atividades que exigem esforço, como empurrar, puxar e levantar;
8- Lamente as suas perdas, mas não deixe de lado os novos sonhos e esperanças.
9 - Faça valer os seus direitos como cuidador e cidadão;
10 - Busque apoio de outros cuidadores. Além de retirar a impressão de que está só, você pode aprender muito.
Taí gente, simples assim… Mas faz toda a diferença!
FONTE:
Folha de São Paulo. Com todo cuidado. Equilíbrio. São Paulo, 28 fev. 2008, págs. 7 a 9.
http://www.thefamilycaregiver.org/
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