Na minha infância na usina Palmeiras, meu pai já era um notável amador de pássaros, criando curiós, azulões, sabiás e vira-bostas. Dentre os alimentos que ele fornecia às suas crias, estavam alpiste, painço, sementes de cânhamo, larvas de tenébrio, folha de almeirão, papa de fubá e ovos cozidos, e o "osso de siba", que é a concha interna de um molusco (sépia), essencial para pássaros como o Curió, pois é uma fonte natural de cálcio e minerais, fortalecendo ossos e ovos.
Quero comentar em especial, as sementes de cânhamo e as larvas de tenébrio. Mal sabia eu e meus irmãos, na época, que essa sementes eram nada menos que a da polêmica erva maconha… Já as larvas de tenébrio, ou bichos-da-farinha, são as formas juvenis do besouro Tenebrio molitor, insetos ricos em proteínas e gorduras, amplamente usados como alimento para de aves e outros animais., répteis, peixes).
Ocorre que, vendo uma matéria da revista Globo Rural deste mês, fui reencontrar com estes dois alimentos, mas usados de uma maneira surpreendente. Mais recentemente, dentre outros, ambos foram aprovados para consumo humano na Europa, servindo como alternativa sustentável e nutritiva em diversas formulações.

A empresa Mintel, uma consultoria internacional e inteligência de mercado que fabrica alimentos alternativos, usa as sementes de cânhamo para produzir proteína. Já a União Europeia, liberou, dentre outras espécies, a larva de tenébrio para alimentação humana.
Quando eu ia imaginar em minha primeira infância e adolescência que alimentos que eu mesmo dei aos pássaros de meu pai, iriam, lá no futuro, atrair minha atenção, uma vez que também sou fervoroso adepto de alimentos alternativos.
Acreditem ou não, espero, em breve, estar disponibilizando ambos em minha despensa...
E você aí, acha que comer semente de maconha e larvas de besouro é coisa de louco?...

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