segunda-feira, 17 de setembro de 2012

RECEITA SIMPLES e INFALÍVEL PARA SE FAZER CIRCULOS INGLESES!!!

"São esses círculos nas plantações - eles não
são uma farsa e não se pode fraudá-los. Mas que
são, eles, ninguém até hoje foi capaz de explicar."
(Aleksei Arkhipovich Leonov, cosmonauta
soviético, o primeiro homem a "caminhar"
no espaço. UFO, nº 230, jan. 2016, pág. 44)

                                                                                                    

Imagine um desenho qualquer que ficaria bonito visto do alto, e desenho bem complexo de preferência - quanto mais complicado geometricamente, melhor. Se o terreno e a plantação onde será feito o trabalho forem teus, ótimo; do contrário, escolha uma área bem plana e de difícil acesso, e é bom escolher uma em que o proprietário não more perto. Depois, num computador, obtenha um mapa aéreo do terreno e sobreponha num programa gráfico, o desenho sobre a plantação. Em seguida, coloque todas as coordenadas necessárias para se transferir o desenho in loco.

A equipe que fará o trabalho deverá ser composta por pessoas que não fazem nada da vida, não curtem dormir de noite, e se forem velhinhos melhor, mas velhinhos com muita inteligência, talento artístico, energia e visão aguçada (lembre-se que, tempos atrás, dois velhinhos ingleses se apresentaram como autores de tais desenhos). Vocês terão o prazo de mais ou menos 8 horas para fazer os desenhos, isto, cuidando para que ninguém veja - até o momento é a regra geral! Se a equipe não for composta por loucos e desocupados como você, prepare-se para descolar uma boa grana pelo pagamento dos serviços prestados.

Depois, munam-se de ferramentas manuais (as que você imagina que servirão). Poderão ser usadas trenas quilométricas, balizas, cordas imensas para se fazer círculos, vários GPS e lap-tops, e muitos teodolitos (com visão infra-vermelho). Os Círculos Ingleses já tem mais de 30 anos de existência, e surgiram numa época em que ainda não existia GPS, de modo que sua equipe usando este aparelho poderá realizar as marcações com mais rapidez e eficiência. Para se confeccionar o desenho, servirão as próprias mãos (com luvas), alfanjes, foices e facões. Lembre-se que, antes, deverá ser providenciado um caminhão cheio de estacas e rolos de barbante a serem utilizados nas marcações. Lanternas não poderão ser usadas pois poderão denunciar a presença da equipe no local (e torça para ser Lua cheia, mas já vou avisando que ela não ilumina muito!...). Leve galões de água e chá quente, pois estes lugares costumam ser frios e brumosos, e brumosos à tal ponto que você pode não enxergar nada!...

Lembre que os quatro cantos da área escolhida terão de ser monitorados constantemente, de modo que nenhuma pessoa suspeita apareça! A polícia, ou fazendeiros armados com espingardas e cão raivosos, constituirão um enorme perigo! Lembre-se também que animais selvagens, que podem ser perigosos, podem estar ocultos em meio à plantação; portanto, se previna e vá armado, por mais incômodo que seja levar uma arma à tiracolo nestas horas...
Um conselho: se puder descolar uma daquelas máquinas imensas (não me recordo se elas são invisíveis, mas devem ser) que alguém geniosamente criou (dizem...) para fazer tais desenhos gigantescos, será tudo mais fácil. Ao transportá-la até a área de trabalho, faça-o com cuidado e total segredo, pois as pessoas que porventura te verem passando com ela pela estrada, irão querer de toda maneira fotografar este estranho aparelho e saber do que se trata!... E cuidado com a polícia, pois você, logicamente, não tem permissão para trafegar com uma geringonça dessas pelas estradas vicinais e rodovias. Se o terreno for teu, as coisas serão mais fáceis, pois, logicamente, você terá um imenso galpão para escondê-la à salvo de reporteres abelhudos. Ah, esta máquina, com certeza muito cara, e se você não for rico, melhor usar as mãos e os aparelhos comuns mesmo!!!...

Mas vamos continuar a receita levando-se em conta que você não pode dispor de tal máquina. Depois de todo marcado e balizado o imenso terreno, comece o trabalhinho (simples e rápido) de manipular as plantas que resultarão na tua sonhada obra-prima. O ideal, para ficar mais fácil o trabalho e a marcação dos desenhos, seria remover as plantas, mas como se são elas que darão vida à figura?!... Mas, para você que já colheu capim para jumentos e os amarrou em fardos depois, é tudo muito fácil, não é?... Grupos de plantas terão de ser torcidos de modo que façam sombras; outras que façam brilhos ou contrastes; outras serão cortadas, umas totalmente (a maioria) e outras em tufos com altura variável; as espigas, mantidas ou ocultas, assim como a remoção das folhas, ajudarão em nuances sutis dos desenhos; a altura e a torção impostas farão com que as plantas criem sutilezas quando vistas do alto (e, convenhamos, isso é muito simples de se fazer, eu te garanto!)

 Enquanto isso, alguém ficará lá em cima no céu, no meio da noite, num aparelho aéreo qualquer flutuando e orientando a equipe por meio de rádio, e é bom que seja em completo silêncio para não despertar pessoas, vizinhos, fazendeiros, etc. Creio que pelas proporções dos desenhos (depende de tua ambição) e do tempo a ser despendido, serão necessários várias pessoas dentro do aparelho com rádios, orientando os que estão em terra, estes com seus rádios próprios também. As luzes e lanternas do tal aparelho terão de ser mantidas desligadas, de modo que ninguém note que você ou ou sua equipe estão bulindo ali, quero dizer, estragando plantações, embora fazendo maravilhas... Quanto ao problema de como as pessoas do alto enxergarão o que está
sendo feito lá embaixo sem luz alguma, fica para você resolver. Este é um ingrediente da receita que eu não tenho!... Talvez óculos infravermelhos resolvam, mas, de todo modo, fica para você resolver... A esta altura, você já deve ter imaginado os probleminhas simples que surgirão nas comunicações, bem como os desentendimentos inevitáveis... 

As orientações deverão ser precisas, e erros não poderão ser cometidos em hipótese alguma, como tombar tufos de plantas de modo errado, ou, pior ainda, cortar plantas não especificadas no projeto. Felizmente, ao que consta, ninguém errou um desenhos desses até hoje, e nenhum deles foi abandonado por qualquer erro ocorrido.

Se a polícia aparecer, abandone o trabalho imediatamente e tudo o que você levou, e se mande rapidamente dali, pois poderá arrumar uma encrenca dos diabos. 
Quanto ao tal aparelho aéreo, um balão seria muito grande e facilmente seria identificado por pessoas passando pelo local. Um helicóptero chamaria mais a atenção ainda, mas o verdadeiro problema, vale lembrar, seria a quantidade de combustível necessária para se trabalhar por horas à fio. Lembre-se que, se você for pobre, esqueça-os e faça tudo sem referências aéreas mesmo...

À esta altura, creio que algum gênio (talvez o inventor da máquina de desenhar), já tenha inventado um aparelho aéreo adequado e altamente tecnológico para tal, em suma, um aparelho silencioso e invisível, movido à energia solar, mas se você for pobre, ihhhh!...

Com todas estas dicas simples, tenho toda a certeza do mundo que, ao cabo de no mínimo 7 horas de trabalho, a equipe terá feito uma verdadeira obra-prima em meio à escuridão, obra esta, de tal precisão e complexidade, que jamais constou em qualquer bienal deste planeta! E o mais incrível ainda, tudo realizado sem que ninguém tenha visto quem são esses grandes artistas que trabalham na calada da noite, gênios incógnitos e humildes que esnobam peremptoriamente a fama, o dinheiro e o glamour das bienais!!!...



A maior glória, por outro lado, será, no mínimo, fazer as pessoas de palhaço, pessoas estas que se digladiarão para saber quem fez tal obra de arte, digo, enigma assombroso. Umas, se perderão em mil conjeturas e divagações, dirão de "conspirações de extraterrenos", de "pegadinhas de ETs" etc; outras, fotografarão, reproduzirão e lançarão seus trabalhos acadêmicos sobre tal; outras ainda levantarão mil teorias, compararão os desenhos com outros desenhos milenares, com charadas matemáticas, enigmas cabalísticos e afins. Eis tua maior glória, seu maluco genial!

Pensando bem, a Inglaterra deve estar repleta de gente assim - ricos, loucos e desocupados -, enfim, malucos de toda a sorte que gostam de investir em passatempos bizarros, ainda que os resultados sejam maravilhosos! Mas, caramba, onde se esconde essa gente? Quem são eles? Porque não se identificam e ficam famosos de uma vez?!...

E se tudo der errado em tua empreitada de fabricar Círculos Ingleses, amigo, não me venha você depois com conversinhas infames mais malucas ainda, tipo de ETs zoando com a nossa cara, abusando com a nossa boa-fé e outros achaques!!! Onde de já se viu!!!...

A RUA TIRADENTES EM ARARAS - UM DESERTO DE ÁRVORES!!!...





Caros cidadões ararenses, venho através deste post falar aqui de um problema de suma importância, e que passa despercebido pela maioria das pessoas: a falta de arborização nas ruas centrais de Araras. A foto ilustra perfeitamente o que é hoje a mais famosa rua do comércio central da cidade, a rua Tiradentes: uma passarela imensa onde o número de árvores nas calçadas está quase próximo do zero! O mesmo se dá com outra rua comercial, a Júlio Mesquita, e muitas outras ruas do centro. Duvidam? Pois então abram o Google Map e chequem nas fotos aéreas a gritante ausência de árvores. No trecho mais comercial da Tiradentes, compreendido entre as ruas Armando Salles de Oliveira e Chico Pinto, foram contadas apenas 10 árvores nas calçadas, num espaço que em que se alinham 10 quarteirões, sendo que a maioria deles não têm árvore alguma!

Como se sabe, desde a década de 50, quando a cidade começou a colecionar prêmios como uma das cidades que mais se desenvolve no Brasil, com a urbanização e o desenvolvimento industrial, o número de árvores, áreas verdes e quintais arborizados caiu drasticamente na zona central cidade, e esta rua é um perfeito reflexo dessa postura.

É óbvio que ninguém quer uma árvore em frente ao seu estabelecimento, porque, alegam, elas impedem a livre visualização de sua loja, de vitrines e letreiros da fachada, e até mesmo dizem que impedem o livre trânsito dos clientes. Isto para não falar do quesito "vaidade", o de exibir sua loja (e residência) sem entrave algum!... Não sou da opinião que uma pessoa sempre deva olhar para cima para procurar o estabelecimento onde irá comprar toda vez que for ali - quem visitou uma loja uma ou duas vezes, o endereço já estará mentalizado é só voltar ao lugar sem problemas. Além disso, o que mais interessa às pessoas é o que está dentro dela e não fora. Quanto ao "livre trânsito dos clientes", com certeza, há mais carros nas ruas, seja estacionados, seja de passagem, que árvores nas calçadas impedindo o "ir e vir" dos clientes. Esse trecho de rua, aliás, já devia ter sido transformado em calçadão há muito, e mais, ser intensamente arborizado, mas "motivos comerciais" insensatos impedem que isto aconteça!...

O problema é que, em dias de verão, essa "rua pelada" se torna um lugar desagradável, pois fica excessivamente quente e abafado. Mas, o que causa essa chamada "ilha de calor" nesse longo alinhamento de prédios? Como se sabe, as ilhas de calor urbanas são regiões com temperaturas mais elevadas que o normal, pelo fato der reterem calor nas edificações devido à falta de vegetação, acarretando também a problemática diminuição da umidade relativa do ar. Edificações cobertas com materiais que absorvem calor, como as telhas de amianto, comuns em grandes galpões, também aumentam sensivelmente o calor nestas áreas. Isto para não falar no trânsito intenso de carros e sua consequente poluição. O problema é tão grave que especialistas em aquecimento global chamam esses locais de "desertos artificiais". Outro problema comum, é que a falta de árvores também diminui a biodiversidade, além de comprometer as funções estética e de lazer. Indo mais fundo ainda, diria que nestes locais, em dias de verão, é aumentada a pressão arterial das pessoas com predisposição para essas doenças.

A que pergunta que fica é: realmente o comerciante (e o cidadão) ararense age como se realmente morasse na chamada "Cidade das Árvores"? Não nos esquecamos que Araras foi a primeira cidade na América do Sul a realizar uma festa em homenagem às árvores, e considerada por publicações especializadas como o “Primeiro movimento brasileiro de tomada de consciência do problema ambiental”, e até mesmo o “Primeiro movimento ecológico brasileiro”!

Jamais nos esqueçamos que o bosque plantado por ocasião desta festa em 1902, se localizava abaixo da praça “Martinico Prado”, e em 1947, por questões imobiliárias (sempre elas!), foi colocado abaixo! Depois, em 1985, houve outra atitude semelhante: era posto abaixo o belíssimo  Horto Florestal do Loreto, um agradável recanto que, inclusive, devido a sua importância, foi citado no livro “A Onda Verde” de Monteiro Lobato em 1920, lembrando-se que seu criador – o visionário Navarro de Andrade – foi o pioneiro na introdução do eucalipto no Brasil, com a sábia intenção de preservar matas nativas e abastecer as locomotivas com lenhas de plantações desta espécie. Constituía ele um excelente recanto para amantes da natureza, ideal para piqueniques, treckers, ciclistas e os que gostavam de se enveredar e se perder por seus sossegados aceiros. A ruína começou no início da década de 80 com a contrução dos conjuntos habitacionais "Nosso Teto", enquanto canaviais das redondezas permaneciam incólumes!... Ao contrário do seu “irmão” rio-clarense, nosso horto não foi tombado, e, infelizmente, quase recebeu o golpe de misericórdia em 1997, quando novos trechos foram desflorestados para dar lugar a assentamentos!... e os canaviais observavam tudo impassíveis!...
 
Enfim, comerciantes da rua Tiradentes (e outras ruas comerciais), que tal agirmos como se realmente fossemos habitantes da Cidade das Árvores, e, portando-se como cidadãos seriamente preocupados com questões socioambientais, inverter esta crítica situação, cada qual plantando uma árvore adequada em frente ao seu estabelecimento?! Não sou pessimista, mas duvido que estas palavras surtirão algum efeito, e, assim sendo, a única saída será a própria Prefeitura tornar isso uma medida obrigatória!... Ou será que teremos de continuar a viver hipocritamente, ostentando um título "para inglês ver", esse, o da "Cidade das Árvores"?!...

INCONTESTÁVEIS MOTIVOS PARA A REARBORIZAÇÃO DA TIRADENTES!

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