segunda-feira, 25 de agosto de 2008

COINCIDÊNCIA OU NÃO?



Sou um velho colecionador de imagens interessantes e curiosas, e hoje, trago aqui algumas dessas curiosidades que pincei aqui e ali ao longo dos anos, e achei que é chegada a hora de dar-lhes forma e divulgar.

SEMELHANÇAS...

Aqui, o famoso retrato de Da Vinci, a “MonaLisa”. Abaixo, à esquerda, a atriz Simone Spoladore, no personagem Maria, da minissérie “Os Maias”; à esquerda, a atriz portuguesa Maria de Medeiros. A Simone, na pose, a gente dá um desconto, mas a atriz portuguesa chega a parecer um pouco a célebre Monalisa.



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COINCIDÊNCIAS...

Na figura abaixo, a primeira imagem é um desenho à bico de pena do famoso desenhista peruano Percy Lau (1903-1972), que faz parte de seu célebre livro "Tipos e Aspectos do Brasil" (1942), publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (para o qual Percy trabalhava). Os desenhos de Percy - "o ilustrador mais visto do Brasil" -, retratam a diversidade do ecossistema e do povo brasileiro, e sabe-se que estas mesmas ilustrações, foram usadas em outros livros de Geografia e História que formaram várias gerações: uma infinidade de crianças que viajaram o Brasil nos fiéis desenhos de Percy! A outra imagem a foto, é do nosso conhecido ator, o Paulo Gorgulho, num close tirado durante as gravações da novela Pantanal, em 1989, como o personagem José Leôncio. O fotógrafo se inspirou em Percy ou não?



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PROPOSITAL...

A pintura abaixo é o famoso "Lição de Anatomia do Dr. Nicolas Tulp", do pintor Rembrandt, 1632. A foto, é da peça teatral “A Controvérsia”, do ator Paulo José. Baseada em texto de Jean-Claude Carriére, a peça remonta à 1550 e narra o debate entre o missionário Bartolomeu de Las Casas (Matheus Nachtergaele) e o padre Sepúlveda (Otávio Augusto), realizado em torno da seguinte questão: os índios teriam alma? Essa disposição dos atores na foto, eu acho que é proposital mesmo e faz alusão aos famosos quadros.

Agora, veja esta: na foto seguinte, a capa de um disco da banda de rock Ten Years After, em que se vê uma estátua que parece ser uma das 12 estátuas dos profetas que ficam na basílica de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, Minas Gerais. À direita, estátua do profeta Joel, do Aleijadinho...














O problema é saber que raio de estátua é esta no disco do Ten Years After, pois ela não é uma das estátuas do Aleijadinho. Mas a semelhança é impressionante.


Esta, é de um flagrante de marinheiros norte-americanos em um bordel de Natal, Rio Grande do Norte, durante a campanha da II Guerra Mundial, e a outra a capa do disco "Muscle of Love" do Alice Cooper, de 1974, último disco com a banda original. A semelhança de ambiente - ambas com marinheiros em bordéis, e a semelhança de gesto do marinheiro norte-americano e do baterista Neil Smith é notável.
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terça-feira, 12 de agosto de 2008

30 ANOS DA "ESTRÉIA" DE ZÉ RAMALHO EM 1978

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Galera, diretamente do BAU DO COBRA, a primeira, ou uma das primeiras reportagens com a "estréia" de Zé Ramalho, dada para a extinta revista Música, após o lançamento do seu primeiro disco solo em 1978.

EM BUSCA DO GOSTO POPULAR

Ele veio da Paraíba, é fanático por violeiros e não tem pretensões de inovar nada. Mas já conseguiu, no seu disco de lançamento, juntar Sérgio Dias, Dominguinhos e Patrick Moraz.

Humberto Brigatto Jr e Ângela Cristina de S. Dias.

Em lugar dos bisturis, as cordas de uma viola, O receituário foi preterido pelas partituras ou pelo guardanapo de uma mesa de bar, sempre à mão para a inesperada inspiração. E em lugar do consultório, o palco. Felizmente para a música popular brasileira, isso aconteceu a José Ramalho Neto, que, entretanto, não deixou de lado as fortes e marcantes influências de sua pequena cidade natal na Paraíba, Brejo do Cruz, e de toda a região Nordeste. Junto a características tipicamente regionais – Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro –, estão também Roberto Carlos, Beatles, Rolling Stones e Caetano Veloso.

Morando com violeiros – Por sinal, os primeiros shows do ex-universitário a que João Pessoa e Recife assistiram desde 1971 até quase três anos mais tarde, deliciavam seus poucos espectadores com músicas de Caetano. A saída eram os bailes “para livrar uma nota”, como se defende Ramalho. “A primeira oportunidade concreta surgiu quando Alceu Valença me convidou para participar do Festival Abertura, no início de 75. Foi minha primeira experiência com o público sul, o que foi muito duro, pois achava as pessoas difíceis, bem como o sistema das gravadoras e das rádios.”

Nessa mesma época, empreendeu um trabalho ao lado de Tânia Quaresma para o filme “Cordel, Repente e Canção”, o que viria a despertar o interesse pela cultura dos violeiros, repentistas, emboladores e pela linguagem de cordel e os versos, ingredientes até então acomodados em suas origens.

As coisas começariam a melhorar logo em seguida, quando, ainda ao lado de Alceu, excursionou durante todo o ano pelo Brasil. E, é lógico, a região que mais mexeu com seu potencial criativo latente foi a Paraíba, Pernambuco, Ceará, as cidades de Juazeiro do Norte e Grato, onde conviveu com violeiros. “Cheguei a morar na casa deles, ouvindo e vendo o modo deles viverem, de exercerem sua profissão, seus sofrimentos.”

Com tudo isso, assimilava e reunia fatores para a elaboração de seu próprio trabalho, que começaria a ser estruturado depois de terminado o show, ao retornar à Paraíba.

Preguiça — Alguns teipes na bagagem, descia outra vez para o temido sul, escorado agora pelas lições dos violeiros. “Essa posição de artista do povo, que fica lá no meio de uma feira com um bocado de pessoas ao redor, é um exemplo de profissionalismo fantástico, porque eles vivem realmente só daquilo. Só sabem cantar e tocar, vivendo da maneira mais humilde e mais rica possível.”

De novo o Rio de Janeiro não o receberia de braços abertos, apesar de a crítica especializada chegar a apontá-lo, no final de 77, como a revelação do ano. “Fiz pequenas apresentações por uns dois anos em shows de entrevistas coletivas de artistas. Na batalha com as gravadoras, senti que havia preguiça por parte das primeiras, mesmo se gostassem do meu trabalho. Mas as pessoas já começavam a me conhecer.”

No entanto, a sorte estava para mudar. Através do produtor Carlos Alberto Sion, era contratado pela CBS para a realização do elepê “Zé Ramalho”. Nele conseguiu colocar, lado a lado, o ex-Mutantes Sérgio Dias, Paulo Moura, Altamiro Carrilho, Dominguinhos, Geraldo Azevedo, Chico Batera e até mesmo Patrick Moraz, que contribuiu tocando sintetizador em “Avohai”, uma homenagem ao patriarca da família Ramalho. Dessa forma, unindo os mais variados representantes de diversos gêneros musicais, confirma sua definição para o elepê de estréia. “Há unidade no disco, mas não há estilo. Tem música instrumental, choro, elementos urbanos, de rock, rurais, linguagem de violeiros. Não vejo estilo nenhum nas músicas, mas vejo unidade, pois o som tem “n” formas de você tratá-lo, de você somar e agregar a outras formas.”

Despretensioso — O disco pode não ter um estilo definido, mas as pretensões de seu intérprete denotam uma busca de seu objetivo máximo: o povo. “Quem compra disco é o povo. Os intelectuais recebem de presente das gravadoras. Eu nEo sei se vou conseguir atingir a massa do povão com esse disco. Ele é muito meu interior, o meu espírito.

Mas eu já sinto uma necessidade de falar para o povo, que é uma coisa que cada dia está entrando mais em mim”, Tal preocupação inicia-se pela própria afinação de sua viola de 10 cordas, baseada na de Zé Limeira, cantador e violeiro paraibano, já falecido. “A viola de 10 cordas dá maiores condições para você combinar as notas em terças, inclusive afinar as cordas todas numa nota só. Zé Limeira fazia isso e também me colocou em contato com uma dimensão de linguagem de repentista, uma linguagem totalmente surreal. As pessoas diziam que suas coisas não tinham sentido. Talvez não tivessem um sentido poético, elegante, mas eu as acho um caleidoscópio.”

E onde se coloca Zé Ramalho na música popular brasileira? A resposta é direta e soa convincente na voz grave deste paraibano de 29 anos, que conseguiu superar as dificuldades iniciais e agora já pode mostrar seu trabalho em temporadas nos teatros Tereza Raquel, no Rio, e São Pedro, em São Paulo, e especiais para a televisão, fora os que gravou para a Cultura e Bandeirantes. “Não tenho pretensão nenhuma de me situar como inovador de nada. Estou fazendo meu trabalho da forma mais espontânea, corno eu gosto de fazer qualquer coisa, Só que ele é de uma realidade muito grande e eu nEo tenho dúvida nenhuma do que estou apresentando.

E não é fácil você se estabilizar com música, principalmente sendo estreante. Se a coisa fosse fácil, todo mundo era!”

A PRIMEIRA RESENHA DE SEU PRIMEIRO DISCO, NA EXTINTA E CONCEITUADA REVISTA SOM TRÊS


Zé Ramalho. Dito da Paraíba. Também estréia com atraso. É seu primeiro disco (CBS), além de um sound-group original e marcante, confirma que a técnica do spreech-song ( a spreechgesang de Schoenberg) já estava, há muito, na mastigação dos cantadores nordestinos.

(Maurício Kubrusly)

g. 65.


O ZÉ RAMALHO, ANTES DE PARTIR PARA A CARREIRA SOLO


Em fevereiro de 1975, no Festival Abertura da Rede Globo, onde se apresentou com Alceu Valença e Lula Cortes, com o hit "Vou Danado Pra Catende", inspirado em versos do poeta modernista pernambucano Ascenso Ferreira.

Veja esta apresentação no You Tube:

http://www.youtube.com/watch?v=rnc84s-i3ew


A banda de Alceu, na revista Geração POP em novembro de 1975: Zé Ramalho (viola), Zé da Flauta, Paulo Rafael (guitarra), Alceu e Almir de Oliveira (baixo).



A banda, na revista Geração POP em março de 1976: Alceu, Zé da Flauta, Israel Semente Proibida (bateria), Paulo Rafael e Zé Ramalho.



FONTE:

Contatar autor.

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segunda-feira, 4 de agosto de 2008

O VOCALISTA PERCY E O MADE IN BRASIL: ARQUIVOS

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CLUB ROCK: - (...) como entrou para o Made in Brazil?
PERCY: - Em 1975 Cornelius saiu do Made e o percussionista Fenilli, que estudava com meu irmão, sugeriu o meu nome...


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PERCY NO MADE, PRESTES A GRAVAR O SEGUNDO LP

Geração POP. Vem aí o 2º LP do Made. Hit Pop. Editora Abril. Nº 39. São Paulo, jan. 1976, pág. 3.

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O CÉLEBRE DISCO, COM O DEBOUT DE PERCY, E A PRIMEIRA CRÍTICA NA REVISTA POP, NO LANÇAMENTO, EM JULHO DE 1976


Jack, o Estripador – Made In Brazil (RCA)
O Made In Brazil, como todo bom grupo de rock, faz tudo para não complicar muito as coisas — e consegue. Sabe que o rock foi feito para dançar e despender energia. Desse modo, numa época em que os grupos brasileiros andam com mania de imitar o Yes, o Made lança um LP que é pura alegria e descontração: rock básico e direto, pra ninguém ficar sentado. Este é o segundo LP do Made onde eles eliminam todos os grilos de produção que existiam no primeiro.

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O ALEGRE MASSACRE DO MADE IN BRAZIL

por Angela Dust

Made In Brazil é um daqueles grupos de rock que não podem ser julgados pelos padrões normais da critica musical. Eles não são grandes músicos, não produzem grandes obras e não têm a menor pretensão de passar à história ou figurar em enciclopédias.

A grande vantagem do Made sobre as demais bandas de rock nativo, no entanto, é a sua cristalina consciência de que o rock é um gênero musical de consumo imediato, a esbaldante despretensão com que realizam sua fissão de clichês pop. Em Massacre, o novo espetáculo de Oswaldo Vecchione & Cia., mais uma vez fica provado que o Made, apesar da aparente inabilidade instrumental, esta dez mil anos à frente de qualquer Mutantes da vida. O Made tem um público específico, um público que não se contenta em ficar sentado nas poltronas e assistir passivamente à verdadeira explosão sonora detonada por eles. O Made não consegue ver ninguém para­do. A registrar ainda, em Massacre, a extraordinária performance do vocalista Percy Weiss, que a cada dia melhora sua expressão corporal. Massacre, com o Made in Brazil, melhor grupo brasileiro de punk rock, está prestes a excursionar por várias capitais brasileiras. Fique de olho, quando eles passarem por sua cidade, e não deixe de assistir a um espetáculo típico do tempo em que vivemos.

* Foto: Ary Brand.

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MADE IN BRAZIL - TEATRO BANDEIRANTES, ABRIL DE 1977

Durante os três dias em que o som aconteceu, no Teatro Bandeirantes, pude­mos constatar uma coisa: quem gosta de fazer música, seja qual for seu gênero, sempre vai encontrar público. Estes jovens que andam pelas ruas vestindo jeans e camisetas coloridas, gostam de reunir-se, em festivos happenings, e comemorar ruidosamente a desbotada e pálida Era de Aquarius.

O Bandeirantes já se consagrou co­mo Palácio do Rock, com seus inúmeros concertos pop passados; agora, com a primeira data natalícia de seu programa Balanço’, reuniu 19 grupos para duas apresentações, em evidente sinal de que o rock está dando lucros. Tanto para a Bandeirantes como para a Globo e a Cultura, que também mantêm programas com filmes enlatados de superstars anglo-americanos.

Nomes estranhos, como bem convém, não faltaram: Casa das Máquinas, Flying Banana, Baggas Guru, Joelho de Porco, Made in Brazil, Bendegó, Som Nosso de Cada Dia, etc. Vários intérpretes, no entanto, tiveram oportunidade de mostrar trabalho, alguns, inclusive, incursionando pela primeira vez nos campos do underground: Edu Viola, Jorge Mello, Tony Osanah, Eduardo Araújo e Silvinha, Jorge Mautner, Grupo de Marilene Silva, etc. Dessa forma, foram servidos todos os gêneros musicais aos convidados, que não foram poucos. Mas, diga-se a bem da verdade, a alegria sempre reinou.

Os grupos Humauaca, Flying Banana, Bendegó, Papa Poluição e mais os intérpretes Edu Viola, Jorge Mello, Tony Osanah e Jorge Mautner, encarregaram-se de dar ao espetáculo as cores da nossa América Latina. Desde baião até acordes melodiosos de índios bolivianos eles fizeram, com muita maestria em alguns casos. Tony Osanah foi, como sempre, um dos melhores; cônscio dos nossos problemas e anseios, soube extrair de sua guitarra e gaita sons multicolores, em belíssimos arranjos, premiados, muito a propósito, com aplausos durante vários mi­nutos. As músicas do Piauí e Maranhão foram representadas pelo grupo Cavaleiros do Apocalipse e Jorge Mello, devida­mente vestidos, todos eles, de sacerdotes da Idade Média.

Tudo isto regado a repetitivos clichês de parafernálias visuais. Confetes vindos do teto, gelo seco, spots coloridos, explosões e muita agitação capilar são as tônicas encontradas em grupos de rock patropi desde a vinda de Alice Cooper (espero que o Gênesis apresente-se com novos e diversificados efeitos, incluindo uma ‘mise-en-scêne’ nova e diversificada, para dar novo alento às jovens mentes nativas. Espera-se até, com a curiosidade de cientista, a apresentação de raios laser em efeitos visuais).

O rock pesado ou pauleira, ficou a cargo dos grupos Made in Brazil, Joelho de Porco, Baggas Guru, Som Nosso, Casa das Máquinas, Sindicato e Raza lndia. Todos vestidos tipicamente e, cada uma seu modo levando o público a verdadeiros momentos de histeria e êxtase. Joelho de Porco provou ser um dos melhores grupos Tupiniquins de rock pesado, ou punk-rock. Vestidos como papa-defuntos deliciosos, fizeram a vez de anfitriões na festa. Letras bem-humoradas confundiram-se com inteligentes trocadilhos agitando os corpos ágeis da nossa geração. Made in Brazil, como sempre, preocupava-se exclusivamente em levar a fila da frente a uma frenética dança, para contagiar as demais e o fundão do teatro, O resto não merecia maiores destaques, pois eram promissores grupos que desprezam a imaginação e limitam-se, simplesmente, a continuar, muito mal, o trabalho de grupos como Pink Floyd, Yes, Led Zep e Who.

O público, contudo, era uma verdadeira festa. Ver todo aquele povo dançando, cantando, gritando, correndo, agitando, aplaudindo, refletia uma bem-vinda atitude.

Enfim, foi muito bem comemorado este aniversário do programa Balanço. Embora não contando com grupos consagrados – Mutantes, Novos Baianos, Rita Lee, Terço e Raul Seixas, a Bandeirantes fez uma festa digna para o rock patropi. Esperamos mais reuniões como esta para este ano, que foi e está sendo muito bem servido neste gênero musical. Votos de louvor aos promotores e organizadores. Esperamos vê-los de novo em ação, brevemente. (RVJ)

MÚSICA. Show. Editora Imprima Comunicação e Editoração. Nº 12. São Paulo, mai. 1978, pág. 11.

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MADE: GAROTOS-PROPAGANDA DA ELLUS JEANS, EM PLENA NA ONDA PUNK

O Made e a moda punk: a Ellus Jeans - a la Malcolm McLaren...

Charles Paulinho Boca de Cantor (Novos Baianos), Simbas (Casa das Máquinas), Percy e Oswaldo - festa da Ellus Jeans de lançamento de moda punk, out. 1977

Percy e o Made no show de lançamento da moda punk da Ellus Jeans

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MADE IN BRAZIL, ELEITA A MELHOR BANDA NACIONAL DE ROCK DE 1977

· Na foto, à esquerda, carregando o manequim, o grande Wander Taffo, recentemente falecido.

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A VOLTA DE PERCY AO MADE IN BRAZIL

* Clique na foto para ampliar

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APÓS A VOLTA DE PERCY AO MADE, DUAS BELAS VOCALISTAS SÃO CONTRATADAS LUCINHA DO VALLE, ESPOSA DE OSWALDO, E JUJU NOGUEIRA, FILHA DO VIOLONISTA PAULINHO NOGUEIRA.

A formação que gravou o LP Paulicéia Desvairada.

Paolito na bateria, Lucinha, Percy, Oswaldo, Juju e Nana na guitarra.


OUTROS LINKS INTERESSANTES SOBRE PERCY E O MADE

http://www.rocknheavybrasil.xpg.com.br/bandasderocknroll/historias/madeinbrazil.html

http://www.clubrock.com.br/news/percy.htm

http://www.dissonancia.com/2006/39-06.htm

http://www.percysband.hpgvip.com.br/

FONTE:

Contatar autor.

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sábado, 2 de agosto de 2008

JIMI HENDRIX: SUAS TÉCNICAS E SUA GENIALIDADE

Aqui, galera, mais uma escavação na ARCA DO COBRA: uma reportagem extraída da extinta revista Música, de setembro de 1976, de autoria do músico Egídio Conde, que tocou com o Moto Perpétuo e o Som Nosso de Cada Dia, um grande guitarrista - foi considerado "Melhor Guitarrista" por duas vezes pela revista "Rolling Stone" no Brasil. Na reportagem, Egídio disseca as técnicas e a aparelhagem usada por Jimi Hendrix, fazendo altas revelações. A reportagem, continua atualíssima! Bom proveito!


JIMI HENDRIX – FENDRIX

PARA GUITARRISTAS



Muita coisa foi escrita a respeito de Jimi, mas grande parte de sua técnica instrumental é um tabu para instrumentistas que admiram seu trabalho. Este artigo é dedicado a dois amigos inseparáveis, Hendrix e a Fender Stratocaster.


AS GUITARRAS

Por volta de seu 11o ou 13o aniversário, Jimi recebeu seu primeiro instrumento, uma guitarra acústica barata, em troca da vassoura que empunhava, como presente de seu pai. Este primeiro instrumento foi logo depois substituído por uma elétrica e, aos quinze anos, por uma Epiphone. Pouco mais tarde, Jimi e a Fender Stratocaster uniram-se. Embora a Fender produzisse modelos especiais para canhotos, Jimi comprava o modelo normal porque preferia os controles em cima, reencordoando e trocando o capotraste de modo a acomodar os diferentes diâmetros das cordas. Os braços de suas Stratos, durante 67 e 68, eram usualmente Rosewood (escala escura), com poucas exceções, pois, nesta época, estes braços tendiam a ser ligeiramente mais leves e precisos no dedilhado que os modelos Mapleneck, modelo em que o braço e escala são construídos de uma só peça de madeira clara.

Jimi fazia seus próprios ajustes, na ponte, nos captadores e na alavanca. Possuía inumeráveis Stratocasters, carregando consigo, em excursões longas e shows mais importantes, cerca de treze ou mais de cada vez. De todo seu equipamento, somente pouco mais de meia dúzia de instrumentos podem ser identificados como autênticos, instrumentos esses hoje em posse do Sr. Hendrix e de Buddy Miles. O valor para colecionadores é incalculável.

Hendrix usou, esporadicamente, Gibson Les Paul, Hofner, tendo possuído também pelo menos três raras Gibson Flying V. Destas, somente uma permanece identificável, uma preta V com captadores dourados, guardada hoje como um tesouro por Eric Barret, técnico do equipamento de Jimi, de 1967 a 1970. Uma outra Fender estava sempre à mão, uma Telecaster, embora Jimi raramente a usasse, e somente em estúdios. Certa ocasião, apresentou-se com uma Strato com braço Telecaster. (Foto maior à esquerda) Red House, do álbum “Are vou experienced”, foi gravado com uma Hofner sólida. Quando Jimi começou a ganhar o suficiente para comprar o que bem entendesse, seu acúmulo de instrumentos começou.

Em Nova York, na 156 W 48th Street, fica a loja Manny's, que forneceu a Jimi a maior parte do equipamento, de 1969 até sua morte em 1970. Henry Goldrich, filho do velho “Manny”, lembra-se de ter vendido a Hendrix tudo, de uma Gibson 330 a saxofones. Entre os vários instrumentos adquiridos, podemos citar: uma Guild 12 cordas acústica, uma Gibson Stereo, uma Acoustic Black Widom (em poder de Mr. Hendrix), dois baixos Hagstrom de 8 cordas (Jimi tocou-se em Spanish Castle Magic, do elepê Axis Bold as love), três Rickenbackers, um baixo, uma de seis cordas, uma de 12 cordas, uma Gibson Dove acústica, uma Martin comprada nova. Eric Barret recorda que Jimi possuía mais de um de cada instrumento que adquiria. Modificações visuais nos instrumentos eram mínimos, como a pintura em sua “Flying V” e na Strato queimada no festival de Monterey em 1967. Os trastes também não eram substituídos, pois as guitarras de Jimi não duravam tanto: eram dadas de presente aos guris que ele encontrava e gostava, roubadas ou quebradas nos shows. As partes que então sobravam eram reunidas em novas Stratos. Na foto, Hendrix, Mitch Mitchell e um percussionista (Juma Edwards). Neste foto Hendrix usa uma Gibson SG branca, Custom.

Fender Stratocaster Sunburst, com braço Maple neck, e as principais modificações feitas por Jimi Hendrix. -A- Chave de três posições sem a mola de trava para permitir a ligação conjunta dos captadores 1-2 3 2-3. -B – Potenciômetros especiais Alan Bradley. -C- Capotrastes invertidos para acomodar a inversão das cordas.

Não se possuem dados sobre eventuais enrolamentos de captadores e modificações de grande monta. Em sua maioria, os efeitos criados residiam em sua criatividade e no conhecimento de Jimi de seu instrumento. Andy Mills, ex-técnico de som de Alice Cooper e Rita Lee, conta-nos que Hendrix usava potenciômetros especiais, Allan Bradley, de ação mais dura, hermeticamente fechados, não permitindo a entrada de poeira nos contatos, nas Stratocasters. As cordas preferidas por Hendrix eram Fender Rock'n RolI Light Gauge (010, 013, 015, 026, 032, 038). Numa entrevista à revista Disc, Hendrix diz: “Eu toco em uma Fender Stratocaster usando um E (1ª mi) regular como B (2 si) e, às vezes, um A (lá) tenor como E. Para obter meu tipo de som, coloco as cordas um pouco altas, para que elas possam soar mais tempo”. As palhetas eram do tipo medium de qualquer marca, e o Experience em suas excursões levava caixas de palhetas e várias correias, estas de cores e desenhos diferentes para combinar com as roupas.


AMPLIFICADORES

Nos seus dias iniciais, Jimi usava um Fender Twin Reverb, que posteriormente passou a usar só em estúdio e sua preferência, na maioria das vezes, era para o equipamento Marshall. Amplificadores Orange foram usados em 1967 no show de Pink Floyd “Christmas on earth”, mas Jimi não conseguiu o som que desejava deles. Em 1967, Hendrix e a Sunn solidificaram um contrato de cinco anos (durou quatorze meses) após o festival de Monterey.Na foto, Jimi e uma Gibson Flying V. A Sunn equipou todo o Experience com tudo o que desejassem, em troca da pesquisa e dos desejos técnicos de Hendrix. O equipamento, embora trabalhando bem para Noel Redding, não satisfez Jimi, que reclamava do ruído excessivo quando colocava o máximo volume nos cabeçotes. Do equipamento dessa época constavam 5 cabeçotes Coliseum PA, alterados para guitarra, com 120 w cada um, com 10 caixas acústicas, cada um com dois JBL D-130 F, logo depois mudados para quatro de 12' e cada caixa.

Depois de muitos problemas, Jimi voltou a usar Marshall. No começo, Eric Barrett lembra-se de Jimi usando um cabeçote Marshall 100 w com duas caixas 4 x 12”, microfonado através do PA. Logo o equipamento duplicou, com Jimi usando dois cabeçotes 100 w, quatro caixas e Noel o mesmo, e Mitch Mitchell um kit completo de bateria. À medida que as apresentações prosseguiam, Jimi e Noel Redding foram acrescentando equipamento até chegar ao ponto de Hendrix estar usando seis Marshall 100 w mais um escravo, ao lado de Mitch como monitor. Foto: Hendrix deixava a microfonia invadir as cordas soltas, e com o uso de alavanca modulava os sons obtidos.

Se Jimi possuía seis, Noel também usava seis enormes Sunn, com cabeçotes de 100-200w, com mais um do outro lado para a monitoração de Jim. Nesta altura do campeonato, Noel Redding berrava que não se ouvia a bateria. Providenciou-se então o equipamento para Mitch, com quatro grandes caixas Altec A-7, que se costumam usar para PA, colocadas bem atrás de sua cabeça. Mesmo assim, ele continuou dizendo que não havia suficiente volume, que precisava de mais, Os amplificadores Marshall ganhavam ainda mais potência que a linha de fábrica, nas mãos de Tony Frank, de Long lsland, que os reconstruía e regulava, chegando um cabeçote normal de 100 w, atingir 137 w. Quando a Marshall começou a saber quem Jimi era, começou a dar manutenção ao seu equipamento, fornecendo válvulas mais fortes e ressoldando todas as ligações para evitar quebra nas viagens. As válvulas eram trocadas com freqüência, para evitar perda de ganho com o uso. Esta massiva parede de amplificação era responsável pela dimensão física que o som de Hendrix e o Experience adquiria em suas apresentações. O volume de ar deslocado pelos alto-falantes era tão forte que se podia sentir cada palhetada, cada nota, cada corda, nos ossos. O ouvido era quase substituído pelo tato.

OS PEDAIS DE EFEITO

Entre os principais pedais de efeitos usados por Jimi, estão incluídos o Dallas-Arbiter Fuzz Face (foto), Univox Univibe e pedais Wah-Wah Vox. Na primeira excursão do Experience, foram levados dois ou três Fuzz Faces, contrastando com as duas dúzias de unidades que começaram a fazer parte do equipamento pouco mais tarde, Igualmente, uma dúzia de Univibe ( Leslie eletrônica) estavam sempre à mão, mais duas dúzias de pedais Wah-Wah. Eric Barret explica o porquê: Jimi não colocava o seu pé sobre os pedais, colocava todo o seu peso e os mecanismos e eixos não duravam muito. O Wah Wah apareceu no mercado ao fim de sua primeira excursão, sendo imediatamente incorporado ao equipamento. Outros pedais especiais foram construídos por Roger Mayer, e possuíam somente uma pequena etiqueta para identificação. O mais freqüentemente usado era o “Octavia” (Pepeu, dos Novos Baianos, possui um original), que modificava a oitava do instrumento. Muitos outros aparelhos e efeitos, feitos em casa, eram dados de presente por diversas pessoas, e, em sua maioria, somente eram usados em estúdio. Jimi comprava todo o tipo de pedal que encontrasse, querendo ser sempre o primeiro a usá-los.

Quando Jimi subia ao palco, de seu equipamento constavam um Univibe, um Fuzz Face e um Vox Wah Wah, em série, plugados em seus Marshalls. Ao seu lado, em estantes, podia-se contar pelo menos cinco Stratocasters, uma Les Paul e uma Flying V.

Parte do equipamento do Experience. À esquerda, a caixa para Sunn para guitarra, e, ao lado de Jimi, a caixa para monitoração do baixo de Noel Redding.


SUA TÉCNICA

A técnica instrumental de Hendrix, não era nada formal, e ele usava tudo o que tinha e o que não tinha para arrancar som de sua Strato. Todos os cinco dedos da mão direita, os dentes, a língua e o pedestal do microfone. Jimi possuía 1 ,84 m de altura e suas mãos, muito grandes, poderiam estar em alguém mais alto. Seus acordes e solos eram executados com firmeza, os vibratos e “puxadas” eram exatos e precisos, e Jimi em toda a sua carreira não cometeu mais que um ou dois enganos. A criatividade de Hendrix era a sua mola mestra. Ele não só tocava sua Strato, como usava sua voz, seu corpo, o amplificador. Sua sensualidade tornava a música um ato de amor, microfonia do amplificador era controlada e transformada em música.

Na Stratocaster, o botão que seleciona cada um dos três captadores pode, retirando-se a mola da trava, proporcionar a ligação de dois captadores ao mesmo tempo o 1 e 2 ou 2 e 3, coisa que normalmente não é possível realizar na Stratocaster. O som produzido pode ser ouvido em Little Wing do álbum “Axis Bold as Love”, uma tonalidade com coloração diferente. Na mesma faixa, Hendrix use uma caixa Leslie de alto-falantes rotativos. Após a introdução, pode-se sentir a mudança de rotação dos falantes, pela intensificação do vibrato.

Não há referência a respeito de Hendrix usando câmaras de eco como são concebidas hoje, Echoplex, Echorec, e, nos álbuns, os efeitos foram obtidos pelo uso de gravadores, para eco e “Flanging” (efeitos de fase). Eddie Kramer, engenheiro de Hendrix de 1967 a 1970, fez à imprensa poucas declarações sobre as técnicas utilizadas nos álbuns de Hendrix. Sabe-se somente que “Are You Experienced” e “Axis Bold as Love” foram ambos gravados em uma mesa especial, com uma máquina de quatro canais a 15 polegadas por segundo, no Olímpic Studios, em Londres.

Em todos os álbuns produzidos por Hendrix, pode-se sentir seu toque pessoal, sendo “Electric Ladyland” e “Axis Bold as Love” considerados até hoje obras primas de técnica musical, aliadas à mais fantástica mixagem talvez já obtida, onde os efeitos de pan (efeito obtido nos discos estéreo, onde os sons de solos e efeitos são transportados de um canal para outro, dando idéia de mobilidade) são absolutamente esmagadores.

* Clique na imagem para vê-la ampliada.

Entre seus acordes favoritos, Hendrix utilizava muito um tipo de acorde, com a terça no baixo (fig. 1) onde Noel Redding dava a fundamental e Hendrix, através de variações, transformava esses acordes simples em deliciosas combinações com 4as, 9as e 6as. Veja, por exemplo, o começo de The Wind Cries Mary (fig. 2) e ouça também Spanish Castle Magic, Castles Are Made of Sand. Todas possuem variações destes acordes, e estes são fundamentais para a compreensão do estilo de Hendrix.

Jimi, ao efetuar o acompanhamento de suas músicas, talvez tenha sido o melhor guitarrista de ritmo que já existiu. Sua noção de tempo e referência tonal são absolutamente incríveis, e, nos shows ao vivo muitas vezes superava as interpretações obtidas em estúdio. No álbum “Band of Gipsys”, Power of soul, Changes, Message to love possuem tal diálogo com o vocal de Hendrix que é inacreditável a sua independência vocal e instrumental. No álbum “Hendrix in The West”, Little Wing (executada ao vivo) supera longe a interpretação obtida em estúdio. Em seus solos, pode-se sentir toda a influência do blues negro e as características de seu estilo pessoal, utilizando em muitos solos variações da escala menor da figura 4 e suas relativas maiores.

Através da interpretação dada às suas vocalizações, suas músicas possuem um toque que seria totalmente perdido nas vozes de outras pessoas, embora Hendrix não possuísse voz, All Along the Watchtower possui uma interpretação dramática da música de Dylan, e suas próprias composições possuem um lirismo, uma fantasia, aliadas a uma visão pessoal dos sentimentos humanos e o mundo: “Veja um barco alado e dourado, está passando pelo meu caminho, e ele não deve parar, deve continuar, e então castelos feitos de areia desmancham-se nos oceanos, eventualmente...” (Castles Are Made of Sand).

Em outra passagem, em Crosstown Traffic, “Eu não sou a única alma acusada de atropelar e correr, pelas marcas de pneus nas suas costas eu posso ver que você andou-se divertindo”.

Em Woodstock (foto), Hendrix se apresentou às 8.30 hs da manhã de segunda-feira, para um público de 30.000 pessoas, dos 500.000 nas noites anteriores, e humildemente diz: “Vocês podem ir se quiserem, nós estamos fazendo uma ‘jam’; é tudo”. E após incríveis interpretações de Purple Haze e do Hino Nacional Americano, StarSspangled Banner, onde com seu instrumento Hendrix traça um retrato alucinante da América, finaliza com talvez o mais lírico de seus solos, Instrumental Solo, do elepê Woodstock é uma jóia de criatividade e sentimento.

Em Voodoo Child, Jimi canta “Se eu não encontrá-lo mais neste mundo, eu o farei no próximo. Não se demore”... É uma pena que ele esteja morto, Hendrix Fender, Fendrix, Fenix. Que ele renasça um pouco nas músicas e nos sonhos de todos vocês.


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