quarta-feira, 29 de abril de 2009

FRASES MINHAS PUBLICADAS NA ABERTURA DE MEU ORKUT

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TEMPOS MODERNOS

Em mulher que gosta de apanhar, bater com prazer. Em mulher que precisa apanhar, bater com penar.

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SARARA, UMA CIDADE ÀS AVESSAS

Em 1920, havia 21 engenhos de pinga em Sarara. Hoje, não há mais nenhum; em compensação, o que há de botecos cheio de pingaiadas!

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FRASES REFEITAS

De barlavento em proa.

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MONDO BIZARRE

O pato e o ornitorrinco: cara de um, focinho de outro.

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LIVRE INTERPRETAÇÃO

Cano de revólver: mictório de valentões.

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COMO DIRIA O MATUZALEM

Nada como um século após o outro!

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TERRA BRASILIS

Analfabetos funcionais: letrados que não funcionam.

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ATINAÇÕES

Câmeras de filmagem de prédios, bancos e afins são ótimas para se filmar Ovnis. Elas tem toda a má qualidade de gravação que as filmagens de Ovnis normalmente exigem.

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A NATUREZA ENSINA...

A nascente não é responsável pelo curso que o rio toma.

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FINAL FELIZ

... e o anjo ganhou a guarda da criança.

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INFANTIS

Xuro que eu nunca mais vou faxer ixo de novo: beixar a Xuxa. Vexam xó que xituaxão ficou minha boca!

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DESDITADOS

Em terra de filatelistas cegos, quem tem um Olho-de-boi é rei.

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sexta-feira, 17 de abril de 2009

O POLÊMICO CASO DAS CAPAS SEMELHANTES DOS ÁLBUNS DA BANDA DE ROCK INGLESA PALADIN E DA BRASILEIRA QUINTETO VIOLADO

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Recentemente, fuçando num blog estrangeiro, o Rock Rula 2, deparei-me com algo que quase me derrubou da cadeira: uma relativamente desconhecida banda inglesa de rock que lançou um disco com a mesma capa de um disco de uma banda brasileira nordestina – e, o mais estranho, ambos os discos lançados no mesmo ano! Mas a descoberta, que, à princípio, pensava ser minha, já estava na rede por obra de outros internautas, porém, ao que parece, a descoberta é antiga e andava esquecida há décadas. Como se verá, o assunto permanece um dos grandes mistérios do meio musical do planeta, uma vez que envolve um dos maiores artistas gráficos criador de capas de discos do show business mundial, o grande Roger Dean.

As bandas envolvidas são a britânica Paladin, de hardrock, com o disco “Charge!” (1972), segundo e último disco da banda, e a outra, a banda brasileira de estilo regional, o grande Quinteto Violado, com seu primeiro disco homônimo, conhecido como “Asa Branca”, lançado no mesmo ano.
 
 É muito provável que a capa pertença mesmo ao Paladin, pois é de se surpreender que uma banda estreante vinda lá do nordeste brasileiro, de Recife, pudesse ter uma capa feita por Roger Dean; não que isto fosse impossível, é óbvio, mas, diríamos, eram dois mundos muito diferentes e distantes. Eu próprio, quando vi a capa pela primeira vez, pensei: “Caramba, em 1972 tínhamos no Brasil um desenhista ilustrador que fazia capas de disco ao estilo do Roger Dean!”. Conheço bem o estilo de Dean: o uso de cores e o traço, e, na verdade, à princípio, eu cheguei mesmo a pensar que o próprio Roger Dean tinha feito uma capa para o Quinteto, mas não havia créditos do artista gráfico no verso do disco, e pairou a duvida.
 
 Assim, fica o grande mistério? O que realmente aconteceu? Sites na internet dizem que a gravadora lançou os dois discos “ao que se sabe, sem o conhecimento prévio de ambas as bandas”. Será? A coisa me cheira à pirataria interna de gravadora. Lembremos que o Quinteto era do cast da Philips, filial da matriz norte-americana surgida em 1950, enquanto o Paladin era da independente Bronze Records (LP Bronze ILPS 9190), gravadora surgida em 1971, a mesma do Uriah Heep, situada em Farm Chalk, London. Aliás, Dean também fez capas para essa banda.

Quanto ao Paladin, a banda se desfez neste mesmo ano, ao contrário do Quinteto, que seguiu adiante com um grande sucesso no Brasil, e relativo sucesso no exterior nas décadas seguintes, e continua na ativa ainda hoje.

Como se sabe, Roger Dean (foto) fez capas para meio mundo, em especial para bandas de rock, se destacando as capas feitas para a banda progressiva inglesa Yes; aliás, a maioria das capas do Yes é de Dean, inclusive o famoso logo. Quanto à capa do Paladin, o site My Space da banda traz o seguinte: “Famous album cover artist Roger Dean, designed THE PALADIN, a rider on a horse, for CHARGE!, claiming it to be one of his most difficult sketches.”. Traduzindo este trecho final, Dean alegou que “se trata de um dos seus mais difíceis esboços”.

O único senão que distingue ambas as capas, é o chapéu do cavaleiro: no disco do Quinteto, foi colocado um chapéu de cangaceiro, identificado pela aba dupla e a típica estrela no meio. O que eu acho mais incrível nesta ilustração, é que tem-se a impressão de que o Dean retratou mesmo um vaqueiro nordestino, naquela famosa pose de quem está rasgando a caatinga no encalço de uma rês desgarrada, e até o chapéu parece mesmo aquele chapeuzinho de couro tão usado pelos nordestinos. O blog Toque Musical trouxe o seguinte sobre este discreto pormenor:

“Em uma época em que no Brasil a questão de direitos autorais valia tanto como a lei que proibia fumar dentro de ônibus. Um tempo em que o respeito pela criação de outro não valia muito por essas bandas do sul (muitos dirão que isso ainda existe... ups!). O fato é que ao lançarem o disco do Quinteto, os produtores resolveram usar uma ilustração do artista gráfico Roger Dean, famoso por seus desenhos em capas de disco de rock (lembram do Yes?). Até aí tudo certo. Só que quem cuidou do trabalho de arte gráfica, achou por bem alterar o desenho, sem autorização do autor, mexendo um pouco nas cores e estilizando o cavaleiro em um vaqueiro nordestino (reparem o chapéu).


Não menos curioso é o fato de o disco do Quinteto nunca mais ter sido relançado com essa capa, o que se deu pela gravadora Philips/Phonogram em 1972, como vimos, mesmo ano do lançamento do Paladin. O site do Quinteto Violado disponibilizou o disco com a capa do Dean (pequenininha...), e afirmou: “Ainda não foi relançado em CD, continua restrito ao formato vinil”. O estranho é que esse disco foi relançado (não sei que ano) e não se utilizou da capa “original” de Dean, sendo colocado, alienadamente, uma foto de umas gaivotas voando num céu azul e ensolarado!... E o disco, que não tinha nome, agora vinha com o título “Asa Branca”, a famosa música do sanfoneiro Luiz Gonzaga, música esta que era o carro-chefe do disco. As aves marinhas eram uma clara alusão à asa branca (a ave da música em questão), que, na verdade, é uma pomba muito comum no nordeste (Columba picazuro, foto). O engraçado é que muita gente que viu esse disco do Quinteto crê que aquelas aves são asas brancas... Como se vê, pintaram e bordaram com o disco do Quinteto!... Esse disco com essa nova capa, foi novamente relançado em 1979, pela Polygram/Fontana, na série “Fora de Série”, selo que relançou diversos discos de inúmeros artistas brasileiros na época.
O mesmo blog Toque Musical, diz em outro trecho da matéria:

“(...) Com certeza, o cara que cuidou da capa do Quinteto nem sabia da existência do Paladin e muito menos do Roger Dean, cujo crédito de criação nem aparece no disco. Não tenho certeza, mas acho que foi quando do lançamento do disco brasileiro no Japão que eles se tocaram para o fato. A partir daí, o primeiro disco do QV passou a ter outra capa.

O blogger Edson d'Aquino, do blog Gravetos & Berlotas, postando uma mensagem no blog Seres da Noite, revelou algo que merece ser checado:

Quanto à questão da ilustração do Roger Dean, estão todos certos. O diferencial é que um cabra da peste apeou um chapéu de cangaceiro no ‘paladin’ que aboiava o pangaré cibernético e vendeu pra Phillips (se não me engano) como se fosse uma ilustração de cordel de própria lavra. Rolou até processo, galera. Acho que a intenção era homenagear Lampião.”


É realmente surpreendente de como essa capa veio parar no Brasil, mais especificamente na Phonogram da Bahia. O livro de Dean, o belíssimo “Album Cover Album”, lançado em 1977, portanto cinco anos após o lançamentos dos discos, traz a capa feita para o Paladin.

Caso o fato citado pelo Edson seja verdade, é provável que esse ousado larápio tenha copiado a própria capa do Paladin. Se repararmos bem, na capa do Quinteto, o céu acima do cavaleiro é outro e há manchas escuras não existentes na capa do Paladin. Como se vê, houve alteração na imagem para que ela pudesse receber o logo do Quinteto.

Em 2008, Dean lançou um calendário que trazia, para o mês de maio, a pintura original do cavaleiro, sem o logo da banda Paladin.

Quanto às gravadoras Phonogram e a Polygram, que relançaram o disco da Philips, na verdade, eram a mesma empresa. A história de ambas começa em 1945, quando surge uma importante gravadora que, décadas mais tarde, tornaria-se uma das majors: a Sociedade Interamericana de Representações (Sinter), que sucessivamente passaria a se chamar Companhia Brasileira de Discos (CBD), CBD-Phonogram, Polygram, Polygram do Brasil e, na virada do século, Universal Music.


A PRIMEIRA CAPA EM AEROGRAFIA NO BRASIL
Sobre o Quinteto, recordo-me que só fui conhecer essa capa “original” em meados da década de 2000, e pensei que o ignorado autor (que o disco do Quinteto não traz os créditos) tinha feito o primeiro trabalho em aerografia para a capa de um disco brasileiro. Até então, tinha para mim que o primeiro trabalho nesse gênero pertencia ao primeiro e único disco da banda nordestina Ave Sangria (1974) – agora, vejo que o Ave Sangria, pelas mãos da equipe do ilustrador Sérgio Grecu, mantém, salvo engano, a primazia no feito; aliás, esta capa é desprezada por toda a banda, que preferia um logo feito pelo Lailson, cartunista de renome internacional, e, na minha opinião, trabalho inferior ao da equipe do Grecu. Lailson comentou esse seu trabalho: Quando o Tamarineira virou Ave Sangria, eles me pediram para fazer a capa e eu fiz um desenho em guache com uma mulher metamorfoseada em ave num cenário de um Nordeste visto com olhos ‘ácido-psicodélicos’”. Segundo o site Senhor F, fazendo referência à capa de Grecu, “o álbum tem uma das mais criativas capas da iconografia roqueira nacional”. Na verdade, reparem que ela não deve nada às capas de Dean. Nada contra o grande Lailson, que eu já conheço dos salões de humor de Piracicaba/SP, e, como o Dean, é artista de renome internacional. Sobre a pintura original e o logo em preto e branco, o baixista do Ave Sangria, o Almir de Oliveira disse: Na capa original, a ave não estava estática, ela voava. Tinha uma caveira de boi, uma coisa nordestina. Porque mesmo sendo rock, tínhamos uma musicalidade do Nordeste”.


OUTROS CASOS DE CAPAS SEMELHANTES

Ao que se sabe, esse caso do Quinteto e do Paladin, pode ser um caso único em todo o planeta. No entanto, há um outro caso algo semelhante, o da banda new wave Siouxsie & The Banshees, que lançou o disco “Tinderbox” (1986), com uma ilustração de capa muito semelhante, ou seja, o mesmo tornado utilizado no disco do Deep Purple, o ótimo “Stormbringer”, lançado em 1974. Quando morava em São José dos Campos, ao ver o disco da Siouxsie & The Banshees, de imediato notei que era a mesma ilustração usada pelo Deep Purple, e cheguei a pensar que era plágio na época.


O caso é explicado no site Wikipedia:

“The cover image of Stormbringer is based on a photo. On July 8, 1927 a tornado near the town of Jasper, Minnesota was photographed by Lucille Handberg. Her photograph has become a classic image, and was used and edited for the album's cover. The same photograh was used for Siouxsie and the Banshees album Tinderbox in 1986.”

Como se vê, ambas as bandas usaram uma antiga foto para comporem suas capas, só que uma delas inverteu horizontalmente seu sentido, bem como a posição do rancho. O Deep Purple, por sua vez, a recriou adicionando um pegaso e um raio, bem como colorindo as nuvens. A foto no original talvez seja em preto e branco, o motivo de a Siouxsie & The Banshees ter feito a capa em cor única.

Há também o caso da banda francesa de progrock, a Harmonium, cujo primeiro disco, “Harmoniun”(1974), tem a mesma ilustração da capa do primeiro disco da banda texana de symphonic prog, a Hands, álbum homônimo de 1977, mas neste caso, nota-se que foi utilizada uma antiga gravura, ao que parece da época medieval, logo, não foi plágio mas mera coincidência de idéias.


Há também o caso de plágio de ideias ocorrido com a banda norte-americana Savatage, cujo disco "Power Of The Night" (Atlantic Records), de 1985, lembra o do banda conterrânea Legs Diamond, com seu disco "A Diamond Is A Hard Rock" (Mercury Records), lançado sete anos antes, em 1978. (Agradecimento pela informação ao amigo Hélio, da comunidade do Deep Purple no Orkut.)


Um outro plágio de ideias, envolve o famoso grupo inglês de hard rock, o Uriah Heep, com seu disco de estreia "Very 'Eavy Very 'Umble" (Bronze Records), de 1970, e a misteriosa Life, banda inglesa de hard e progrock - grupo cuja história está envolta em mistério total - com o seu primeiro e único disco, o excelente "Life After Death" (Polydor Records), de 1974. Confiram:


Um outro caso de semelhante, que passou meio despercebido, foi o das capas dos discos "Sabotage" do Black Sabbath (1975, Vertigo, Phonogram), e o disco solo "One of The Boys" (1977, Polydor, Phonogram) do cantor Roger Daltrey. Notar que as gravadoras são as mesmas...


Um outro caso envolvendo grandes bandas e que também ninguém comentou, foi o da banda de R&B, a Earth, Wind & Fire, e seu disco "All 'n' all" (1977, Columbia/Legacyl) e o Iron Maiden com o disco "Powerslave" (1984, EMI). Não há como negar que as ideias são muito semelhantes.


Um caso curioso também, envolveu as bandas Hotlegs e, acreditem, Alice Cooper! A Hotlegs, cujo cantor seria bem conhecido depois na banda 10CC, o Eric Carmem, lançou seu disco "Thinks: Schools Stinks" em 1970, e a Alice Cooper provavelmente plagiou a ideia dois anos depois em seu "School's Out"...


Um caso recente envolve as bandas Rush e Rusted Soul: a primeira lançou seu primeiro disco em 1974, e a plagiadora em 2009. A Rusted nem teve nem o cuidado de disfarçar as cores das letras, que são a mesma!...



Um caso particular e especial, e não menos curioso, é o que envolve o disco "A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado", dos Mutantes (Polydor, 1970 ), e o compacto "You've got to Pay" (45 RPM 7"), da banda inglesa cult The Only Ones, faixa extraída do disco "Even Serpents Shine" (1979, CBS). Levando-se em conta que os Mutantes fizeram uma representação fotográfica de uma ilustração desenhada com técnica de buril do artista Gustave Doré - a "A Visão do Inferno" -, inserida nos Cantos XXXI-XXXI" do livro "A Divina Comédia" (1315), de Dante Alighieri, é algo arriscado falar em plágio. Apesar de os Mutantes serem bem conhecidos e cultuados na Inglaterra, não se sabe se a banda inglesa conhecia esse disco deles, lançado 8 anos antes.


Veja a ilustração original de Gustave Doré aqui:


E já que estamos falando de inferno, existe, uma famosa ilustração antiga, que mostra um demônio tocando violino ajoelhado ao lado de um homem deitado numa cama, ilustração esta que foi utilizada, salvo engano, por duas bandas de rock, uma alemã, o Cornucópia (disco na versão brasileira, lançada em 1974), e outra italiana, o Goblin (utilizada em alguns discos), as quais, em breve, colocarei as capas dos respectivos álbuns. A citada ilustração representa o compositor Giuseppe Tartini, que sonhou com um demônio tocando violino, e depois compôs uma suíte com o que recordara do sonho, batizando-a de “Devil's Thrill” (O Trilo do Demônio).

OUTROS CASOS ENVOLVENDO GRAVADORAS NACIONAIS E ESTRANGEIRAS, MAS COM UTILIZAÇÃO DAS MESMAS CAPAS

Um outro caso surpreendente, envolve nada mais nada menos que o rei Roberto Carlos, em seu disco de estreia, “Louco por Você” (Columbia, 37171), lançado em 1961, cuja capa é a mesma do LP de Ken Griffin, “To Each His Own” (Columbia CL 1599), lançado em 1946. Por pura ironia do destino, este disco do Roberto é o único em que ele não saiu na capa, e lembremos que este é um dos discos mais raros e valiosos do Brasil, chegando a ser vendido até por 3 mil reais, só perdendo para o “Peabirú” do Zé Ramalho e do Lula Côrtes, que chega a 4 mil reais. Notar que ambos os discos foram lançados pela Columbia, portanto, foi algo que ocorreu entre gravadora matriz estrangeira e a filial no Brasil.




Veja nestes links mais detalhes sobre este caso que deixou o Rei fulo da vida:

Outro caso envolve a capa do quarto disco da banda jovem-guardista Renato e Seus Blue Caps, o LP “Isto é Renato e Seus Blue Caps” (CBS, 37433), lançado em 1965, que é a mesma do LP “Elgart au Go Go”, de Les & Larry Elgart (Columbia Records, CS 9155), também lançado em 1965. Neste caso também, os discos são da mesma gravadora. Lembrar que CBS é a sigla Columbia Broadcasting System. Segundo o blogger Emílio Pacheco, que me forneceu as informações sobre os discos do Roberto Carlos e do Renato e Seus Blue Caps, a "a CBS, nos anos 60, se servia de um 'banco de imagens, por assim dizer'".


Aqui, outro caso envolvendo a mesma gravadora, e novamente o pobre do Ken Griffin, falecido em 1959, teve outra capa sua plagiada, o disco "Sweet and Lively" (1960), cuja capa foi usada no disco "Baby" (Columbia, 1961), do cantor de rock brasileiro Sérgio Murilo.



UM CASO MENOR, O KISS E OS SECOS & MOLHADOS...

Enfim, considero esse caso do Quinteto Violado e o Paladin mais polêmico do que o que envolveu os Secos & Molhados e a banda Kiss – assunto que, embora mil vezes “desmascarado”, nunca sai da ordem do dia – o de que o Kiss imitou a pintura facial dos Secos e Molhados. 

No entanto, o caso em questão é coisa muito séria, e, além do mais, é baseado em fatos reais e com provas materiais, mas quem poderia elucidar este enigma só mesmo o Roger Dean (se é que ele está ciente disso), ou o pessoal do Quinteto e os responsáveis pela então gravadora Philips/Phonogram (Paulo de Tarso e Roberto Santana). 

Este caso só não deu um ibope à altura dos Secos e do Kiss – caso que não passa de mera especulação, palavra de um contra palavra de outro – , porque o Paladin não veio a se tornar uma banda famosa assim como Kiss, bem como o Quinteto não é tão popular fora do Brasil. Do contrário, com o sucesso de ambas as bandas, isto poderia ser comparado ao Secos & Molhados roubar a capa de um disco do Kiss, ou vice-versa. Já imaginou o ibope e a polêmica? Mas, sou da opinião que este caso do Quinteto e do Paladin é um assunto está crescendo e ganhando popularidade entre os rockeiros do Brasil e de todo o mundo, e esta é uma colaboração minha - e colaboração não pequena, reconheça-se -, pois fui mais fundo no assunto do que todos os outros internautas que escreveram sobre ele. E por falar nos Secos & Molhados, antes de findar este parágrafo, o que você me diz disto, amigo?



Pois é, aproveitando o megasucesso do grande Secos & Molhados, uma nova banda veio em sua cola, o malfafadado Assim Assado, grupo que não passou do primeiro disco. Lançado no mesmo ano que o segundo do Secos & Molhados, 1974, o disco passou despercebido e não aconteceu. Hoje, é mera curiosidade para se baixar nos blogs, mas se diz que o som da banda é competente e merece ser checado.

O blog Brazilian Nuggets (onde você pode baixar o disco), comenta essa banda:

“O nome da banda e a capa do disco revelam explicitamente a influência: Secos e Molhados. Investindo na androgenia, no rock progressivo e no samba-soul, Assim Assado tentou ser uma resposta da pequena Companhia Industrial de Discos ao enorme sucesso que os Secos e Molhados faziam junto ao público jovem. Liderado por Miguel de Deus (ex-Brazões), que assina a maioria das composições e assume a guitarra e os vocais, o grupo nunca chegou a decolar, deixando apenas esse único disco, hoje quase esquecido. Curiosidade: em 1977 Miguel de Deus cai de cabeça no funk, lançando o bastante interessante (e raro) ‘Black Soul Brothers’”.

Ah, lembrem-se que “Assim Assado” é nome de uma das músicas deste LP dos Secos & Molhados...
 
Quando me refiro ao plágio de capas envolvendo o caso dos Secos & Molhados, como se não bastasse o fato de o Assim Assado se batizar se apropriando do nome de uma música dos Secos & Molhados, digo que houve um "plágio" no que diz respeito ao Assim Assado fazer uma capa no mesmo estilo: as cabeças pintadas numa mesa, as cabeças pintadas num caldeirão... É um truísmo berrante e garrafal que aquilo tudo é clara alusão aos Secos & Molhados, para ser mais específico, no mínimo, plágio de ideias. O curioso da história é que a "comida" dos Secos & Molhados chegou à mesa e foi servida (e bem servida!); a do Assim Assado não passou do caldeirão... Aliás, que eu saiba, ninguém assa coisa alguma em caldeirão... Brincadeiras à parte, o disco do Assim Assado é sim um bom disco, e quanto ao músico Miguel de Deus, é um grande musico, e o disco que ele lançou três anos depois da dissolução do Assim Assado, o "Black Soul Brothers", é um clássico e cultuadíssimo disco de soul music. Aliás, sobre esse disco, foi feito um documentário em 2008.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como o assunto predominante neste post tem a ver com rock, antes de encerrar, imagino que muito internauta irá perguntar o que o tal do Quinteto Violado tem a ver com rock. Pois bem: só para ficar em três bons exemplos de bandas que fundem música nordestina com rock, lembro o Jorge Cabeleira, o Cordel de Fogo Encantado e, por último, o Mestre Ambrósio. Ops!, ia me esquecendo: tem eu também... pois é, modéstia à parte, também sou cria direta do Quinteto, que, junto com o Ave Sangria, o Hermeto Paschoal e o Quinteto Armorial, são a minha principal escola de música nordestina (sou guitarrista/violonista).

Aproveito este espaço também, para fazer uma homenagem ao grande mestre Toinho Alves (foto), um dos cabeças do Quinteto, que faleceu em 29 de maio de 2008 – uma perda mais que irreparável para a música brasileira, e, porque não, para a mundial. Prometo numa futura postagem, fazer uma dissecação dessa genial banda nordestina, que tinha qualidade instrumentais únicas no país.

Aqui, para os que quiserem checar, os links dos outros blogs que escreveram sobre este assunto antes de mim. Neles, inclusive, os internautas poderão baixar ambos os discos do Quinteto e do Paldium, que são duas pérolas:

VEJAM ABAIXO OS COMENTÁRIOS DO LAILSON, DO SERGIO GRECU E DO ADILSON, QUE JÁ LANÇARAM ALGUMA LUZ NO MISTÉRIO NO CASO DO QUINTETO E DO PALADIN!

BIBLIOGRAFIA
33 fontes
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sábado, 11 de abril de 2009

CHEIRO ELETIVO – ENTENDA ALGUNS INSUSPEITOS MOTIVOS DO PORQUE DE MUITOS CASAIS NÃO SE COMBINAREM



"A infância, a adolescência, a mocidade, a saúde e
a beleza sempre cheiram bem. A aca, o bodum, a
catinga, o xexéu, a inhaca, o chulé e o fartum são os
fedores corrompidos da maturidade, da velhice, do
desgaste, da doença, dos pré-cadáveres. O cheiro do
corpo normal é parte do halo sexual das criaturas. O
corpo humano, na sua superfície e cavidades acessíveis
é tão profundo e complexo como a alma que dizem que o
habita como sopro de vida ou divino. Ambos são difíceis
de explorar; mas o primeiro tem de sê-lo com todos os
sentidos: tacto, vista, gosto, ouvido, olfato. Os cheiros
do macho ou da fêmea são viceversamente afrodisíacos."
(Galo das Trevas. Pedro Nava. 1981)


No final da década de 1980, comprei uma revista de Psicologia – da qual hoje só me resta uma xerox–, onde havia uma curiosa matéria denominada Eros versus Tanatos, de autoria de tal de U. R. Num de seus tópicos, o articulista comentava sobre a teoria da afinidade eletiva (isto é, de eleição, de escolha, de aceitação), afirmando que ela é de origem psicológica: gostamos de estar na companhia de quem gosta de estar conosco, gostamos de conversar com quem tem gostos e idEias semelhantes às nossas. Esta atração pode ser de dois tipos: circunstancial ou essencial. Exemplo de afinidade circunstancial: a que se estabelece entre dois poetas, dois bêbados, dois esportistas. Ela decorre do interesse por questões de auto-satisfação: servimo-nos da companhia de alguém em busca de bem-estar, para se completar e sentir o prazer da convivência. Já a afinidade essencial é mais rara: ela extravasa do psiquismo para se radicar na pessoa em toda a sua plenitude – ela não é apenas psíquica, mas psicofísica, uma vez que nossas emoções têm bases químicas.

A matéria comentava também a teoria do “cheiro eletivo”, cujo autor é o sexólogo alemão Fritz Kahn (1888-1968, foto), que escreveu o clássico livro “Nossa Vida Sexual” (1939). De acordo com esse conceito, um casal deve, antes de tudo, “cheirar-se um ao outro”. Segundo ele, há moças lindas que permanecem solteiras porque o seu “cheiro” a ninguém agrada e em ninguém encontra correspondência. Por outro lado, quando há afinidades no cheiro de ambos, essa química entre homem e mulher poderá mantê-los em união permanente, mesmo que haja ausência de afinidades psicológicas. Quando a união se complementa positivamente com esse último ingrediente, tem-se o chamado “casamento de eleição”. 


No entanto, acho que o Fritz Khan afirmar que há moças lindas que permanecem solteiras porque o seu “cheiro” a ninguém agrada, é colocação indevida. O correto seria ter escrito “pessoas” e não “moças lindas”, já que o cheiro independe do sexo e da beleza da pessoa.

Como se vê, essa teoria guarda relações com a supracitada teoria da “afinidade eletiva”, a mesma que batizou uma obra do escritor, poeta e filósofo Johann Wolfgang Goethe (1749-1832, gravura), o famoso livro “As Afinidades Eletivas” (1809).


OLFATRÔNICA, UMA CIÊNCIA ESQUECIDA?

Num exemplar de 9 de janeiro de 1969 da revista Fatos e Fotos, encontrei uma reportagem com assuntos envolvendo olfato e odores. À título de curiosidade, vou comentar os trechos pertinentes ao tema. 

Dizia ela, embasada em pesquisas levada à cabo por uma nova ciência, a Olfatrônica, que o homem emite cerca de 100 substâncias sob a forma de vapores, e que as pessoas sempre deixam uma parte de seu cheiro nos lugares em que passam ou frequentam, e desses 100 vapores, 30 a 50 são comuns a todos nós. 

As pesquisas foram empreendidas pelo Dr. Andrew Dravnieks (1912-1986), então chefe do Departamento de Olfatrônica do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, e um dos pioneiros em diversos campos de estudos relativos a olfato e odores. Segundo ele, “o retrato olfatrônico de uma pessoa é formado pelo desenho ou pelo padrão das substâncias específicas dela emanadas.”

Dizia ainda a reportagem que

“Como todos os odores humanos resultam de processos biológicos, as alterações nas assinaturas olfatrônicas poderão alertar os médicos para determinados distúrbios, prevenindo doenças, muitas delas de alta gravidade. Já se sabe que os centros médicos mais avançados usam o olfato no preparo de diagnósticos e que cerca de 50 condições patológicas estão associadas a odores.”

Dizia ainda que “um dos fatores que mais alteram o retrato olfatrônico é a dieta alimentar”, e que “os perfumes não abalam o registro olfatrônico.”


A HIPERSENSIBILIDADE OLFATIVA NUM TEXTO LITERÁRIO


O escritor Luís Jardim (1911-1987, gravura), numa das curiosas passagens de seu livro ótimo de memórias, "O meu pequeno mundo" (1976), descreve com minúcias as complicações que teve desde a infância com seus problemas de hipersensibilidade olfativa, destacando-se o fato de o quanto o distúrbio complicou-lhe a vida social e afetiva:


“Às vezes admito, em vagos instantes de bom devaneio, que lhe sinto o cheiro resinoso que vem de longe. Vem do distante onde mora a impossível saudade – a saudade que se misturou com as coisas mortas.
O cheiro travoso do meu querido Cajueiro... Em relaçäo a cheiro fico cheio de curiosidade. Indeciso mesmo, reavivando lembranças do meu passado infantil, estranho, triste e atrapalhado, porque entre as minhas esquisitices avultaram os cheiros. Era, e ainda é hoje, e bastante, como se eu tivesse um instinto meio canino. Realmente, näo era pelos olhos que eu orientava as minhas paixöes – simpatia e antipatia, de modo particular. Digo a verdade: era pelo olfato. O julgamento que no meu íntimo eu fizesse de quem quer que fosse, dependeria do cheiro que eu sentisse. Como me afastava de pessoas que recendessem forte ou das que, pior ainda, tresandavam cheiros acres! O vinagre me causava repugnância, assim como o cheiro de sola, razão por que jamais me acerquei da tendinha onde Dona Sapateira trabalhava. Suor antigo, embebido em camisa de menino ou homem, em blusas de menina ou mulher, obrigava-me a que eu tivesse de quem as vestia uma impressão restritiva: mau gosto, porcalhões, faltos de inteligência, provocadores das narinas alheias. Para lavar essa primeira impressão, desprimorosa, era preciso tempo, certeza de que água e muita água enxaguara os panos de mau cheiro.
A partir de oito ou nove anos, época dos primeiros namoros inconsequentes, jamais me engracei de nenhuma menina sem antes me aproximar dela para sentir-lhe o odor. Muita paixão se derreteu, uma me deixou longa lembrança, mas por infelicidade a graciosa menina encheu-se de perebas, e o enxofre foi o remédio que lhe aplicaram. O odor sulfúrico incompatibilizou-me de tal maneira com essa menina, que passei a detestá-la, como se a garota fosse um diabinho de saia com o mau cheiro infernal das lendas.
Nenhuma força ou autoridade me obrigaria a pegar em candeeiros de querosene. Certa vez, não sei como, sujei as mãos de gás, como se chamava querosene. A consequência foi a presença imediata de Joca, o farmacêutico irmã de Seu Veloso, meu tio afim, para me dar remédio forte que estancasse os meus vômitos incoercíveis. De tanto vomitar, acabei tendo uma sincope.
De onde me veio essa repugnância olfativa, essa idiossincrasia, se nenhum ascendente meu em tempo algum demonstrou sinais de ojeriza mórbida? Nasci assim, talvez, com a vida complicada como previra a minha Nanã. Poderia também ser antecipação da asma, que já se manifestava, obrigando-me a roncar como um gato. A asma passou – eu já com uns dez anos – e qualquer que tenha sido a causa dessa estranha anomalia, dela ficaram fortes resquícios que até hoje me indispõem, física e moralmente, contra certos cheiros.
Reluto ainda agora, fiel às minhas esquisitices de criança, com a ideia de que o bonito possa cheirar mal, assim como conservo a noção antiga de que beleza tem relação ou é forma objetiva de bondade.
(É preciso esclarecer desde já que as palavras, digamos adultas, que emprego hoje e tentam exprimir os meus sentimentos, as minhas impressões e reações de menino, correspondem – é compreensível – ao estranho que já pairou, vagueou no íntimo do garoto complicado que fui. Paradoxalmente, sofro ainda hoje, já velho e a finar-me, a herança de mim mesmo, representada por esquisitices e atitudes que nÃo me facilitaram, ao contrário me atrapalharam bastante a vida. Não sei se diga bem, mas sinto que a minha sombra escura de menino não larga o adulto que sou. Nasci predestinado a tarja quase permanente.”) 


NOVIDADES

Recentemente, numa matéria publicada pela revista Veja, em maio de 2008, intitulada "A genética da paixão - A ciência começa a desvendar um dos mistérios do comportamento humano: a escolha do parceiro amoroso", voltei a ter novidades sobre o assunto. A articulista da revista, a certa altura, perguntava:

“Por que nos apaixonamos por determinadas pessoas e não por outras? Quais os mecanismos que deflagram a atração por alguém?”

Na matéria, eram apresentadas “novidades” científicas que provavam que por trás da beleza da pessoa desejada, há outras coisas que pesam muito na escolha de uma companhia ideal, ainda que a maioria das pessoas não se dêem conta disso, ou, pelo menos, não lhes dê a devida atenção. Acontece que algumas destas “outras coisas” já era conhecida dos antigos, e foram estudadas há muito tempo atrás, como os estudos do sexólogo Fritz Kahn. As citadas pesquisas recentes revelaram que a atração romântica e sexual é despertada não só pelos quesitos beleza física, charme pessoal e inteligência, mas também por mecanismos mais complexos. São processos que, além de envolver os cinco sentidos, incluem também o sistema hormonal e, principalmente, a predisposição genética peculiar de cada ser humano. E essas características só são descobertas e analisadas depois que um homem e uma mulher ultrapassam o estágio crucial da descoberta da atração mútua.


Sabe-se que o ser humano separou-se de outros animais ao comunicar-se de forma verbal, emitindo conceitos, raciocinando por analogia, e isto resultou na diminuição de diversos sentidos seus – ele possui olfato, visão e audição pouco sensíveis, sendo que o olfato é o menos apurado. Este seria, a grosso modo, o motivo de a maioria das pessoas não levarem seus cheiros e sabores em conta na hora de se elegerem como parceiros.



VIVÊNCIAS PESSOAIS

Tomando-me como exemplo dessa questão de afinidade de cheiros, lembro-me que, na virada das décadas de 80/90, larguei de uma namorada, pois o cheiro natural dela, de certo modo não me agradava, e não estou dizendo que ela cheirava mal – era questão de compatibilidade química,mesmo. E mais, nem o sabor do beijo dela me agradava, e repito, não era questão de higiene bucal nem má conservação de dentes.

Lembro-me de um amigo que me disse, certa vez, que dois tios seus que moravam na roça, gostavam do cheiro natural um do outro, e, por isso, dispensavam o uso de sabonete e perfumes: a mulher, dizia que o marido cheirava à goiaba, e ele, dizia que a mulher também tinha aroma de fruta, mas eu não me recordo qual. Lembro-me que tive namoradas que tinham um cheiro natural delicioso, e era muito bom ficar abraçado à elas, cheirando-as...

Certa vez, eu disse à um cunhado meu que, estando eu com os olhos vendados, reconheceria (e reconheço mesmo) uma namorada em meio à dezenas de outras mulheres só pelo cheiro. Ele riu de mim e disse que isso era impossível. Eu respondi: – “Então, acho que você não deve conhecer muito bem a sua esposa...”

A má higiene, do mesmo modo que os perfumes, pode “esconder” o cheiro natural de uma pessoa – obviamente, uma pessoa má asseada, com o corpo contaminado por resíduos estranhos, tem seu cheiro natural alterado de modo a não ser possível, às vezes, reconhecer seu cheiro, diríamos, original. A alimentação também conta muito no cheiro corporal. Eu mesmo, certa vez, tomei cápsulas naturais de óleo de alho, bem como cápsulas de complexo B, com a finalidade de espantar insetos pois ia acampar, e, na época, meu pai me disse que eu estava com um cecê danado – problema que jamais tive. Foram as benditas cápsulas!...

Quando trabalhei em São José dos Campos, conheci uma menina lindíssima e me apaixonei por ela – trabalhávamos lado a lado, até que chegou o verão... A garota suava às bicas, deixava marcas de suor em sua camiseta branca, e o cheiro era forte, e não era por questões de higiene – era condição natural de si mesma. Final das contas: desisti da garota. Por outro lado, a vi namorando dois sujeitos pelo menos, no tempo em que morei em São José. Numa empresa em minha cidade, Araras/SP, trabalhei com um chefe cujo suor cheirava à urina e, repito, não era falta de higiene, além disso, ele namorava uma garota da mesma empresa. Fica pergunta: Será que, em ambos casos, eles não sentiam este cheiro “anormal” de seu parceiro, ou o cheiro não os incomodava? A genética talvez responda este mistério. Mas lembremos que existem pessoas com olfato (ou o paladar) tão privilegiado e sensível, que essa qualidade pode virar uma rentosa profissão se elas souberem aproveitá-la. Assim, essas pessoas podem vir a se tornar requisitados profissionais como provadores de perfumes, cafés, queijos e vinhos. Eu mesmo, tenho um olfato tremendo, e talvez seja essa minha “qualidade” que me faz sentir cheiros que talvez poucos sintam...


CASOS HISTÓRICOS


Sabe-se que o imperador francês Napoleão Bonaparte (1769-1821, gravura ao lado), quando estava voltando de alguma campanha no exterior, mandava avisar com antecedência sua bela esposa Josefina de Beauharnais (1763-1814, gravura abaixo), que estava chegando a cidade e que era para ela não tomar banho até ele voltar. O libidinoso general queria que ela assim procedesse de modo a recebê-lo com seu cheiro natural de mulher...

Há quem veja nisto um pouco de exagero e excentricidade do imperador, mas é uma realidade para para certas pessoas. Cá no Novo Mundo, curiosamente, a história nos diz que, na época do descobrimento, era uma situação assaz desagradável para os nossos índios (que normalmente tomam banho diariamente), receberem os portugueses mal-cheirosos, com toneladas de roupa ensebadas, sem tomar banho há meses em suas caravelas!


AINDA AS NOVIDADES

A mesma matéria publicada na Veja, citada anteriormente, entrou fundo nestas questões endócrinas e comportamentais. Eis o trecho publicado com o assunto que nos interessa:

“Prosaico como possa parecer, o cheiro – não o dos perfumes, mas aquele que o corpo exala naturalmente – também serve como um filtro na escolha do parceiro ideal. Entre os muitos genes que influenciam o funcionamento do sistema imunológico está o chamado complexo de histocompatibilidade (MHC, na sigla em inglês). Esse grupo de genes, presente em todas as espécies de mamífero, codifica as proteínas que agem no sistema imunológico. Quando essas proteínas são secretadas via suor, deixam um odor característico. No caso de o MHC dos pais ser muito parecido, há risco de a gravidez ser interrompida. Pesquisas com ratos provaram que, ao cheirarem a urina uns dos outros, eles evitam copular com os que têm MHC semelhante. Um estudo da Universidade de Lausanne, na Suíça, mostrou que o mesmo ocorre com humanos. Os autores do trabalho pediram a um grupo de mulheres que cheirasse camisetas usadas por homens durante duas noites, sem a influência de desodorantes ou perfumes, e apontasse qual odor mais lhe agradava. As mulheres preferiram o cheiro de homens com o conjunto de genes ligado ao sistema imunológico diferente do seu. O MHC está presente também na saliva. Em conseqüência disso, os beijos trocados entre homens e mulheres, sem que eles saibam, podem atuar como um teste para verificar se o MHC de cada um é adequado a um relacionamento que inclua a constituição de uma prole. 'E como se a evolução direcionasse as espécies a formar casais capazes de gerar descendentes imunologicamente mais aptos', explica a geneticista Maria da Graça Bicalho, coordenadora do Laboratório de Imunogenética da Universidade Federal do Paraná. Aos poucos, o estudo dos genes mostra como nos movemos para eleger o parceiro ideal.”



CONCLUSÕES E DICAS

Curioso e surpreendente, não é, amigos? Então, daqui para a frente, para o meu, o seu e o nosso próprio bem, manda a conveniência que, honrando nossos instintos ancestrais, lancemos mão dessas propriedades organolépticas “adormecidas” que normalmente passam despercebidas de nós, como o olfato e o paladar. Então, cheiremos previamente a pessoa que desejamos ter como companheira para o resto de nossos dias, bem como a beijemos com mais atenção, atentando para as sutilezas que ambos os atos implicam, fazendo-o como quem cheira e prova um vinho finíssimo. Recomendo também, para quem já namora, que preste mais atenção ao cheiro de sua companhia depois de um banho de ducha, rio ou mar, isto, sem que ele tenha o seu cheiro natural embotado por sabonetes, protetores solares, repelentes e outros artifícios. Assim, amigos, o verdadeiro cheiro da pessoa que você elegeu para sua companhia poderá ser sentido em toda a sua plenitude.



Fontes (7):
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