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É melhor ser inteligente que ser esperto, mas é melhor ser esperto que ser burro.
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Desgraça de bêbado é muro chapiscado.
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Soltar um pum dentro do elevador é como mergulhar: você tem que prender a respiração.
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Repare: a desordem alfabética do teclado.
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O estivador, ao contrário do brocha, anda com o saco em cima da cabeça.
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O orgão mais musculoso nas mulheres é a língua. Exercitá-la é a sua principal ginástica.
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Desgraça de minhoca é formiga assanhada.
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Se as flores carnívoras fossem vegetarianas, seriam canibais.
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Mulher falsa é aquela que nos largou para ficar com outro homem. Mulher verdadeira é aquela que largou outro homem para ficar conosco.
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
LUDITAS ÀS AVESSAS!!!...


Bem lembrado, é oportuno dizer que
também, há exatos 155 anos atrás, no dia 8 de março de 1857, nos EUA, os
patrões e a polícia trancaram as portas de uma tecelagem e depois atearam fogo, matando 129
operárias carbonizadas! Daí, caso não saiba, surgiu o
Dia Internacional da Mulher!
Curiosamente, também exatos 200
anos depois do quebra-quebra dos luditas ingleses, em 4/04/2012, a Prefeitura
Municipal de Araras aprovava o projeto para a construção de um novo edifício na
cidade – o imponente "Vitrallis - Premium Residences", edifício
que, por ironia do destino, vai se situar exatamente no mesmo local onde se erguia a extinta Textil São Antonio, onde, repito, a pombinhos apaixonados Daltro
& Rocha uniram seus corações!...
À esta altura, meu leitor deve
estar matutando aí: "Mas aonde esse danado do Wenilton quer chegar?!"
Pois bem: é que dói ver uma tecelagem linda como era a São Nicolau encerrar
suas atividades, pegar fogo e depois ser demolida – que ela era, de certo modo,
um lugar sagrado para mim, cidadão extremamente preocupado com a preservação de
nosso edifícios históricos ou antigos. Se situava a São Nicolau na espinha
dorsal de Araras onde se alinharam e conviveram Daltros e Rochas desde o final
do século 19 até o final do século seguinte. Daltros moraram ao longo da
"Antiga estrada para Leme" (hoje Avenida Maria Muniz Michielin e
Avenida Leme); Daltros construíram a Usina Palmeiras – meu paraíso extinto onde
moramos na melhor época de nossas vidas!; Rochas moraram na mesma estrada, na
fazenda Montevidéo, onde meu avô Francisco Rocha fora feitor, e meus
tios – e minha mãe! –, nasceram! Meu avós Rocha, depois, moraram na rua Lacerda
Franco, que vai desembocar exatamente na Avenida Leme. Meu pai, antes de
mudarmos para esta usina, teve uma leiteria na rua Albino Cardoso, que forma
uma bifurcação com a Lacerda Franco. Como se vê, por gerações e gerações,
Daltros e Rochas se deslocaram e conviveram nesta importante espinha dorsal que
era a principal via da Araras antiga por boa parte deste período.
Mas, se posso falar em luditas
modernos – e não estou se referindo à mim –, ou melhor, em uma espécie
diferente de ludista: luditas "negativos", luditas ás avessas, diria
que são os capitalistas chineses! No caso, são os verdadeiros responsáveis pela
ruína de nossas tecelagens! Sim, a onipresente China capitalista e sua
competição selvagem desonesta!
Mas a coisa não parou por aí,
pois há outras espécies de luditas às avessas nesta cidade, como, p. ex.,
certos empresários do ramo imobiliário, que mal vêem um terreno baldio, uma
empresa fechada, uma casa antiga ou um casarão centenário, e dirigem para eles
toda a sua sanha e cobiça imobiliária, fazendo tabula rasa de tudo! E nisto se
inclui também os proprietários desses imóveis, que detestam tudo o que é
antigo, não importa a história que há por detrás deles! E nisto, amigos, quanta coisa
linda e de extrema importância histórica se perdeu! Araras já foi a terra de
dezenas de tecelagens (e quanto casais ararenses não nasceram aí!), de inúmeras
fábricas de mandiocas e de olarias sem fim! E onde foi parar toda essa
maravilha? Não vou comentar aqui.
Ah, aquele pequeno trecho de rua em frente à Textil São
Nicolau, quanto frequentei e quantas histórias vivi ali, eu, meus irmãos e
amigos! Ali, aos 5 anos, fui ao circo pela primeira vez e ouvi todo feliz pela
primeira vez a canção "Datemi un martello" com a sensação da época, a
cantora Rita Pavone! Nesta mesma época, ali também, ouvi deslumbrado pela
primeira vez o "martelar" incessante de uma velha araponga que ficava
numa gaiola do posto do Henrique Volpi! Ali também o bar do velho Espica, onde
tantos doces comprei e tantas caronas para a Usina pegamos ao sair mais cedo da
escola! O último ponto de ônibus da Usina dentro da cidade, que nos recolhia ali
todo final de tarde!
E eu fico pensando em todas estas maravilhas e seu
melancólico final... e perguntas teimosas vem martelar minha inquieta cabeça:
Até quando esses luditas às avessas vão destruir tudo? Quais serão seus
próximos alvos? Como lutar contra eles? É quando me vem à cabeça a velha
sentença do Caetano Veloso, que dizia da "força da grana que ergue e
destrói coisas belas"!... Não, eu não me conformo, nunca me conformarei, e
enquanto existirem luditas às avessas nesta cidade, haverá este "ludita
positivo", o neoludita Wenilton, que com sua pena combaterá ferrenhamente para
preservar nossas coisas belas que a maldita "força da grana" destrói
sem piedade!
FONTE:
http://www.vitrallis.com.br/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ned_Ludd
http://www.abrazrj.com.br/index.asp?pageURL=48&NOticia=5§or=0
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
PENSAMENTOS DE UMA TARDE DE QUARTA-FEIRA
CASAL 20
Namora-se 10 anos às mil maravilhas, mas basta 1 ano de casado para que podridões venham à tona.
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ESTATÍSTICAS
Os conselhos crescem aritméticamente; os boatos, geometricamente.
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COMO DIZIA O CINÉFILO
Espero findar meus cem anos de solidão, e viver com ela nove semanas e meia de amor: vai ser a primeira noite de um homem!
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MONDO CANE
Em geral, temos Q. I. em excesso para fazer as mais complicadas experiências, mas não Q. E. o suficiente para praticar a mais simples das moralidades.
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LÍNGUA PORTUGUESA
O diferente está para o diferir, asim como o indiferente está para o indiferir. Não, burro, o indiferir não existe!
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GEOMETRICAMENTE FALANDO
Duas linhas paralelas só se encontram no infinito, porque ambas anseiam pelo mesmo ponto de fuga.
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RELATIVIDADE
Eu não consigo voltar ao passado, mas que a minha vida tem sempre andado para trás, ah, isso ela tem!...
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LOVE SCENES
E pensar que naquela minha velha o paixão eu gastei o meu maior e melhor amor! Espero nunca mais tentar ser tão feliz! E nunca mais ser tão triste!...
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COMO DIRIA O PSICÓLOGO
Fala-me da tua hidrofobia, e eu falarei do teu mau cheiro.
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TERRA BRASILIS
O populismo antecede as eleições. O nepotismo sucede.
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DO ALÉM
“É melhor morrer de pé, encostado num barranco, que viver de joelhos, prestes a levar um tiro de misericórdia.” (Emiliano Zapata piscografado)
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MELHORANDO FRASES
Isto é sagú! Caviar uma ova!
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DIA MUNDIAL DA ESTATÍSTICA (responda rápido)
Se o instituto Gallup dá o maior ibope, o instituto Ibope dá o maior gallup?
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VIOLÊNCIA E ALIENAÇÃO
Disputas, velocidade e futebol: verdadeiras alegrias da infância , que, nos adultos nem sempre funcionam muito bem.
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CONVERSINHAS INFAMES (imaginando o Chaves e o Seu Madruga)
- Chaves, seu tonto, chorando só porque está cortando a porcaria de uma cebola!
- Não, não é isso, Seu Madruga!...
- Porque então?
- Esta cebola é só o que eu tenho para comer!...
- Glup!
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segunda-feira, 17 de setembro de 2012
RECEITA SIMPLES e INFALÍVEL PARA SE FAZER CIRCULOS INGLESES!!!
"São esses círculos nas
plantações - eles não
são uma farsa e não se pode
fraudá-los. Mas que
são, eles, ninguém até hoje foi capaz
de explicar."
(Aleksei Arkhipovich Leonov,
cosmonauta
soviético, o primeiro homem a
"caminhar"
no espaço. UFO, nº 230, jan. 2016,
pág. 44)
Imagine um desenho qualquer que ficaria bonito visto do alto, e desenho
bem complexo de preferência - quanto mais complicado geometricamente,
melhor. Se o terreno e a plantação onde será feito o trabalho forem
teus, ótimo; do contrário, escolha uma área bem plana e de difícil
acesso, e é bom escolher uma em que o proprietário não more perto.
Depois, num computador, obtenha um mapa aéreo do terreno e sobreponha
num programa gráfico, o desenho sobre a plantação. Em seguida, coloque
todas as coordenadas necessárias para se transferir o desenho in loco.
A equipe que fará o trabalho deverá ser composta por pessoas que não fazem nada da vida, não curtem dormir de noite, e se forem velhinhos melhor, mas velhinhos com muita inteligência, talento artístico, energia e visão aguçada (lembre-se que, tempos atrás, dois velhinhos ingleses se apresentaram como autores de tais desenhos). Vocês terão o prazo de mais ou menos 8 horas para fazer os desenhos, isto, cuidando para que ninguém veja - até o momento é a regra geral! Se a equipe não for composta por loucos e desocupados como você, prepare-se para descolar uma boa grana pelo pagamento dos serviços prestados.


Um conselho: se puder descolar uma daquelas
máquinas imensas (não me recordo se elas são invisíveis, mas devem ser)
que alguém geniosamente criou (dizem...) para fazer tais desenhos
gigantescos, será tudo mais fácil. Ao transportá-la até a área de
trabalho, faça-o com cuidado e total segredo, pois as pessoas que
porventura te verem passando com ela pela estrada, irão querer de toda
maneira fotografar este estranho aparelho e saber do que se trata!... E
cuidado com a polícia, pois você, logicamente, não tem permissão para
trafegar com uma geringonça dessas pelas estradas vicinais e rodovias.
Se o terreno for teu, as coisas serão mais fáceis, pois, logicamente,
você terá um imenso galpão para escondê-la à salvo de reporteres
abelhudos. Ah, esta máquina, com certeza, é muito cara, e se você não for
rico, melhor usar as mãos e os aparelhos comuns mesmo!...

sendo feito lá embaixo sem luz alguma, fica para você resolver. Este é um ingrediente da receita que eu não tenho!... Talvez óculos infravermelhos resolvam, mas, de todo modo, fica para você resolver... A esta altura, você já deve ter imaginado os probleminhas simples que surgirão nas comunicações, bem como os desentendimentos inevitáveis...
As orientações deverão ser precisas, e erros não poderão ser cometidos em hipótese alguma, como tombar tufos de plantas de modo errado, ou, pior ainda, cortar plantas não especificadas no projeto. Felizmente, ao que consta, ninguém errou um desenhos desses até hoje, e nenhum deles foi abandonado por qualquer erro ocorrido.
Se a polícia aparecer, abandone o trabalho imediatamente e tudo o que você levou, e se mande rapidamente dali, pois poderá arrumar uma encrenca dos diabos.

À esta altura, creio que algum gênio (talvez o inventor da máquina de desenhar), já tenha inventado um aparelho aéreo adequado e altamente tecnológico para tal, em suma, um aparelho silencioso e invisível, movido à energia solar, mas se você for pobre, ihhhh!...
Com todas estas dicas simples, tenho toda a certeza do mundo que, ao cabo de no mínimo 7 horas de trabalho, a equipe terá feito uma verdadeira obra-prima em meio à escuridão, obra esta, de tal precisão e complexidade, que jamais constou em qualquer bienal deste planeta! E o mais incrível ainda, tudo realizado sem que ninguém tenha visto quem são esses grandes artistas anônimos que trabalham na calada da noite, gênios incógnitos e humildes que esnobam peremptoriamente a fama, o dinheiro e o glamour das bienais!!!...
A maior glória, por outro lado, será, no mínimo, fazer as pessoas de palhaço, pessoas estas que se digladiarão para saber quem fez tal obra de arte, digo, enigma assombroso. Umas, se perderão em mil conjeturas e divagações, dirão de "conspirações de extraterrenos", de "pegadinhas de ETs" etc; outras, fotografarão, reproduzirão e lançarão seus trabalhos acadêmicos sobre tal; outras ainda levantarão mil teorias, compararão os desenhos com outros desenhos milenares, com charadas matemáticas, enigmas cabalísticos e afins. Eis tua maior glória, seu maluco genial!

E se tudo der errado em tua empreitada de fabricar Círculos Ingleses, amigo, não me venha você depois com conversinhas infames mais malucas ainda, tipo de ETs zoando com a nossa cara, abusando com a nossa boa-fé e outros achaques!!! Onde de já se viu!...
A RUA TIRADENTES EM ARARAS - UM DESERTO DE ÁRVORES!!!...

Caros cidadãos ararenses, venho através deste post falar aqui de um problema de suma importância, e que passa despercebido pela maioria das pessoas: a falta de arborização nas ruas centrais de Araras. A foto ilustra perfeitamente o que é hoje a mais famosa rua do comércio central da cidade, a rua Tiradentes: uma passarela imensa onde o número de árvores nas calçadas está quase próximo do zero! O mesmo se dá com outra rua comercial, a Júlio Mesquita, e muitas outras ruas do centro. Duvidam? Pois então abram o Google Map e chequem nas fotos aéreas a gritante ausência de árvores. No trecho mais comercial da Tiradentes, compreendido entre as ruas Armando Salles de Oliveira e Chico Pinto, foram contadas apenas 10 árvores nas calçadas, num espaço que em que se alinham 10 quarteirões, sendo que a maioria deles não têm árvore alguma!
Como se sabe, desde a década de 50, quando a cidade começou a colecionar prêmios como uma das cidades que mais se desenvolve no Brasil, com a urbanização e o desenvolvimento industrial, o número de árvores, áreas verdes e quintais arborizados caiu drasticamente na zona central cidade, e esta rua é um perfeito reflexo dessa postura.
É óbvio que ninguém quer uma árvore em frente ao seu estabelecimento, porque, alegam, elas impedem a livre visualização de sua loja, de vitrines e letreiros da fachada, e até mesmo dizem que impedem o livre trânsito dos clientes. Isto para não falar do quesito "vaidade", o de exibir sua loja (e residência) sem entrave algum!... Não sou da opinião que uma pessoa sempre deva olhar para cima para procurar o estabelecimento onde irá comprar toda vez que for ali - quem visitou uma loja uma ou duas vezes, o endereço já estará mentalizado é só voltar ao lugar sem problemas. Além disso, o que mais interessa às pessoas é o que está dentro dela e não fora. Quanto ao "livre trânsito dos clientes", com certeza, há mais carros nas ruas, seja estacionados, seja de passagem, que árvores nas calçadas impedindo o "ir e vir" dos clientes. Esse trecho de rua, aliás, já devia ter sido transformado em calçadão há muito, e mais, ser intensamente arborizado, mas "motivos comerciais" insensatos impedem que isto aconteça!...
O problema é que, em dias de verão, essa "rua pelada" se torna um lugar desagradável, pois fica excessivamente quente e abafado. Mas, o que causa essa chamada "ilha de calor" nesse longo alinhamento de prédios? Como se sabe, as ilhas de calor urbanas são regiões com temperaturas mais elevadas que o normal, pelo fato der reterem calor nas edificações devido à falta de vegetação, acarretando também a problemática diminuição da umidade relativa do ar. Edificações cobertas com materiais que absorvem calor, como as telhas de amianto, comuns em grandes galpões, também aumentam sensivelmente o calor nestas áreas. Isto para não falar no trânsito intenso de carros e sua consequente poluição. O problema é tão grave que especialistas em aquecimento global chamam esses locais de "desertos artificiais". Outro problema comum, é que a falta de árvores também diminui a biodiversidade, além de comprometer as funções estética e de lazer. Indo mais fundo ainda, diria que nestes locais, em dias de verão, é aumentada a pressão arterial das pessoas com predisposição para essas doenças.
A que pergunta que fica é: realmente o comerciante (e o cidadão) ararense age como se realmente morasse na chamada "Cidade das Árvores"? Não nos esquecamos que Araras foi a primeira cidade na América do Sul a realizar uma festa em homenagem às árvores, e considerada por publicações especializadas como o “Primeiro movimento brasileiro de tomada de consciência do problema ambiental”, e até mesmo o “Primeiro movimento ecológico brasileiro”!
Jamais nos esqueçamos que o bosque plantado por ocasião desta festa em 1902, se localizava abaixo da praça “Martinico Prado”, e em 1947, por questões imobiliárias (sempre elas!), foi colocado abaixo! Depois, em 1985, houve outra atitude semelhante: era posto abaixo o belíssimo Horto Florestal do Loreto, um agradável recanto que, inclusive, devido a sua importância, foi citado no livro “A Onda Verde” de Monteiro Lobato em 1920, lembrando-se que seu criador – o visionário Navarro de Andrade – foi o pioneiro na introdução do eucalipto no Brasil, com a sábia intenção de preservar matas nativas e abastecer as locomotivas com lenhas de plantações desta espécie. Constituía ele um excelente recanto para amantes da natureza, ideal para piqueniques, treckers, ciclistas e os que gostavam de se enveredar e se perder por seus sossegados aceiros. A ruína começou no início da década de 80 com a contrução dos conjuntos habitacionais "Nosso Teto", enquanto canaviais das redondezas permaneciam incólumes!... Ao contrário do seu “irmão” rio-clarense, nosso horto não foi tombado, e, infelizmente, quase recebeu o golpe de misericórdia em 1997, quando novos trechos foram desflorestados para dar lugar a assentamentos!... e os canaviais observavam tudo impassíveis!...
Enfim, comerciantes da rua Tiradentes (e outras ruas comerciais), que tal agirmos como se realmente fossemos habitantes da Cidade das Árvores, e, portando-se como cidadãos seriamente preocupados com questões socioambientais, inverter esta crítica situação, cada qual plantando uma árvore adequada em frente ao seu estabelecimento?! Não sou pessimista, mas duvido que estas palavras surtirão algum efeito, e, assim sendo, a única saída será a própria Prefeitura tornar isso uma medida obrigatória!... Ou será que teremos de continuar a viver hipocritamente, ostentando um título "para inglês ver", esse, o da "Cidade das Árvores"?!...
INCONTESTÁVEIS MOTIVOS PARA A REARBORIZAÇÃO DA TIRADENTES!

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quarta-feira, 15 de agosto de 2012
AVE FOLCLÓRICA SE INSTALA NA PRAÇA BARÃO DE ARARAS
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Pois bem. Saindo de algumas compras na loja Seller, tão logo adentrei a praça, ouvi quatro assovios fortes e vibrantes, e disse para mim mesmo: “Tem ave nova na praça, e deve aquela tal ave folclórica!” Como quase sempre ando com uma máquina fotográfica à tiracolo, tentei localizar a ave no altos de um pé de Sibipiruna, mas nada de encontrá-la!... De repente, a ave parou de cantar e lamentei: “Mas onde esta bendita foi parar?!”
Parti frustrado, e quando já ia
atravessando a praça do outro lado, eis que ela volta a cantar! Peguei a
máquina e voltei à sua procura. Nisto, pude vê-la lá no alto das folhagens, e
notei que parecia ser mesmo a ave que eu desconfiava – e vale dizer que eu já
estava à espera dela na praça há tempos! Explico. Há cerca de 4 meses, estive
em São Paulo, e em pleno centro da Praça da Sé, pude ver incrédulo esta
avezinha cantando à pleno pulmões, isto como se estivesse à vontade em plena
Serra do Mar! A tal avezinha era, nada mais nada menos, que a popular Jugovira, que
quem mora na zona rural de Araras muito bem conhece, ou pelo menos a ouviu, que
é ave impossível de não ser notada por seu canto. Me refiro ao Cyclarhis
gujanensis, ave que por certas características suas tornou-se folclórica em
todo o país. Quando fiz, em 1992 (abaixo), um levantamento das aves que frequentavam a cidade, desde a periferia até a zona central, ela ainda não era vista na praça Barão, e eis que, finalmente, exatas duas
décadas depois, parece a Jugovira veio para ficar! Sorte nossa!
Pouco maior que um pardal, a Jugovira é, no entanto, ave difícil de se ver, mas é facilmente reconhecível, pois tem o corpo verde-oliva claro, os olhos em tons que vão do amarelo ao vermelho, cabeça grande e bico grosso lembrando um pouco um bico de papagaio mais comprido.
Na época de reprodução, quem tem habilidades para imitar pássaros – como este que voz escreve – facilmente poderá atraí-la, ou pelo menos atrair as aves mais novas que não têm tanta malícia. Dois exemplares foram vistos – e podem ser um casal –, indício de que podem vir a procriar na praça este ano mesmo (de julho e novembro) e aumentar sua população, se espalhando assim para outras praças, como a da Biblioteca, do Tiro de Guerra e o Lago Municipal, onde, à esta altura, com certeza já frequenta. O naturalista Eurico Santos escreveu: “O casal vive numa harmonia perfeita e parece que deveras se amam muito. Quando um bárbaro caçador abate um dos consortes, o outro facilmente pode também ser sacrificado, porque não se afasta do local onde caiu o companheiro, procurando-o, chamando-o, numa evidente ansiosidade.” E é interessante observar o casal a se chamar mutuamente por horas à fio, enquanto se alimentam pelo arvoredo. Também ocorrem duelos de machos que vocalizam intensamente quando um se aproxima do território de outro. Abaixo, filagem da Jugovira num pé de Sibipiruna na praça Barão de Araras.
Existe desde o México, indo até a Argentina, onde o povo diz que ela canta: “Don Libório, Don Libório”, ou “Caballero, Caballero”, ou ainda ou ainda “Juan Chiviro”, nomes que remetem à sonoridade de seu canto, fato que também ocorre em nosso país. Constataram que a fêmea tem seu próprio canto e o macho apresenta oito cantos diferentes, por isto, a ave recebe um batismo diferente em cada região, como: “Tem-cachaça-aí” (Espírito Santo) ou “Pitiguari” (Pernambuco). O ornitólogo Dalgas Frisch escreveu que há pessoas que (pasmen) interpretam seu canto como “A chocolateira quebrou!”... O nome se refere ao antigo utensílio usado pelos tropeiros para fazer chá ou café. Outro nome, muito comum desde a Bahia, é Gente-de-fora-vem, e isto devido à uma particularidade sua, que, dizem, é a de cantar toda vez que vê um ser humano se aproximando do sítio, fazenda ou mata onde ele se encontra. A mesma reação se dá com anuns, quero-queros, pica-paus-do-campo e corujas-buraqueira, aves que tem aguçado senso de posse de território, e se mantém em contante alerta, dando alarme mal pressintam ameaça. Eurico Santos confirma o fato e diz que: “Na Paraíba do Norte crêem que, quando canta o Pitiguari, é certo que vai parecer visita ou, ao menos, uma boa notícia.” O folclorista Câmara Cascudo registrou outros nomes que remetem à mesma crença: “Olha o caminho, que vem gente” (Pernambuco), “Olha pro caminho, que já vem” (R. G. do Norte). Cascudo diz ainda que, em outros tempos, a ave avisava também de visitas sorrateiras em fazendas de homens tentando raptar donzelas!...
Veja aqui outra ave folcórica que passou a frequentar a praça Barão em 2003, a belíssima Lavadeira!
Além de ornitólogo amador e
pessoa de ouvido refinado, versado nas vozes da natureza, sou velho frequentador da praça Barão de Araras como
observador de aves, de modo que qualquer pássaro novo que aparecer ali e cantar
dificilmente escapará à minha atenção. Foi o que (novamente) aconteceu no
sábado passado de manhã, dia 11.
Pois bem. Saindo de algumas compras na loja Seller, tão logo adentrei a praça, ouvi quatro assovios fortes e vibrantes, e disse para mim mesmo: “Tem ave nova na praça, e deve aquela tal ave folclórica!” Como quase sempre ando com uma máquina fotográfica à tiracolo, tentei localizar a ave no altos de um pé de Sibipiruna, mas nada de encontrá-la!... De repente, a ave parou de cantar e lamentei: “Mas onde esta bendita foi parar?!”

O que aconteceu à este pássaro, a
ciência dá o nome de Sinantropia, ou seja, o fenômeno pelo qual um animal
selvagem adapta-se ao meio urbano, lembrando-se que outras aves já passaram por
isso, inclusive na praça Barão, como se deu em janeiro do ano passado, envolvendo o
pássaro Ararapaçú-do-cerrado (Lepidocolaptes angustirostris), que já foi
visto procriando nas praças centrais da cidade, inclusive, tendo ele um canto
que chama muito a atenção, pois consiste de uma espécie de gargalhada
descendente diferente de tudo o que e ouve na cidade. O que mais intriga neste
fenômeno da sinantropia, é notar que, por algum motivo, motivo este que imagino ainda não desvendado, diversas aves
invadiram as zonas urbanas de cidades muito distantes uma das outras, e isto, todas num
mesmo lapso de tempo! Inclusive, aves de ambientes aquáticos, e arredias aí, passaram a ser vistas em movimentadas zonas centrais de cidades e em lugares onde nem mesmo há água our refúgio semelhante disponível!
Pouco maior que um pardal, a Jugovira é, no entanto, ave difícil de se ver, mas é facilmente reconhecível, pois tem o corpo verde-oliva claro, os olhos em tons que vão do amarelo ao vermelho, cabeça grande e bico grosso lembrando um pouco um bico de papagaio mais comprido.
Na época de reprodução, quem tem habilidades para imitar pássaros – como este que voz escreve – facilmente poderá atraí-la, ou pelo menos atrair as aves mais novas que não têm tanta malícia. Dois exemplares foram vistos – e podem ser um casal –, indício de que podem vir a procriar na praça este ano mesmo (de julho e novembro) e aumentar sua população, se espalhando assim para outras praças, como a da Biblioteca, do Tiro de Guerra e o Lago Municipal, onde, à esta altura, com certeza já frequenta. O naturalista Eurico Santos escreveu: “O casal vive numa harmonia perfeita e parece que deveras se amam muito. Quando um bárbaro caçador abate um dos consortes, o outro facilmente pode também ser sacrificado, porque não se afasta do local onde caiu o companheiro, procurando-o, chamando-o, numa evidente ansiosidade.” E é interessante observar o casal a se chamar mutuamente por horas à fio, enquanto se alimentam pelo arvoredo. Também ocorrem duelos de machos que vocalizam intensamente quando um se aproxima do território de outro. Abaixo, filagem da Jugovira num pé de Sibipiruna na praça Barão de Araras.
Existe desde o México, indo até a Argentina, onde o povo diz que ela canta: “Don Libório, Don Libório”, ou “Caballero, Caballero”, ou ainda ou ainda “Juan Chiviro”, nomes que remetem à sonoridade de seu canto, fato que também ocorre em nosso país. Constataram que a fêmea tem seu próprio canto e o macho apresenta oito cantos diferentes, por isto, a ave recebe um batismo diferente em cada região, como: “Tem-cachaça-aí” (Espírito Santo) ou “Pitiguari” (Pernambuco). O ornitólogo Dalgas Frisch escreveu que há pessoas que (pasmen) interpretam seu canto como “A chocolateira quebrou!”... O nome se refere ao antigo utensílio usado pelos tropeiros para fazer chá ou café. Outro nome, muito comum desde a Bahia, é Gente-de-fora-vem, e isto devido à uma particularidade sua, que, dizem, é a de cantar toda vez que vê um ser humano se aproximando do sítio, fazenda ou mata onde ele se encontra. A mesma reação se dá com anuns, quero-queros, pica-paus-do-campo e corujas-buraqueira, aves que tem aguçado senso de posse de território, e se mantém em contante alerta, dando alarme mal pressintam ameaça. Eurico Santos confirma o fato e diz que: “Na Paraíba do Norte crêem que, quando canta o Pitiguari, é certo que vai parecer visita ou, ao menos, uma boa notícia.” O folclorista Câmara Cascudo registrou outros nomes que remetem à mesma crença: “Olha o caminho, que vem gente” (Pernambuco), “Olha pro caminho, que já vem” (R. G. do Norte). Cascudo diz ainda que, em outros tempos, a ave avisava também de visitas sorrateiras em fazendas de homens tentando raptar donzelas!...
Sua fama levou a ser homenageada
na música “Meu Pitiguari”, da dupla André & Mazinho, e também pelo
violonista mineiro Tavinho Moura em “Gente-de-fora-vem” (da trilha sonora do
filme “Noites do Sertão”). Curiosamente, “Meu Pitiguari” é o nome de uma
companhia de danças de Santa Catarina, e “Gente-de-fora-vem” o de um grupo de
teatro baiano.
Naquela vez em São Paulo, lembro-me que pensei comigo:
“Mas, caramba, se a Jugovira existe no centro dessa loucura que é a paulicéia,
porque não ocorre lá na calma praça Barão de Araras?! Daí, imagine-se naquele
sábado a minha alegria ao encontrá-la finalmente frequentando a nossa velha
praça! E, pensando bem, vai ser ótimo vê-la fixar-se ali, pois
é ave que canta todos os meses do ano, tem repertório diversificado e volume
muito alto de voz, tanto o é que naquele dia flagrei diversas pessoas na praça
tentando ver quem fazia aquela cantoria toda. E isso enriquece muito a nossa praça: novos animais, novas vozes! Portanto, daqui para diante, se
você estiver na praça Barão e gostar de observar os pássaros ali existentes, não precisará se esforçar muito para notar um canto alto e vibrante no alto das árvores, diferente de tudo que
se está acostumado a ouvir pela cidade, e poderá conhecer então a lendária
Jugovira, que provavelmente, ao te ver por ali, vai cantar dizendo
“gente-de-fora-vem, gente-de-fora-vem!”...
Mas, enfim, é bom ver o Jugovira dividindo a cidade conosco? Sim e não. Do lado bom, desnecessário dizer. Do ruim, quase todos os seus antecedentes poéticos cairão por terra, e os seu histórico folclórico se anula na cidade: o seu canto misterioso se dilui em meio aos ruídos urbanos, e poucos ouvirão e entenderão os seus apelos “gente-de-fora-vem, gente-de-fora-vem!”, “gente-de-fora-vem, gente-de-fora-vem!”...
Jugovira, desde já, seja bem-vinda à nossa secular praça Barão de Araras, e que você procrie e cante muito aí!!!
Mas, enfim, é bom ver o Jugovira dividindo a cidade conosco? Sim e não. Do lado bom, desnecessário dizer. Do ruim, quase todos os seus antecedentes poéticos cairão por terra, e os seu histórico folclórico se anula na cidade: o seu canto misterioso se dilui em meio aos ruídos urbanos, e poucos ouvirão e entenderão os seus apelos “gente-de-fora-vem, gente-de-fora-vem!”, “gente-de-fora-vem, gente-de-fora-vem!”...
Jugovira, desde já, seja bem-vinda à nossa secular praça Barão de Araras, e que você procrie e cante muito aí!!!
Veja aqui outra ave folcórica que passou a frequentar a praça Barão em 2003, a belíssima Lavadeira!
PARA SABER MAIS:
Textos e fotos:
http://www.wikiaves.com.br/pitiguari
Ouça e memorize seus cantos:
http://www.xeno-canto.org/browse.php?query=cyclarhis+gujanensis
Ouça e memorize seus cantos:
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
CONSIDERAÇÕES SOBRE O CAPUZ DO MITO SACI E O BARRETE USADO PELOS NEGROS ESCRAVOS DO BRASIL
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"Seu boné vermelho é mágico: aí reside o seu 'encanto', seu poder, sua capacidade excepcional para travessuras; apoderar-se do boné do 'capetinha' é dominá-lo. Pois bem: essa carapuça vermelha corresponde ao píleo usado, em Roma antiga, por escravos libertos, como símbolo de sua emancipação; e é irmão do barrete frígio vermelho usado pelos franceses após a queda da Bastilha, em 1879, simbolizando as recém-conquistadas liberdades democráticas. Mas o Saci não veio da Europa; deve ter surgido no Brasil (no sul-sudeste?) por volta do final do século XVIII, uma vez que não consta nenhuma citação a seu respeito, em escritos de sacerdotes, cronistas e viajantes dos dois primeiros séculos. Perece ter, na origem, alguma aproximação com o Curupira e com a ave chamada saci, também ligado às circunstâncias sociais da escravidão (como no caso do Negrinho do Pastoreio)"
Fonte: PELEGRINI FILHO, Américo. Literatura folclórica. Edit. Nova Stella - USP. São Paulo, 1986, págs. 43-44.
A pintura, de 1827, é do explorador Charles Landseer, um então jovem artista inglês em início de carreira, que foi enviado ao Brasil em 1825, integrando uma importante missão diplomática britânica. Notar o capuz vermelho do escravo junto ao pilar!
A associação da pintura ao texto do Pelegrini é minha, e quero insinuar que, realmente, a pintura pode validar a opinião do pesquisador, a de que o Saci é mito genuinamente nacional, e talvez surgido nesta mesma época!
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